Sociedade

ROUBO DE TERRAS

Grilagem de terras por agronegócio ameaça mil famílias no sertão da Bahia

A valorização das terras de Ladeira Grande, com a chegada de usinas eólicas e a perspectiva de novos empreendimentos, aumenta o roubo de terras no sertão da Bahia através de “grilagem” por agricultores e empresários de uma área que pode chegar a 600 mil hectares, e desalojar cerca de mil famílias na região.

terça-feira 17 de setembro| Edição do dia

A empresa mineira Bioma Terra Nova Participações, desde o ano passado começou a mapear terrenos com o uso de drones e enviar trabalhadores para desmatar, cercar terrenos e tomar posse de terras na região pobre e simples do sertão, ameaçando pelo menos mil famílias que moram na região.

O esquema de “grilagem” é antigo e histórico no Brasil, consiste na falsidade de documentos oficias sobre a posse de uma área. Leva esse nome, pois os papeis eram colocados em caixas com grilos para amarelarem e se desgastarem, a fim de parecerem mais antigos e verídicos.

O tema roubo de terras no sertão é tão frequente que já virou filme aqui no Brasil, o famoso e discutido “Bacurau” demonstra a tentativa de posse de uma terra no interior do Rio Grande do Sul por imperialistas.

O caso é investigado pelo Ministério Público do Estado da Bahia para apurar possíveis crimes de falsificação ideológica e formação de quadrilha. A Coordenação de Desenvolvimento Agrário, órgão do Governo da Bahia, informou que também está fazendo avaliações técnicas e cartográficas para apurar se há inconsistências ou irregularidades no histórico das propriedades.

No entanto, sabemos que os governos e, principalmente sob a gestão de Bolsonaro, são coniventes e servem aos grandes agricultores e empresários. Hoje, por exemplo, vê-se a Amazônia sendo, literalmente, queimada, tendo impactos climáticos em todo o Brasil ou aldeias indígenas sendo inteiramente destruídas no Mato Grosso do Sul. Tudo isso, a favor dos grandes lucros. Logo, não se pode acreditar que essas averiguações ocorreram de forma honesta e de fato preocupada.

Se nada for feiro, a comunidade de moradores perderá suas casas de onde retiram sustento e onde criaram ou criam suas famílias para que grandes empresas nacionais e/ou imperialistas possam lucrar, poluir e desmatar ainda mais do que já vêm fazendo.

O agricultor Alonso Dias Braga, 68, diz que começaram a desmatar e marcar terrenos próximos a sua casa no início deste ano, mas a comunidade se uniu para arrancar os piquetes instalados na região, demonstrando resistência e rechaço por parte desses moradores.

Em 2008, centenas de famílias do povoado Areia Grande ficaram na iminência de serem desalojadas depois de a justiça burguesa dar ganho de causa pela posse das terras para uma empresa da região. Como sempre, demonstrando que a justiça não é cega e tem um lado claro: a dos ricos e poderosos.

Contra isso, dizemos: A transformação dessa realidade perpassa por uma mudança radical da sociedade em que vivemos. Não há conciliação histórica possível entre uma produção voltada para o lucro – cuja dinâmica inexorável é a acumulação do capital – e qualquer coisa parecida com a utilização racional e ambientalmente correta dos recursos naturais. Somente a organização de uma sociedade emancipada das garras do capital e, portanto, com base nos produtores livremente associados poderá superar a exploração predatória da natureza, a crise ambiental e a miséria social na qual estamos submetidos.




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