Educação

GREVE DAS ESTADUAIS PAULISTAS

Greve se fortalece na USP

Nesta quinta-feira, cerca de 500 estudantes da USP reunidos em assembleia geral votaram em consenso pela continuidade da greve, deliberaram seu calendário de lutas e deliberaram a posição frente à conjuntura nacional de lutar contra o governo golpista e o ajuste fiscal.

sexta-feira 20 de maio de 2016| Edição do dia

Apesar da assembleia geral não ter se massificado, a greve na USP só cresce. Diversos cursos já deliberaram greve na última semana, como Pedagogia, Enfermagem, Bioquímica, Geociências, Biologia, Filosofia, FFCLRP e FAU. Além de entrarem em greve, ECA (Música, Jornalismo, Editoração, Audiovisual e Educom), Letras, História e Geografia ocuparam seus prédios, em um grande exemplo de luta. Apesar de ainda não terem deliberado greve, outros cursos já estão com indicativo votado ou paralisação, como em Ribeirão Preto, em que estudantes acampam em frente ao prédio da diretoria, além de São Carlos, ESALQ, FOFITO, Psicologia, Odonto, EACH, Farmácia, ICB, Oceanografia, IME, Física, Nutrição, Saúde Pública e na Medicina. Além da greve já deliberada pelos trabalhadores, inclusive do Hospital Universitário, e do indicativo de greve dos professores pela Adusp.

Além dessa intensa mobilização na maioria dos cursos da USP, na última semana tivemos um importante ato em unidade com os secundaristas contra os cortes na educação. Essa unidade entre universitários, secundaristas e trabalhadores da educação é a ferramenta mais poderosa que temos para ampliar nossa greve e derrotar os governos dos cortes.

Nesta assembleia geral aprovamos um calendário de lutas que busca fortalecer a greve e avançar para toda a USP. Além disso, é urgente que busquemos mais unidade com os setores de fora da USP, como os secundaristas e as outras universidades paulistas que também estão em luta contra os cortes e a precarização do ensino. A Unicamp está com sua reitoria ocupada e os diversos campi da Unesp estão levantando fortes lutas com muitos cursos paralisados e em greve.

Desta forma, foi fundamental que os estudantes da USP reunidos em assembleia tenham aprovado o Encontro Estadual dos Estudantes em Luta, proposto pelos companheiros da Unicamp, no qual o Sintusp já havia deliberado de enviar representantes. Esse encontro estadual ocorrerá no domingo, em frente a ocupação de reitoria da Unicamp, e terá uma importância fundamental de articular a luta estadualmente, sendo já um primeiro passo para a construção de um comando de greve estadual, com delegados eleitos em seus locais de estudo, que unifique secundaristas e universitários.

Neste sentido, na segunda-feira votamos realizar a reunião do comando de greve da USP, e é justamente este organismo que deve dirigir nossa greve, por isso, todas as entidades e estudantes em luta devem fortalecer o comando de greve, votando delegados nas assembleias de curso, e fazendo com que este seja o organismo real de direção do conflito, como já fazem os trabalhadores da USP.

Foi muito importante que a assembleia dos estudantes da USP tenha revisto seu posicionamento anterior, proposto pelo DCE, de não colocar como centro de sua luta enfrentar os cortes na educação, única maneira de não fazer uma greve corporativa e se ligar às lutas em curso contra os ajustes na educação. Além das pautas centrais das cotas, permanência e contratação, agora os estudantes aprovaram uma carta de reivindicações contra o desmonte da USP e os cortes na educação, que inclui a não desvinculação do HU, aumento salarial real aos funcionários e professores, a efetivação dos terceirizados sem concurso público, a retirada da PM do campus, a legalização das festas na USP, entre outras reivindicações.

Além disso, é bastante vitorioso que os estudantes da USP não fiquem passivos diante de uma conjuntura nacional tão turbulenta. A proposta aprovada foi de lutar contra os ajustes declarando claramente que o atual governo federal é fruto de um golpe, que visa aprofundar os ataques à juventude e aos trabalhadores, para que esses paguem pela crise, utilizando para isso a repressão policial que tem recaído sobre os secundaristas nas últimas semanas, à mando do aliado governo estadual paulista. Portanto, é bastante positivo que os estudantes não tenham aceitado a proposta do Juntos, do PSTU, da CST, do Território Livre e do Enfrentamento, coletivos que não querem dizer que o governo é golpista, fazendo assim coro com o golpe, que é um ataque aos direitos conquistados pelos trabalhadores, e comemorando a queda do governo Dilma independente de quem o tenha derrubado, que no caso foi a direita, a grande mídia e o judiciário.

Nós, do Movimento Revolucionário de Trabalhadores colocamos abertamente que quem abriu espaço para a direita avançar e encontrar o caminho do golpe, foi o próprio PT, através de suas alianças espúrias, sua política de conciliação e ataques aos trabalhadores e do fortalecimento do judiciário, das forças repressivas e dos setores reacionários contra os movimentos sociais e o povo pobre. Inclusive, durante o curso deste golpe institucional, o PT não colocou suas forças e das entidades que dirige, como CUT e UNE, para enfrentar o golpe no terreno da luta de classes, com os métodos da juventude e dos trabalhadores, com greves, piquetes e ocupações. É por isso que nós nos posicionamos contra este governo golpista do Temer ao mesmo tempo em que levantamos a necessidade da juventude e dos trabalhadores imporem uma assembleia constituinte pela via da mobilização, onde a greve geral da educação pode ser um ponto de partida dessa luta.

Nesse sentido, é urgente unificar as lutas estadualmente, nos articular através de um comando de greve estadual, para que coloquemos de pé a greve geral da educação, contra o governo golpista e os ataques vindos de todos os governos.




Tópicos relacionados

Greve das estaduais paulistas   /    Educação   /    São Paulo (capital)   /    Juventude

Comentários

Comentar