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Grécia: protestos em campos de refugiados e ações da extrema direita

Depois do incêndio do campo de refugiados de Moira, cresce a tensão entre os refugiados e grupos de extrema direita. A situação dos refugiados na Grécia é critica.

quarta-feira 21 de setembro| Edição do dia

O prefeito da ilha grega de Lesbos, Spyros Galenós, denunciou nesta teça feira que grupos de ultradireita tentam provocar uma “explosão de violência na ilha”. “Grupos de extrema direita, em cooperação com personalidades locais de alguns partidos democráticos, alimentam constantemente a tensão. Tenho medo de que desejem provocar o caos na ilha”, destacou.

“A sociedade local, a partir desse verão, está sendo bombardeada por uma terrível propaganda de medo, racismo e xenofobia” ressaltou Galenós. Palavras que chamam a atenção vindo de um integrante do partido conservador e xenófobo Anel, aliado do governo de Syriza.

Durante os últimos dias houve protestos racistas por parte de alguns habitantes de Lesbos contra os refugiados, acompanhadas de ações violentas de militantes de extrema direita da organização Amanecer Dorado contra voluntários.

A crise se transformou em episódios como o incêndio do campo de refugiados de Moira, que arrasou com todas as tendas de campanha e levou a que milhares de pessoas fugissem do campo, enquanto o fogo se propagava empurrado pelo vento.
Segundo os meios, antes do incêndio no campo de Moria se produziram distúrbios após o rumor que havia deportações em massa a Turquia. Isso fez explodir a tensão entre os refugiados, o que implicou mais tarde no fogo.

Os dois centros de acolhimento de Lesbos, o de Moria e o de Kará de Tepé tem uma capacidade total para acolher de 3.500 pessoas, enquanto que, segundo os dados oficiais de hoje, na ilha há 5.708 refugiados.

Similar é a situação na ilha de Quíos (3.726 refugiados para tão somente 1.100 vagas), de Samos (1.513 para 850 vagas disponíveis) e de Kos 1.714 refugiados para 1.000 praças disponíveis).

As demandas por asilo estão praticamente paralisadas para os milhares de refugiados abrigados na Grécia desde que se firmou o pacto com Turquia, provocando uma situação desesperadora nos campos sem condições mínimas de salubridade, onde se multiplicam enfermidades contagiosas, violações de mulheres e agressões entre os mesmos refugiados.

O incêndio em Moria expõem de forma brutal uma situação insustentável para os refugiados na Grécia. As precárias tendas onde dormiam arderam por inteiro, e milhares de pessoas amanheceram à intempérie. Todos os refugiados foram transferidos para outros centros. Ente eles se encontram 150 menores não acompanhados.

A polícia grega deteve uma dezena de refugiados, acusando-os de causar o incêndio e os distúrbios dentro do campo. Segundo as autoridades, se produziram os protestos quando era repartida a comida e houve enfrentamentos entre grupos de refugiados de diferentes nacionalidades. Mídias locais informaram que durante a noite a polícia cercou e impediu a passagem de uns 300 refugiados que tentavam abandonar a ilha.

Grupos de voluntários e organizações solidárias com os refugiados denunciam as condições desumanas em que se encontram milhares de homens, mulheres e crianças, presos na Grécia sem poder avançar até a Europa e com a ameaça de serem deportados a Turquia, em condições completamente precárias, insalubres e humilhantes.




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