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Greve e ocupação: a juventude quer arrancar seu futuro na luta

É fato que as perspectivas para a juventude são temerárias. A crise econômica que avança no país tem afetado a população de conjunto, mas o jovens em especial. Segundo dados do DIEESE, o desemprego entre jovens de 16 e 24 anos da zona metropolitana de São Paulo, por exemplo, atinge a marca de 28% em 2015, superando as de 23% de 2014.

quarta-feira 25 de maio de 2016| Edição do dia

Neste ano de 2016 certamente as coisas não melhoraram. Boa parte desses jovens, em sua grande maioria negros, encontram-se em situação de desespero, a busca de empregos dignos ou relegados ao tráfico, à violência e aos abusos policiais cotidianos na periferia.

Aos que buscam um ensino técnico ou superior como saída para a situação em que se encontram também não está fácil. Desde o início do mandato do governo de Dilma, do PT, houve um corte de mais de R$ 13 bilhões na educação, atingindo o Fies, ProUni (mesmo enriquecendo os grandes barões do ensino endividando muitos estudantes), Pronatec e os repasses para os governos.

Agora, com o novo governo golpista de Temer, as perspectivas são de piora. O atual ministro da educação, nomeadamente reacionário, já declarou seu desejo de cobrar mensalidades nas universidades públicas, em menos de uma semana houve suspensão do repasse do Fies e ProUni para 7 faculdades e o principal programa do governo prevê um dos maiores ataques à educação dos últimos tempos, onde se lê a proposta de "acabar com as vinculações constitucionais estabelecidas, como no caso dos gastos com saúde e com educação". Esta última significa na prática que o poder executivo poderá limitar os gastos com educação e saúde a seu bel-prazer.

Nas escolas de todo o país a situação talvez seja ainda mais crítica. Todos os governos tentam contingenciar os gastos públicos e as escolas tem sido afetadas, sem contratar professores, com baixíssimo investimento em infra-estrutura e buscando a saída da privatização através das chamadas ’organizações sociais’ fazendo parte da administração escolar.

Mas desde o ano passado está havendo um verdadeiro levante da juventude, primeiro de secundaristas, que se soma esse ano aos universitários das estaduais paulistas, que coloca em cheque esse projeto de precarização e privatização, espalhando ocupações pelo país e questionando profundamente suas direções autoritárias e os projetos dos governos.

O movimento estudantil está se erguendo

Ocupar escolas fincou uma tradição de luta no Brasil. Só no estado do Rio Grande do Sul são cerca de 150 ocupadas, que lutam contra a situação de extrema precariedade do ensino. A última conta no norte do país, no Ceará, chegava a mais de 40 escolas. No estado do Rio de Janeiro, que foi a vanguarda do processo esse ano chegando a 71 ocupações, já passam meses ocupados, onde os estudantes secundaristas vem resistindo a profunda violência policial e de grupos de direita chamados “desocupa” que vem tentando desocupar as escolas a força.

Em SP, depois das 200 escolas ocupadas no ano passado que derrotaram o governador Geraldo Alckmin (PSDB), este ano os estudantes voltaram a ocupar suas escolas na luta pela direito a merenda também sofrendo sistemática repressão policial, e das desocupações forçadas. Recentemente a onda de ocupações chegou ao Paraná, em Maringá, e enquanto escrevemos este texto, nessa terça-feira, ficamos sabendo da primeira escola ocupada no Mato Grosso do Sul. Em Goiás, onde houve um forte levante secundarista ano passado contra a privatização das escolas, este ano o movimento segue saindo às ruas contra o governador Perillo, também do PSDB.

Ao mesmo tempo, estoura uma forte greve nas três universidades paulistas (juntas representam mais de 50% da pesquisa em todo o solo brasileiro), que incorpora o método de ocupação dos secundaristas. Com a reitoria ocupada na Unicamp (e cursos como engenharia e medicina paralisando), diversas faculdades ocupadas na USP, como a Letras, ECAe a História. Nesses processos a luta por educação se combina a revolta da juventude contra o governo golpistas e suas diversas expressões de direita.

