Política

Grupo Dória recebeu R$10,6 milhões de governos e estatais

quinta-feira 29 de setembro| Edição do dia

Impregnado do discurso privatista, o candidato a prefeito de São Paulo, tucano João Doria, recebeu aportes em suas empresas de pelo menos R$ 10,6 milhões de entes estatais desde 2005, como a Petrobrás, os Correios e a Caixa Econômica Federal.

Doria não informa o faturamento de seu negócio, que inclui o Lide, organização de empresários que promove encontros periódicos entre a iniciativa privada e autoridades públicas.

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação revelam repasses da administração federal inclusive durante as gestões petistas de Lula e Dilma Rousseff de cerca de R$ 6 milhões.

Do governo do Estado, comandado por seu padrinho político, Geraldo Alckmin (PSDB), as empresas de Doria receberam R$ 4,5 milhões entre 2010 e 2015. A Desenvolve SP, banco de desenvolvimento do governo, patrocinou 33 eventos em valores que somam R$ 2,7 milhões. Além disso, o Executivo estadual fez anúncios nas revistas da Editora Doria que custaram R$ 1,8 milhão entre 2014 e 2015.

A Petrobras investiu R$ 896 mil em empresas do Grupo Doria. Metade desse valor (R$ 448 mil) se deu em 2008, a título de patrocínio. Naquele período, Doria aparecia no noticiário como símbolo do movimento direitista "Cansei", autodefinido como "apartidário e anticorrupção" (mesma ladainha usada por Dória nos debates eleitorais, dizendo-se "um gestor, e não um político", a fim de escapar da crise de representatividade).

Nos tempos de "Cansei", Doria também se beneficiou de repasses dos Correios: foram R$ 541 mil entre 2007 e 2008 da estatal federal. Somando-se os recursos que seriam investidos até 2014, os Correios repassaram um total de R$ 1,8 milhão ao Grupo Doria.

Entre as contrapartidas, estavam convites a representantes dos Correios para os eventos patrocinados.

A Caixa Econômica Federal, por sua vez, repassou R$ 160 mil entre 2013 e 2014 a fóruns de varejo e agronegócio promovidos pelo grupo do tucano. O Banco do Brasil contribuiu, em 2011, com R$ 83 mil no 2º Fórum de Empreendedores, em São Paulo. A Apex repassou R$ 2,6 milhões entre 2005 e 2015.

Já o Ministério do Esporte fez três contratos, todos durante a gestão de Orlando Silva (PC do B-SP). Em contrapartida, o então ministro teve direito a participação nos fóruns promovidos por Doria em Comandatuba (BA).

Em 2009, o ministério pagou R$ 320 mil por um estande no 8º Fórum Empresarial "visando à participação" no evento. No ano seguinte, a pasta desembolsou R$ 227 mil com o mesmo fim.

Sendo "gestor, e não político", Dória recebeu apoio financeiro de governos para a sua política. Seus eventos empresariais foram fartamente financiados com dinheiro público durante a gestão Alckmin, e mesmo pelo PT, na ânsia de se ligar com os capitalistas.

Com esse portfólio bancário, o "humilde" herdeiro das capitanias hereditárias e dos barões Costa Dória já doou R$ 2,5 milhões para a própria campanha, tornando-se o segundo maior doador nacionalmente. O valor é equivalente a pouco mais da metade do que ele arrecadou. É notável como os recursos de sua empresa lobbista, as revistas e eventos que promove aos empresários da FIESP, são as verdadeiras asas que carregam seu desaçucarado discurso gestor aos quatro cantos de SP.

Os milionários empresários-candidatos (e seus amigos) estão livres para fazer suas campanhas com o dinheiro arrecadado com a exploração dos trabalhadores, ou o enriquecimento com os cargos públicos. O regime eleitoral não afeta as campanhas dos candidatos patronais. Enquanto isso, o TSE e o judiciário golpista aplicam uma dura censura à esquerda, vetando sua participação nos debates televisivos junto ao partido midiático, diminuindo o tempo de campanha para que não sejam conhecidos e impedindo que organizações operárias e anticapitalistas se legalizem como legendas políticas (contra o qual o Congresso já prepara a todo vapor a reforma política).




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