Juventude

GRUPO DE ESTUDOS CULTURA E MARXISMO

Grupo de estudos Cultura e Marxismo debate “Direito à Literatura” de Antônio Candido

Na primeira sessão de 2018 do Grupo de Estudos Cultura e Marxismo, calouros e veteranos da USP discutiram a partir de uma visão marxista um dos principais textos de Antônio Cândido.

sexta-feira 2 de março| Edição do dia

Na terça-feira, dia 27, ocorreu no prédio de letras da USP o encontro inaugural desse ano, do Grupo de Estudos Cultura e Marxismo, com uma discussão de um dos mais importantes textos de Antônio Cândido, "Direito à Literatura".

O Grupo de Estudos Cultura e Marxismo, impulsionado pela juventude Faísca- Anticapitalista e Revolucionária, existe há mais de 8 anos no curso de letras da Universidade de São Paulo. Com a intenção de discutir sobre inúmeros temas, refletindo criticamente sobre o que estudamos em sala de aula, como é o estudo de obras do Antônio Cândido, mas também sobre o que não está no nosso currículo. Sempre partindo de uma visão marxista, na qual seja possível explorar e avançar o senso crítico, onde todos possam falar e colocar suas ideias, algo que muitas vezes, por conta da estrutura da academia e de um modelo de aula enrijecido e hierarquizado - que na maioria das vezes as aulas são o professor fala, os alunos ouvem, sem espaço para uma verdadeira discussão. Esta é uma lógica que pretendemos inverter no grupo de estudos.

Com a participação de veteranos e de muitos calouros, foi discutida a primeira parte do texto de Cândido, no qual o mesmo faz uma reflexão sobre como é a sociedade e suas desigualdades. Discussão que faz com que ele seja até hoje reconhecido como um dos mais importantes críticos literários que apresentaram uma nova visão para o debate na academia, estudando não somente a literatura e sua estrutura, mas buscando debater como forma e conteúdo estão relacionadas com uma perspectiva social, método que até hoje é reconhecido e seguido nos cursos superiores.

Com muita discussão e opiniões diferentes dos alunos presentes, o grupo de estudos foi se tornando um ambiente de reflexão da sociedade o que, obviamente guardadas as devidas proporções, Cândido fez numa enorme parte da sua vida acadêmica, que foi justamente ver a influência social no conteúdo e na forma das obras, além da análise social em si.

Foi discutido sobre como e porque razões existem desigualdades tão rígidas nos contextos sociais, e a interferência disso na área de literatura. Como apesar dele partir de uma consideração fundamental da analise dialética da realidade, a contradição de termos alcançado o mais alto nível de desenvolvimento cientifico e tecnológico, de controle do homem sobre a natureza, mas ainda assim ter uma irracionalidade capaz de fazer com que milhões de pessoas no mundo passem fome. É nesse ponto que divergimos da análise realizada por Antônio Cândido, que não conseguiu ir no mais profundo do problema que a sociedade capitalista é dividida em classes. Sendo que essa irracionalidade não se deve a decisão individual de cada um, mas sim por existir uma classe, a burguesia, que controla tudo aquilo que é produzido pelos trabalhadores de acordo com seus próprios interesses do lucro. Ou seja, a contradição entre o avanço do domínio do homem sobre a natureza e a irracionalidade na utilização desse domínio para propiciar o desenvolvimento de toda humanidade deve-se ao fato primordial de que a sociedade capitalista é dividida em classes e que essas classes possuem interesses irreconciliáveis. Sendo esse um ponto fundamental da nossa crítica a essa primeira parte do texto escrito por Antônio Cândido.

Na próxima reunião do Grupo de Estudos seguiremos a discussão do texto, onde o crítico adentra mais profundamente na discussão sobre o direito à literatura explicitando todas suas visões e defendendo suas posições sobre o tema, no qual buscaremos percebe-las e também debate-las. Estão todos convidados, alunos de letras ou não, estudantes da USP ou não. O evento será na terça-feira, 13 de março, com horário a ser divulgado em breve e postado na página do " Grupo de Estudos Cultura e Marxismo".




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