No Rio de Janeiro combina a ocupação de secundaristas a greve de professores e a greve da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), processos que se enfrentam com a enorme precariedade do estado, sede da copa do mundo, e que tem suas universidades e escolas sem o mínimo que é a limpeza, já que pela falência do estado não há repasse para garantir os trabalhadores da limpeza. Essas greves duram meses, com a contradição das direções governistas da UERJ que impedem que os processos se unifiquem, ao mesmo tempo que não organiza a base dos cursos.

No extremo sul do país, na divisa com o Uruguai, distintos campi da UniPAMPA estão neste momento ocupados contra a demissão de funcionários terceirizados e os cortes na federal. No RS existem uma série de contradições, onde as direções das escolas estão tentando conter o movimento por vias que vão desde a repressão direta com a polícia e ameaças até direcionando o movimento de forma que as ocupações sejam parciais e controladas. Mas o tamanho dos ataques por parte do governador Sartori (PMDB) são tão grandes que a perspectiva é se extender o conflito

A juventude Faisca que dirige o centro acadêmico de serviço social da UERJ está na frente da luta contra essa direção rotineira, organizando cortes de rua unificados de universitários e secundaristas. Esse é um exemplo das ações que a juventude Faísca que vem atuando para construir um movimento estudantil combativo e político, tanto na Unicamp como na USP e UNESP a luta política com a esquerda e o governismo para romper a lógica que separa a pauta imediata, dos grandes objetivos históricos, que no caso atual é unificar as lutas por educação em uma grande batalha contra o governo golpista e sua linha neo liberal e repressiva.

Confluir as lutas contra o governo golpista e contra os cortes na educação

O movimento estudantil precisa romper qualquer separação que exista entre as pautas imediatas da greve com o papel que esses processos podem cumprir na crise nacional, de apontar uma perspectiva política que seja independente dos partidos desse regime podre. Assim como romper qualquer corporativismo e unificar os processos de luta por educação, mas também apoiando as greves de trabalhadores, que hoje são dos maiores atingidos pelos ajustes e o desemprego.

Para isso existe uma luta política fundamental dentro da juventude, com a funcionalidade à direita do PSTU e setores do PSOL, que reivindicam a lava jato, como se esta pudesse trazer qualquer avanço para os trabalhadores, e por um lado com o governismo da UJS e mesmo do Levante, ambos anunciaram que fariam luta contra o governo golpista, contudo não falam sobre as ocupações e greves, chamam atos separados e contribuiu com essa política para impedir que a juventude desenvolva sua luta, querendo desviar para um “volta Dilma”, sem falar de todos os cortes que o PT realizou, principalmente na educação do FIES, Pronatec e na precarização das Universidade federais, nem tão pouco como foi o PT que abriu espaço para fortalecer essa direta no governo.

É fundamental nesse momento onde vários processos vem surgindo, exigir da UNE que rompa com a sua subordinação o Petismo e coloque seu peso nacional a serviço de unificar as lutas e confluir os processos contra o golpista Temer e em defesa da educação. Da mesma forma que fazer um plano de lutas que prove que a juventude não vai recuar e nem vai aceitar a repressão que os governos tem imposto para tentar calar o movimento.

Os estudantes em luta podem vencer, se articular e ampliar sua luta, esse domingo teve uma primeira iniciativa chamada na ocupação de reitoria da Unicamp de um encontro estadual dos estudantes em luta, onde das principais resoluções esta a necessidade de um comando de greve estadual tirado com representantes das três estaduais paulistas e articulação com secundaristas, para que expresse cada demanda, e construa um movimento democrático onde todos podem ser sujeito da luta. No próximo dia 3 de junho esta sendo convocado um dia de mobilização nacional, aprovado no encontro estadual de estudantes, em defesa da educação, contra os ataques dos governos e a repressão, como primeiro passo dessa unidade na ação das luta por educação.




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