PROFESSORES EM LUTA

Greve dos professores continua no Rio Grande do Sul e segue com apoio popular

Enquanto Temer consegue se apoiar na traição das centrais sindicais para conseguir uma desmoralização da classe trabalhadora para descarregar ataques nas costas dos trabalhadores sem que haja luta, a greve dos professores no Rio Grande do Sul, construída com forte apoio da comunidade, pode ser um exemplo para todo o país e mostra a importância dessa luta ser vitoriosa.

segunda-feira 18 de setembro| Edição do dia

Enquanto no resto do Brasil avança uma ofensiva da direita, com a vitória de Temer na câmara, a aprovação da reforma trabalhista e a militarização do Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul essa tendência não se desenvolve. Mais do que as sucessivas derrotas dos ataques de Marchezan em Porto Alegre, a greve dos professores dá mostras de que parte do estado segue mobilizada. A greve dos professores chega a quase 20 dias e muitos setores populares seguem demonstrando cada vez mais apoio.

Após o vigésimo parcelamento de salário por parte do governo estadual, quando viram a mísera quantia de 350 reais sendo paga, os professores do Rio Grande do Sul deflagraram greve por tempo indeterminado contra o governador José Ivo Sartori (PMDB). A greve segue ganhando apoio massivo por parte da população e mantém uma adesão bastante alta por parte dos educadores.

Desde antes mesmo de deflagrada em assembleia, a greve já vinha sendo posta em prática à revelia da vontade do sindicato. Trata-se, sem dúvida, de um elemento centralmente importante na greve dos professores o fato de que vem sendo construída com o envolvimento de muitos setores de base. Muitas escolas já se achavam completamente paralisadas desde antes do dia 5, quando o sindicato deflagrou a greve, tendo realizado assembleias e votado paralisar. Em muitas cidades as reuniões de seus respectivos comandos de greve seguem enormes, envolvendo, geralmente, uma quantidade de educadores muito maior do que a que se via na greve de 2015.

Mas para além do grande envolvimento dos próprios professores, chama a atenção o grande e crescente apoio que vem sendo dado a partir da comunidade. Muitos alunos, principalmente, têm apoiado a greve, inclusive realizando mobilizações de apoio. Hoje, por exemplo, dois bairros operários de Caxias do Sul relizaram atos, envolvendo alunos e a comunidade, saindo em caminhada na defesa dos professores. No dia 11, na mesma cidade, um grande ato unificado entre professores e estudantes ocorreu em apoio à greve.

A despeito da brutalidade dos ataques que os professores vêm sofrendo por parte do governo do estado, da força e da adesão da greve e do massivo apoio popular que esta vem gerando, a grande mídia tradicional do estado segue se posicionando de maneira abertamente contrária aos trabalhadores. Se, recentemente, classificou como estando "além do aceitável" o protesto dos professores (e lamentou o preço que o governador terá de pagar para consertar um vidro quebrado no ato em questão- enquanto não lamenta os milhões anuais deixados de arrecadar com a isenção fiscal de que goza a RBS), agora o alvo é justamente a grande adesão da greve.

Segundo dados da Seduc, veiculados pela grande mídia gaúcha, 40% das escolas estariam sendo afetadas pela greve com falta total ou parcial de aulas. Na realidade, embora seja muito difícil de precisar qual o número exato de escolas paralisadas (e a Seduc certamente não tem acesso a esse número) é necessário deixar claro que as escolas não são "afetadas" pela greve, mas sim pelos ataques do governador Sartori que insiste em pagar salários miseráveis aos educadores enquanto mantém uma série de privilégios e isenções às grandes empresas do estado. Como se não bastasse, o governador ainda pediu afastamento temporário do cargo sob a alegação de stress, deixando claro que não vai dialogar com os educadores enquanto os ataca.

Fato é que a greve continua: e continua com força e adesão de setores populares. Na próxima quinta-feira haverá uma reunião entre o comando de greve estadual e a Seduc, que poderá ser fundamental para o futuro da luta. É necessário que a direção do CPERS abra as portas do comando, mobilizando o máximo de professores possível para essa reunião, como forma de pressionar o governo do estado. Do mesmo modo, é necessário que a direção do CPERS construa, com todas as forças que puder, um grande ato unificado, para continuar levando a luta dos educadores ao encontro de toda a população do estado. É necessário cercar de solidariedade a luta dos professores: a greve dos professores do RS é a luta de todos os trabalhadores!




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