Teoria

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Grupo de Estudos Rosa Luxemburgo na Unicamp terá nova discussão na quarta

Como parte da iniciativa de lançamento da biografia de Rosa Luxemburgo de Paul Frölich, nós, do Esquerda Diário e a agrupação de mulheres Pão e Rosas, decidimos impulsionar um grupo de estudo sobre o pensamento e a vida de Rosa Luxemburgo. As reuniões acontecem às quartas feiras, 14h30, na sala IH07 do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas.

terça-feira 9 de abril| Edição do dia

Rosa Luxemburgo foi para muitos a dirigente revolucionária mais importante da história do movimento socialista. Sua personalidade é lembrada até hoje, mas nem sempre essa lembrança vem acompanhada do valor substantivo de sua contribuição para o marxismo revolucionário. É para aprofundar nesse legado e nos inspirar em sua vida que pensamos realizar esse grupo de estudos, em que buscamos uma leitura de Rosa que ajude a nos armar frente aos dilemas que o capitalismo coloca à humanidade atualmente em níveis tão ou mais complexos do que a época vivida pela revolucionária polonesa. Uma leitura viva e militante, que capte a essência revolucionária de seu tempo para que possamos atualizar as ações por uma nova sociedade hoje, nos parece condizer com espírito que Rosa encarava a teoria marxista.

Rosa fez parte de uma geração de jovens revolucionários que nos inspiram pelo seu ímpeto e entusiasmo com que dedicavam sua vida e se engajavam nos acontecimentos de seu tempo. Em muitos aspectos, é um espírito que contrasta com a da nossa geração marcada muitas vezes pelo pessimismo e pela ausência de um horizonte revolucionário. É de se admirar a descrição que faz Paul Frölich desses jovens:

“Tratava-se em geral de pessoas que apesar de sua juventude, já possuíam experiências de vida muito sérias, haviam sido encarceradas, exiladas e arrancadas de suas famílias e da esfera social de que provinham. Viviam longe da juventude estudantil burguesa, cujo objetivo de vida era um cargo, uma subsistência. Esses jovens emigrantes trabalhavam seriamente por sua especialidade, mas pensavam mais no futuro da humanidade do que no pão do futuro. (...). Havia muita penúria e uma solidariedade natural e não sentimental. (...) Muitos desses jovens definharam nos cárceres do tsar e nos ermos da Sibéria. Outros estavam destinados a tornar-se, depois de experimentar o êxtase das alturas da emigração suíça elementos de sustentação do Estado em algum canto da Rússia como industriais, advogados médicos, professores ginasiais e redatores de jornais. Apenas poucos vivenciaram ativamente as tormentas revolucionárias com que todos sonhavam”.

Após décadas de estudo e atividade política na clandestinidade, tanto na Suíça quanto na consolidação da Social-Democracia na Polônia, em 1897 ela se muda para Alemanha onde na construção da Social-Democracia alemã conquistará o seu lugar na história do marxismo revolucionário como linha de frente do combate ao revisionismo reformista no interior da social democracia internacional, que foi o tema do grupo na última quarta (3).

Na intenção de debater a luta teórica e política de Rosa Luxemburgo contra o oportunismo no interior da social democracia alemã, a discussão passou pela caracterização da época imperialista nos fins do século XIX, início do século XX. Em combate às ideias de Bernstein, dirigente do Partido Social-Democrata Alemão (SPD) fundador do socialismo evolutivo e do revisionismo, que levavam à conclusão de que um desmoronamento total do capitalismo seria improvável, porque não haveriam mais crises, e que o socialismo se assentaria através de uma extensão gradual do controle social da economia e pelo estabelecimento progressivo de um sistema de cooperativas, em “Reforma social ou Revolução?”, Rosa defende a necessidade da conquista do poder político pelo proletariado.

Em debate fundamental sobre os destinos da democracia parlamentar na Alemanha, Rosa nos leva a indagar como a concepção legalista de Bernstein conclui que essa forma de poder que se estabelece a partir da tomada de poder pela burguesia torna supérflua (ou até mesmo impossível) a revolução proletária. Para Rosa, as leis sempre serviram para o fortalecimento gradual da classe que tem como objetivo a transformação da História, até que ela se sentisse capaz de conquistar o poder político e derrubar o sistema político vigente. Por isso, contrapor a reforma legal à tomada do poder, na verdade é uma escolha para reformar meramente a ordem capitalista, e não realizar uma nova ordem socialista.

No tema da última quarta, portanto, a conclusão foi de que as ideias do revisionismo abandonam o método histórico-dialético, esvaziando de sentido a luta de classes, sem centralidade na classe operária para a necessária tomada do poder, como se a época imperialista não exigisse que o capitalismo cause e se recupere de crises e imponha um sistema de miséria em escala mundial.

O próximo tema, na quarta (10), será sobre O Marxismo da III Internacional e o encontro será às 14h30, na Sala IH07 do IFCH!

Bibliografia do tema de quarta (10):

O marxismo da terceira internacional: O internacionalismo a prova: Revolucionários frente a Primeira Guerra Mundial, o impacto da revolução russa e a formação da terceira internacional.

ALBAMONTE, Emílio; MAIELLO, Matias. Estratégia socialista e Arte Militar. 1° ed – São Paulo : Iskra; 2019.
Posição estratégica e liberdade de ação
A concentração de forças e o problema das reservas estratégicas

LUXEMBURGO, Rosa. A crise da social-democracia. In: Rosa Luxemburgo: Textos escolhidos vol. 2 (1914-1918). LOUREIRO, Isabel (Org.). São Paulo: Editora UNESP, 2011.
Capítulo VI

Para acessar a bibliografia é só contatar:
(19) 98283 0521
(19) 99951 2018

Confira o evento: https://www.facebook.com/events/563479787495931/




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