28A

Greve sem impacto, Temer? E a perda de R$ 5 bilhões só no comercio de SP?

Baixa adesão, diz o governo e a mídia burguesa, mas a patronal do comércio já prevê perda de, aproximadamente, R$ 5 bilhões com a greve geral do 28 de abril.

sexta-feira 28 de abril de 2017| Edição do dia

De acordo com as associações de classes representativas do comércio, existe uma previsão de perda de algo próximo a R$ 5 bilhões só com a greve geral convocada para esta sexta-feira. Este valor é referente ao faturamento do comércio do estado de São Paulo – que em um dia lucra R$ 1,6 bilhão – considerando a greve, o final de semana e o feriado de segunda-feira.

Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, a greve geral neste momento de recessão só atrapalha e acrescenta que os sindicalistas não levam em consideração as 14 milhões de pessoas estão desempregadas no país. Burti ainda critica os sindicatos que aderiam a greve geral alegando que os mesmos esquecem da função de amparar os trabalhadores, e não de se partidarizarem e também coloca que a greve realizada não reflete o desejo dos trabalhadores brasileiros.

"O direito à greve está assegurado pela Constituição e deve ser respeitado, mas o movimento precisa ser espontâneo. Para a greve ser legítima, ela tem de partir do próprio trabalhador", diz. Os protestos realizados na capital paulista desde as primeiras horas da manhã desta sexta-feira certamente afetarão o desempenho do comércio varejista, segundo a ACSP.

As declarações de Burti expressam muito da mentalidade patronal dos golpistas e dos patrões para tentar enfiar goela abaixo dos trabalhadores as reformas de Temer. Usam os dados do desemprego para tentar chantagear os trabalhadores, Burti afirma que os 14 milhões de desempregados deveriam ser uma "corda no pescoço" para os que ainda têm emprego se conformarem, mesmo perdendo suas aposentadorias e direitos, e não irem às ruas. Mas os trabalhadores não se intimidaram com as bravatas tanto de seus patrões como Burti, como dos políticos a serviço deles, como Doria e Alckmin, que usaram de repressão policial e prometeram cortar o ponto dos trabalhadores que paralisaram.

Além disso, Burti diz que a greve "não partiu dos trabalhadores", não foi "espontânea". Mas a realidade é que só o imenso descontentamento dos milhões de trabalhadores brasileiros que foi capaz de empurrar os burocratas que ocupam a maioria dos sindicatos e fazer com que fosse convocado esse 28A. E é justamente isso que apavora empresários como Burti, que tenta gritar em coro com governo e mídia que a greve foi movida por "um punhado de sindicalistas" e não pela fúria organizada da classe operária brasileira.

Outras associações de indústria, comércio e serviços adotaram a postura política de não fazerem balanços da adesão à greve. Incluem-se neste grupo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping (Alshop) e Associação Nacional de Restaurantes (ANR). Para estas associações, as reformas são no momento a maior bandeira.

Por ser uma das maiores beneficiadas com as reformas trabalhista e da previdência, impondo flexibilização e precarização das condições de trabalho, a patronal do comércio se coloca contra a greve geral do dia 28 de abril. Por isso, nós trabalhadores precisamos nos organizar e preparar uma greve geral até derrubar Temer e seus ajustes, fazendo com que estes capitalistas paguem pela crise!

Com informações da Agência Estado




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