Mundo Operário

DIA 1 DA GREVE

Greve dos correios começa forte e unificada nas bases mais importantes

Os trabalhadores dos correios mostraram sua insatisfação com o descaso da empresa e do governo com suas condições de trabalho e salário e começaram a greve com força apesar dos limites colocados pelas direções dos sindicatos. Falta organização pela base e buscar aliança com a população e outras categorias

quinta-feira 17 de setembro de 2015| Edição do dia

As assembleias de São Paulo, Campinas, Vale do Paraíba, Bauru e São José do Rio Preto, todas no estado de São Paulo, e do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Brasília, Santa Catarina, Amazonas, Pará, Maranhão, Ceará, Paraíba, Piauí, Sergipe, Tocantins e Mato Grosso decidiram por rejeitar a proposta de Acordo Coletivo oferecida pela empresa e deram início a luta.

Isso aconteceu porque, apesar das diversas reuniões de negociação, a ECT insiste em fazer alterações no já sucateado convênio médico, chegando ao cúmulo de sugerir cobranças de mensalidade por este benefício com um alto desconto na folha de pagamento. Numa categoria em que as condições precárias de trabalho provocam todo o tipo de doença ocupacional, e ainda que conta com baixos salários em um país onde a saúde é tratada como mercadoria de luxo, um acordo deste tipo implica em um ataque profundo às condições de vida dos trabalhadores e de nossas famílias.

Além disso, a proposta salarial previa apenas uma gratificação ao invés de reajuste, num ano cuja inflação diminui o nosso já baixo poder de compra mês a mês. A empresa também ignora a realidade da população e dos trabalhadores, que são prejudicados com um enorme déficit de funcionários, gerando atraso nas entregas, excesso de trabalho pra todos, e que leva constantemente a que a contratação de trabalhadores terceirizados, temporários e cujas condições de trabalho são ainda mais rebaixadas.

Ainda assim, a estatal tenta a todo custo nos convencer de que os trabalhadores em greve são os intransigentes, e apela para que colaboremos frente à situação de crise do país. Mas realidade é exatamente o oposto. A empresa está intransigente em nos atacar. Mais do que isso, dizer que nós é que devemos abrir mão de nossas condições de vida para compensar uma crise que os empresários e políticos criaram é de um cinismo sem tamanho. A ECT também não propõe diminuir os enormes salários e gratificações de sua alta cúpula, nem discute com os trabalhadores e a população se preferem garantir as entregas e as condições de vida ou verem o logo dos Correios renovado e aparecendo na TV, e nos mega eventos musicais e esportivos.

Todo este cenário levou os trabalhadores a luta, que pode ser uma das mais importantes dos últimos anos. No entanto, infelizmente os trabalhadores não precisam enfrentar apenas o governo e a direção da ECT. Muitas vezes o que limita a potencialidade da greve são as próprias direções sindicais. A campanha salarial começou com a promessa das duas federações ecetistas de construir uma greve unificada, mas foi traída logo de cara principalmente pelas direções ligadas a CUT/PT, que decidiram defender descaradamente o governo Dilma e a empresa e aceitar a proposta mesmo sendo em nada condizente com a pauta dos trabalhadores.

Por outro lado, mesmo nos sindicatos que estão na luta, não existe uma preocupação em expressar de forma organizada e contundente o descontentamento generalizado que existe na base, coisa que seria possível com um comando nacional de delegados eleitos na base em cada unidade para garantir uma grande e massiva mobilização.

Outra questão que os sindicatos deveriam se responsabilizar em garantir é a busca de apoio de outras categorias, centrais sindicais, movimentos sociais e de juventude, enfim, aglutinando toda a força e solidariedade da população para que não seja apenas uma batalha isolada da categoria, mas uma batalha e um exemplo pra classe trabalhadora de que se nos organizarmos conjuntamente podemos vencer. Para isso, é fundamental que o máximo de carteiros esteja presente na manifestação nacional do dia 18 em São Paulo, que vai reunir milhares de trabalhadores de todo o país contra o governo e a direita. É fundamental fazer pesar a greve dos correios nesse dia e conseguir um apoio ativo à nossa luta.




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