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Grupo da direita em Campinas: a hipocrisia contra a corrupção para atacar os trabalhadores

Setores que vão da direita ex-tucana até a extrema direita bolsonarista estão anunciando a intenção de conformar um “bloco de direita” nestas eleições. Com o velho discurso contra a corrupção querem avançar em uma ofensiva contra os trabalhadores, o povo pobre e a juventude em Campinas. Veja quem conforma esse bloco e porque o discurso contra a corrupção que se utilizam não passa de uma farsa.

quinta-feira 10 de setembro| Edição do dia

Artur Orsi (PSD) é quem encabeça o “bloco” e concorrerá ao cargo de prefeito, ex-vereador de Campinas é conhecido pelo discurso anticorrupção mesmo com seu partido envolvido em grandes escândalos, conta com apoio dos vereadores Marcelo Silva e Nelson Hossri da sua legenda. O bloco também conta com os bolsonaristas Tenente Santini (PP) e seu chefe de gabinete, Major Jaime, defensores do Escola sem Partido, da Bancada da Bala e ídolos da ROTA, a polícia assassina de São Paulo.

Instaurar uma “Laja Jato em Campinas” sempre foi o discurso de Santini, diz que o bloco está disposto a combater a corrupção e demais crimes cometidos por figuras políticas, como o desvio de dinheiro público. Artur Orsi, ex-tucano e reconhecido elogiador da atual gestão do PSDB de São Paulo, é também conhecido por um discurso contra a corrupção, mas não com a forma lavajatista, que avançou inclusive contra o PSD, e mais por dentro dos trâmites parlamentares, como a cassação de Dr. Hélio na cidade que teve sua participação ativa via CPI.

A lava-jato foi uma operação chave que abriu caminho ao fortalecimento da extrema direita, como mostrou o golpe institucional de 2016 e a eleição de Bolsonaro, e tinha como objetivo avançar nos ataques aos trabalhadores conforme os planos e ritmos do capitalismo internacional em crise, como vimos com a reforma da previdência, trabalhista e a PEC do Teto. Assim, disciplinava parlamentares conforme seus objetivos, um dos alvos foi o próprio Gilberto Kassab, do mesmo partido que Artur Orsi, entre tantos outros presos e investigados.

Entre mil e uma disputas a lava-jato vem sendo golpeada, como vimos com a liberdade de Lula e a saída de Moro do governo, ainda que seus métodos são utilizados pelo judiciário a medida do jogo político, como mostra a saída do desprezível Witzel. Uma justiça bastante seletiva, já que mesmo os crimes que envolvem a família Bolsonaro, ou a proximidade com milicianos envolvidos com a morte de Marielle Franco, seguem sem nenhuma resolução.

Mas o fato é que os golpes que vem sofrendo a operação e a recomposição da base bolsonarista permitiu um realinhamento de forças entre a direita tradicional do centrão com a extrema direita a nível nacional, o que é possível ver também no “bloco da direita” que se conformou em Campinas entre os 5 políticos, todos juntos unidos contra a corrupção na cidade. Porém, por trás do demagógico discurso, que apela para a rejeição da população aos enormes escândalos de corrupção que a cidade de Campinas é palco, estão duas questões fundamentais que queremos apontar aqui.

A primeira é que nunca vão combater a corrupção. Seus partidos são envolvidos em enormes escândalos nacionais, de Maluf (PP) à Gilberto Kassab (PSD), que dispensam apresentações, passando pelo prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD - MG) que é investigado por financiamento ilegal de campanha, João Rodrigues(PSD - SC) preso por crimes contra a lei de licitações, fora os que são acusados de agressão às mulheres como senador Lasier Martins (PSD - RS) e estupros como Nelson Nahim do RJ. O PP do Tenente Santini tem o posto de nada menos que partido mais investigado da Lava Jato, famoso pelo "quadrilhão do PP” acusados de desviar verba da Petrobras. Ou seja, o debate da corrupção é pura demagogia e escondem que a corrupção é inerente ao Estado capitalista que sempre vai atuar pelas relações obscuras para favorecer os grandes empresários e políticos.

A segunda é que por trás desse discurso estão os imensos ataques a classe trabalhadora que unificam todos eles. Seus partidos apoiaram a reforma da previdência e trabalhista e apoiam a MP936 de Bolsonaro que permitiu cortar salários e suspender contratos de emprego na pandemia, que gerou mais desemprego e miséria, além da reforma da previdência de Dória em SP. Santini, que votou a favor da reforma da previdência de Jonas, e Artur Orsi também se orgulham em apoiar medidas de austeridade para a cidade, com uma reforma na administração pública que, como podemos ver ao molde federal, deixa de fora militares, juízes e políticos, retirando direitos da maior massa dos servidores que recebem baixos salários, como é o caso dos trabalhadores dos Correios que hoje estão em uma forte greve contra os ataques aos direitos firmados em acordo coletivo e que foram retirados pelo General Floriano Peixoto, presidente atual da estatal.

Trabalhadores que vem sendo sistematicamente atacados pelos governos e presidentes anteriores da empresa, como Guilherme Campos, também do PSD de Orsi, que foi presidente dos Correios durante o governo golpista de Temer e foi o responsável por aplicar demissões, fechamentos de agências e ataques até mesmo ao convênio médico e às férias dos trabalhadores, aprofundando os planos privatistas que já vinham sendo colocados desde os governos do PT.

