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PORTUGAL

Greves e mobilizações de trabalhadores fazem tremer o governo português

A classe trabalhadora portuguesa tem realizado intensas manifestações até agora neste ano. Desta forma, já foram convocados 112 pré-avisos de greve. 2018 foi um dos anos em que o peso das demandas dos trabalhadores foi mais sentido.

sábado 2 de março| Edição do dia

Os setores que lideram a vanguarda desses protestos são os professores públicos e enfermeiros. Estes setores tem tido uma dinâmica de mobilizações e greves permanentes nos últimos meses.

Mas eles não são os únicos, tanto no setor privado quanto no público, paralisações começam a fazer parte da vida normal na vida de milhões de portugueses. O descontento entre a classe trabalhadora do país vizinho vem se acumulando há anos, diante da contínua degradação das condições de vida da imensa maioria da população. Depois do início da crise econômica de 2008 e da subsequente crise da dívida portuguesa, estes ataques à classe trabalhadora portuguesa duplicaram.

Desta forma, como em outros países europeus, a "política de austeridade" tornou-se sinônimo de cortes e desmantelamento da saúde e da educação pública, mas também com reformas trabalhistas e aposentadorias regressivas.

É por isso que não é coincidência que agora, depois de anos vendo os salários quase não crescerem e até mesmo diminuírem, setores inteiros da classe trabalhadora vêm à luta. E são precisamente os trabalhadores da saúde e da educação que se colocam à frente.

Isso contrasta com o discurso do governo do socialista Antônio Costa de otimismo e melhoria econômica. A aparente recuperação não se traduz para os trabalhadores, sendo o salário médio de Portugal um dos mais baixos da Europa. O executivo, que conta com o apoio do Partido Comunista de Portugal (PCP) e do Bloco de Esquerda, não modificou sequer uma única vírgula da reforma trabalhista e do restante das medidas antipopulares aprovados pelo governo anterior. Mesmo nesses anos, muitos dos principais problemas sociais pioraram significativamente. Por exemplo, o preço da habitação disparou, principalmente o dos aluguéis, superando, em cidades como Porto ou Lisboa, o salário médio de um trabalhador.

Este governo apoiado pelas três forças localizadas à esquerda do arco parlamentar, obteve o apoio eleitoral necessário para governar graças às promessas de acabar com a austeridade herdada dos governos conservadores anteriores. Isso gerou muita expectativa numa época em que a sociedade portuguesa passava por uma profunda dor social causada pela queda abrupta de seu padrão de vida. Mas também foi visto no resto da Europa como uma saída em uma chave "progressista" que poderia reverter os aspectos mais prejudiciais das políticas neoliberais. No Estado Espanhol, o governo de Pedro Sánchez, com o apoio do Unidos Podemos, teve como grande exemplo a coalizão liderada por Antonio Costa. Em ambos os casos, os resultados são semelhantes. Nenhuma medida de grande significado foi aplicada, e apenas uma política de gestos vazios foi dada.

A classe trabalhadora portuguesa tem uma grande tradição de luta e este aumento de conflitos trabalhistas pode ser um aviso de que as mobilizações dos trabalhadores sejam colocadas no centro da cena política. Quase 45 anos depois do início da Revolução dos Cravos, o regime capitalista português mais uma vez sente que “O povo e quem mais ordena”.




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