Internacional

SEMANA PELO FUTURO

Greve geral pelo clima: um chamado urgente por nosso futuro

No marco da semana mundial da ação climática, o PTS da Frente de Esquerda – Unidade da Argentina marchará nesta sexta-feira (27) da Praça de Maio até o Congresso para atender ao chamado da nova geração de jovens lutadores

Myriam Bregman

Buenos Aires | @myriambregman

sexta-feira 27 de setembro| Edição do dia

Estamos na Semana pelo Futuro, na qual jovens, trabalhadores e cientistas tratam de alertar e se somar a mais setores para enfrentar a crise ecológica e climática. Sai governo e entra governo, as multinacionais recebem todos os tipos possíveis de benefícios para poderem avançar na exploração do meio ambiente, destruindo nossas vidas.

Em Buenos Aires, marcharemos na sexta-feira (27) da Praça de Maio até o Congresso na chamada Greve Geral pelo Clima.

O consenso científico identifica que a economia mundial, dirigida por um punhado de ricos e Estados imperialistas, é responsável por alterar um complexo ciclo natural que levou milhões de anos para evoluir. Os cientistas apontam que desde 1880 a temperatura média da Terra subiu quase 1°C, o e a elevação da temperatura se acelera com a fase neoliberal do capitalismo. Até mesmo cientistas conservadores como o do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU reconhecem que a emissão de gases poluentes teria de ser reduzida em torno de 45% até 2030 para alcançar o objetivo de não atingir o chamado “ponto de não retorno” do aquecimento global (1,5°), que se sobrepassado, implicará no aumento do nível do mar, fenômenos meteorológicos extremos e escassez de alimentos. A gravidade do problema é muito nítida.

Mas há esperança, e é a juventude quem está mostrando o caminho. Após o chamado de Greta Thunberg, referência estudantil sueca de 16 anos, e seu movimento Fridays for Future (sextas-feiras pelo futuro) já protagonizaram três greves mundiais climáticas, a última com mais de 4 milhões nas ruas, como vimos sexta passada, enfrentando em algumas ocasiões confrontos com a repressão de governos.

Na Argentina, décadas de roubos e exploração irracional da natureza nos têm levado experienciar o drama dos agrotóxicos, o afundamento econômico de povos das cordilheiras espoliados pela mega mineração, a perseguição do povo mapuche em prol de latifundiários e de petroleiras imperialistas, os corpos enfermos vítimas da indústria poluente e o abandono dos mais pobres pelo descaso capitalista que contamina a bacia Matanza-Riachuelo. Essa é a expressão nacional da crise ecológica mundial.

Na Argentina também há lutadores que resistem há anos frente a essa prática extrativista, como as professoras dos povos que são afetados diretamente pelos agrotóxicos e químicos, as assembleias pela água de Mendonza e os garis e margaridas que enfrentam agora a importação de lixo sem controle de periculosidade. A Madygraf, sob gestão dos trabalhadores, socorreu vizinhos das Tunas devido a inundações causadas pela crise das zonas húmidas, sofreu repressão junto aos trabalhadores rurais da UTT que lutam por outro modelo agro alimentício e abriu suas portas para coletivos como “No a la Mina”.

A todos eles, agora se soma uma nova geração de jovens, injetando energia renovada às lutas socioambientais.

Frente a este cenário, o que podemos exigir dos candidatos à presidência? E àquelas que, como eu, se projetam ao Congresso? Uma medida urgente e elementar: nos debates não pode estar ausente a opinião de cada um sobre o extrativismo e a crise climática.

A nova lei de financiamentos de partidos políticos - votada pelo Cambiemos e setores do peronismo como Sergio Massa – permite que estas mesmas empresas possam sustentar diretamente a campanha de partidos tradicionais. A troco de quê? De seguir com a mega mineraria, o fracking e a contaminação em Vaca Morta (agora sob custódia do corpo policial), o agronegócio e suas infestações com pesticidas. Não por acaso, Macri e Alberto Fernández tacharam de “irresponsável” e “desmedido”, respectivamente, a decisão judicial que limita o uso de agrotóxicos a mil metros de zonas habitadas em Entre Ríos.

Setores imperialistas como a ONU e seus fóruns que não se comprometem e nem resolvem nada são impotentes na hora de fazer frente à crise da mudança climática. Não iremos conseguir nada dos parlamentos e governos sem ganharmos milhões de trabalhadores e jovens para esta enorme luta. Nossos inimigos, como Barrick, Monsanto e Chevron, grandes aliados de Macri e governadores, são muito poderosos. O movimento da juventude, junto à comunidade científica que denuncia tais fatos há anos, mostraram toda sua força se unindo em uma frente anticapitalista desde cada escola e universidade junto a povos originários, campesinos, o poderoso movimento de mulheres e a classe trabalhadora para dar uma saída de fundo a esta crise. É necessário questionar a matriz energética atual, proibindo o fracking e outras técnicas extrativistas, para avançar no desenvolvimento de energias limpas e renováveis, e que a classe trabalhadora lute por essas demandas em seus sindicatos.

A juventude que se mobilizará esta semana em vários países não deve nada a este sistema, não tem nada a perder e, em contrapartida, tem literalmente “um mundo a ganhar”. Essa também é nossa causa.

*Este artigo foi originalmente publicado na Infobae, na quarta-feira (25) de setembro.




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