Sociedade

FRIDAYS FOR FUTURE

“Greves pelo clima”: centenas de milhares de jovens se mobilizam em todo o mundo

As manifestações convocadas pelo grupo "Fridays for future" [sextas-feiras pelo futuro] e outros grupos de jovens promovem a greve estudantil porque "Nós não temos nenhum planeta B". Foram massivas em Madri, Berlim, Viena e outras cidades.

sábado 16 de março| Edição do dia

"O capitalismo nos rouba o futuro", "Não haverá amanhãs para recordar se não fizermos alguma coisa hoje", "O problema não é individual, é alimentado pelas multinacionais" e "Eco Caos" foram alguns dos cartazes que foram vistos na sexta-feira (15), multiplicado por milhares, perto da Porta do Sol, em Madrid. No Estado Espanhol, neste 15 de março foi realizada a primeira greve estudantil pelo Clima, com concentrações em 40 cidades.

Imagens similares poderia ser vistas nesta manhã nas ruas de Berlim, Bruxelas, Paris, Londres ou Munique. Eles também se repetiram em cidades na Suíça, na África do Sul, no Japão e na China. De acordo com a plataforma "Fridays for Future" a greve mundial estava convocada em mais de 1.600 cidades em 105 países: "Greve pelo Clima" ou "Greve climática". Em alguns locais foram realmente massivas as manifestações, como em Londres, Berlim, Munique, Madrid e Barcelona, enquanto em outros reuniram apenas algumas centenas. O fenômeno, para além das desigualdades por lugar, tem como protagonistas jovens muito jovens, a chamada geração z, entre 13 e 20 anos, juntamente com a geração y [os millenials, jovens de cerca de 30 anos].

Há algumas semanas estão acontecendo as "sextas-feiras verdes" em cidades da Europa, em que os estudantes se manifestam contra a crise ambiental global. O movimento começou com a chamada de um grupo chamado "Fridays for Future", na Bélgica, sem outra proposta a não ser impor às autoridades que ajam com urgência contra as mudanças climáticas. Mas em muito poucos dias provocou um debate importante entre a juventude e a esquerda europeia sobre como lidar com a crise ambiental, a sua relação com os governos e os Estados capitalistas, e quais as medidas a tomar para reverter a crise aberta.

Enquanto os setores mais ligados ao establishment em diferentes países apresentam propostas de reformas cosméticas de um "capitalismo verde", setores da social-democracia e reformistas apostam em um "New Deal Verde", um novo "pacto" mundial no qual seriam discutidas medidas de "consenso" entre os Estados e as grandes empresas para conter a degradação ambiental e o esgotamento dos recursos.

No entanto, a mobilização em massa de jovens que não devem nada ao capitalismo, que viveram toda a sua vida no contexto das consequências da crise, coloca a possibilidade de que a luta tome um rumo diferente, como parte de uma luta de classes mais radical contra o sistema capitalista.

Júlia tem 21 anos, é estudante de Filosofia na UAM e milita no grupo Contracorrente/Pão e Rosas. Desde a manifestação na Porta do Sol, em Madrid, diz que participa do movimento porque acredita que "não há solução para as alterações climáticas e a crise ecossocial dentro do sistema capitalista que explora tanto os seres humanos como os recursos do planeta para benefício de alguns. Portanto, se queremos um futuro em um planeta habitável, a luta terá que ser anticapitalista".




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