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Greve geral na Coreia do Sul exige maior aumento do salário mínimo

A Confederação de Sindicatos da Coreia (KCTU na sigla em inglês), uma das duas maiores centrais sindicais do país, realizou múltiplas greves em todo o país nesta quinta-feira em protesto contra as políticas trabalhistas do governo de Moon Jae-in.

sexta-feira 19 de julho| Edição do dia

Entre várias queixas das políticas trabalhistas do governo, a central sindical colocou no centro da manifestação a desaceleração do aumento do salário mínimo por hora de trabalho do próximo ano, que não alcançará 10 mil wones (cerca de 8,50 dólares).

A central sindical, que representa cerca de 650.000 trabalhadores, organizou uma grande manifestação fora da Assembleia Nacional (parlamento) na capital do país, assim como protestos em outras cidades.

“A greve geral de 18 de julho é uma medida de emergência contra a revisão retrógrada da lei trabalhista”, disse a KCTU. “Barrar a revisão regressiva. Assegurar os direitos trabalhistas fundamentais. Abolição de postos de trabalho irregulares. Reforma dos chaebols [conglomerados empresariais que dominam todos os ramos da indústria sul-coreana, NdT]. Barrar as suspensões coletivas” complementaram desde a central.

Na semana passada, a Comissão de Salário Mínimo decidiu um aumento de 2,87% anual do salário, muito abaixo dos aumentos nos primeiros dois anos de 16,4% e 10,9% respectivamente. Após a decisão, o presidente Moon Jae-in, cujo as promessas de campanha incluem aumentar o valor a 10 mil wones nos primeiros três anos de seu mandato, pediu desculpas por não ter cumprido sua promessa.

Desde o governista Partido Democrata da Coreia, criticaram a greve e afirmaram que “ignorar o sentimento público e expressar a insatisfação de forma radical não é uma alternativa para resolver o problema”.

A greve é um golpe para o governo de Moon, que teve apoio da KCTU e da Federação dos Sindicatos da Coreia em sua campanha eleitoral. Ambas as centrais sindicais se retiraram, no início da semana, da comissão tripartite (governo, empresários e sindicatos) que analisava as reformas no âmbito da legislação tarabalhista.

Enquanto no país o número de pessoas desempregadas se encontra no nível mais alto em 20 anos, o pior desde a crise financeira asiática, como mostraram os dados do governo semana passada.

Com uma economia dependente das exportações, a Coreia do Sul está lidando com as turbulências da guerra comercial entre Estados Unidos e China, e de uma competição bilateral com o Japão.

Tokio impôs restrições aos envios à Coreia do Sul dos materiais utilizados na produção de semicondutores, uma exportação sul-coreana estratégica. Seul interpretou isso como uma represália pelas decisões da Suprema Corte que ordenam às companhias japonesas a pagar uma compensação às pessoas obrigadas a trabalhar para elas durante o governo colonial de 1910-1945 do Japão na Península coreana. Tokio definiu isso como uma questão de segurança nacional.

Nesse contexto a greve geral desta quinta-feira é outra dor de cabeça para o presidente, cujo índice de aprovação está ao redor de 45%, aproximadamente a metade comparado com os índices de abril do ano passado, quando realizou sua primeira reunião de cúpula com o líder norte-coreano Kim Jong Un.




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