O bloco também defende um governo conservador, disposto a aumentar a repressão policialesca que já é altamente violenta contra os pobres e negros na cidade, por meio da PM e da Guarda Municipal (esta que matou a tiro o jovem Jordy, em plena pandemia), aliado com o conservadorismo fanático religioso neopentecostal, o mesmo que bradou contra o direito ao aborto no caso da menina de 10 anos, estuprada pelo tio desde os 6, com um grupo de religiosos na porta do hospital liderados pela fascista Sara Winter. Aliás, Santini é um dos que enchem a boca para falar que é contra o direito ao aborto, defende que milhares de mulheres sigam morrendo por abortos clandestinos e que os jovens negros continuem morrendo nas mãos das polícias assassinas de quem ele e seu acessor Major da PM são fãs.

Em mirabolante solução para o desemprego em Campinas, a proposta do bloco é ampliar políticas neoliberais que implicam em redução de impostos para grandes empresários, aumento de isenções fiscais por parte da prefeitura, para a chamada “atração empresarial” e criação de empregos, quando na verdade o que sempre houve no mandato de Jonas Donizette (PSB), ao qual Santini e Orsi dizem se opor, foram políticas totalmente voltadas para os interesses empresariais, como a reabertura irracional do comércio durante a quarentena, ou então o aval para a demissão de muito trabalhadores de empresas da cidade, durante esse mesmo período, aumentando a pobreza e miséria da população mais pobre. Uma combinação de um número de desempregados que cresceu 25,81% na Região Metropolitana de Campinas (RMC) no primeiro semestre deste ano, se comparado ao mesmo período de 2019, saltando de 221.169 pessoas sem trabalho formal para 278.256, somado a crise sanitária que conta 1057 mortes pela Covid-19.

O conjunto do projeto desse bloco é portanto ampliar as políticas neoliberais na prefeitura, dando concessões máximas para os capitalistas decidirem como explorar o trabalho, reduzir salários, cortar direitos do povo pobre trabalhador e, por fim, descartar, demitir quantos sejam necessários em nome da manutenção dos seus lucros privados. É uma tentativa clara de precarizar ainda mais o trabalho, não estão contentes com o governo ajustador de Jonas que aprovou uma reforma da previdência em plena pandemia que incluía redução de salários inclusive aos profissionais da saúde, querem ainda mais ataques.

Além do bloco, Campinas também vai contar nessas eleições com as candidaturas de Saadi/Wandão que são a continuação do governo ajustador de Jonas e de Rafa Zimbaldi que era do PSB e apoiador do governo Jonas durante todos esse anos e frente as eleições passa a oposição. Duas candidaturas que disputam hoje o apoio do PSL, ex-partido de Bolsonaro e que foi base do governo Jonas. Delegada Therezinha também vai disputar o cargo pelo PTB e a cidade terá para vereador a candidatura de um representante do filhote do “gabinete do ódio” Douglas Garcia, um locutor desconhecido chamado Alexandre Barbosa.

A única forma de combater a direita e extrema direita e seu projeto de ataques aos trabalhadores e setores oprimidos é batalhando para que o conjunto da classe trabalhadora, os setores mais precários, as mulheres, negros, e lgbts, todos que estão pagando a conta dessa crise, possam se unificar para responder ao futuro de miséria e fome que os governos e os capitalistas nos reservam, contra a corrupção é preciso defender juízes eleitos que ganhem o mesmo salário que um trabalhador comum e juris populares, tirando das mãos do autoritarismo judiciário e das cúpulas parlamentares as investigações. Contra o desemprego que atinge fortemente Campinas e Região é preciso defender a proibição das demissões e readmissão de todos os demitidos na pandemia, junto a não mais pagar a dívida pública para que o dinheiro que é usurpado do orçamento público possa garantir um plano de obras públicas e serviços públicos de qualidade a população, garantindo também testes massivos, epis e uma quarentena remunerada a todos os grupos de risco para
combater a pandemia.

Esse é o oposto do que vem fazendo as demais alternativas de oposição à Jonas na cidade. Por um lado o PT de Pedro Tourinho, partido que durante os 13 anos em que foi governo veio abrindo espaço à direita golpista que nos levou até aqui, e que hoje não convoca as categorias de trabalhadores que dirigem pela CUT, como professores, petroleiros, bancários a se unificar com os trabalhadores dos Correios contra Bolsonaro, uma pré-candidatura que carrega o projeto impotente de conciliação de classes do PT e que está contando com o apoio e coligação do PSOL. Por outro, o PcdoB, que encabeça a pré-candidatura de Alessandra Ribeiro na cidade, mas que está em aliança até mesmo com PSL no Maranhão e que junto com PT votaram pelo perdão de mais de 1 bilhão de dívidas das igrejas, enquanto o povo amarga pagar $40 reais num saco de arroz.

Campinas e região abriga um dos maiores pólos industriais do Brasil, a maior refinaria da Petrobrás e uma das mais importantes universidades da América Latina. Certamente a potencialidade da cidade não deve estar nas mãos dos capitalistas e dos interesses empresariais, mas nas mãos daqueles que fazem a região funcionar, que são os trabalhadores e possam assim se voltar aos seus interesses. Por isso, que aqui e em todo país nós do MRT batalhamos por construir uma alternativa de independência de classe, que seja dos trabalhadores e que possa combater Bolsonaro, os golpistas e os capitalistas e assim lutar por um programa que façam os patrões e não o povo pobre e trabalhador a pagarem por essa crise.

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