Internacional

GREVE GERAL NA FRANÇA

Greve na França uniu nas ruas os coletes amarelos, sindicatos e estudantes

A greve geral convocada pelos principais sindicatos franceses começou nas primeiras horas desta terça-feira, 05, com piquetes nos locais de trabalho, bloqueios na universidade e paralisação em setores do transporte.

quinta-feira 7 de fevereiro| Edição do dia

Centenas de milhares de manifestantes, cerca de 300 mil, segundo a CGT francesa, saíram às ruas em uma jornada de greve que confluiu com os coletes amarelos, muitos deles trabalhadores e estudantes.


Manifestantes se reúnem na Praça da Concórdia durante a greve nesta terça-feira em Paris. EFE/Ian Langsdon

A greve nacional de 24 horas e as manifestações são a primeira medida chamada pelas direções dos sindicatos para enfrentar o governo de Macron, ocorrendo em meio às mobilizações dos coletes amarelos.

Segundo os dirigentes da CGT francesa, esta é a primeira “terça-feira da emergência social” e propõem reiterar a medida a cada semana como resposta ao “grande debate nacional” organizado pelo presidente Macron. A direção dessa central sindical assegura que compartilham das reivindicações dos coletes amarelos, como o aumento do salário mínimo, a reforma fiscal, a recuperação do imposto de solidariedade sobre a riqueza (ISF), o desenvolvimento dos serviços públicos e o rechaço à repressão policial contra as manifestações.

O que é certo é que o chamado das direções sindicais à “convergência de lutas” com os coletes amarelos não tinha acontecido até agora. Enquanto sindicatos regionais, ativistas sindicais, organizações de estudantes e setores dos coletes amarelos, incluídas algumas figuras destacadas como Eric Drouet, se manifestaram e fizeram um chamado de unificar as lutas, as direções dos sindicatos só convocaram medidas isoladas.

Em várias regiões da França já aconteceram experiências comuns dos coletes amarelos e dos “coletes vermelhos” (como são chamados os trabalhadores pela cor de seus coletes que leva a sigla da organização sindical).

Nesta terça-feira, manifestações, greves e bloqueios organizados em comum pelos coletes amarelos e vermelhos aconteceram em todo o país. Muito ilustrativo dessa unidade estratégica é a experiência de Châteauroux, no Indre. Um folheto distribuído pela CGT nas vésperas do protesto dizia: “Todos juntos na greve e no protesto: no sábado, 2 de fevereiro de 2019, coletes vermelhos e coletes amarelos às 14 horas no correio Saint-Gildas, em Châteauroux. Terça-feira, 5 de fevereiro de 2019, UD CGT Indre convoca a greve e manifestação às 10 horas em Châteauroux”. O ponto de convergência entre ambos os setores era a reivindicação dos trabalhadores mais pobres e mais precarizados.

Uma terça-feira de bloqueios e manifestações

Desde a primeiras horas desta terça-feira, 05, começaram a ser vistos os primeiros sinais da jornada de luta. No mercado internacional de Rungis, na região de Paris, centenas de coletes amarelos e manifestantes com bandeiras da CGT bloquearam as entradas do mercado.

Mais de 160 manifestações, bloqueios e ações foram organizados em toda França. Em Paris e nas principais cidades se realizaram manifestações enquanto os ferroviários paralisaram o serviço de trens até as primeiras horas de quarta-feira.

A greve também ocorreu nas universidades e outros estabelecimentos educativos. O sindicato SUD chamou o pessoal “desde o jardim de infância até a universidade” para participar na greve geral contra as medidas do governo que afetam o setor e em apoio às demandas dos coletes amarelos. A Federação Sindical Unitária (FSU), a principal federação de educação, também foi parte deste dia de mobilização interprofissional.

Várias organizações de estudantes se uniram ao protesto para reivindicar contra a reforma do ensino médio, que “reforça mais do que nunca as desigualdades escolares e contra o aumento das taxas de matrícula para os estudantes estrangeiros”. Várias universidades em todo o país amanheceram bloqueadas para garantir a paralisação, incluindo a emblemática Universidade de Sorbonne, em Paris.

O governo de Macron apostou em militarizar e criminalizar as manifestações como resposta ao crescente descontento com suas medidas econômicas. A seu pedido, também nesta terça-feira, a Assembleia Nacional francesa aprovou uma lei anti-manifestação que permitirá aprofundar as medidas autoritárias do governo.


Manifestantes protestam em meio a uma nuvem de gás lacrimogêneo durante a greve desta terça-feira em Paris. EFE/Ian Langsdon

A jornada de greve desta terça-feira mostrou a possibilidade de dar uma resposta contundente, com manifestações, greves e bloqueios, apontando o melhor caminho para vencer.

Para conseguir que a convergência entre os coletes amarelos e os coletes vermelhos se converta em uma força capaz de derrotar o governo, o primeiro desafio é superar a ação das direções dos sindicatos que impõem limites, primeiro deixando passar semanas sem convocar medidas de luta e agora limitando a greve sem dar continuidade.

As experiências de auto-organização e coordenação democrática por parte da base, as decisões das assembleias que reúnem coletes amarelos e trabalhadores em greve, a ampliação das lutas, a organização dos sindicatos de greve, tudo isso começa a mostrar a possibilidade de desenvolver a potência do movimento de protesto. Na possibilidade de desenvolvimento e extensão dessas experiências, se encontra a força para impor uma derrota definitiva a Macron.




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