Internacional

EL CIRCULO ROJO

Grandes indústrias farmacêuticas e pandemia: quem paga a vacina para o coronavírus?

Enquanto a crise pelo coronavírus se mantêm, muito se fala da possibilidade de que uma vacina seja criada rapidamente. Como as grandes indústrias farmacêuticas se aproveitam para terem lucros enormes?

quinta-feira 14 de maio| Edição do dia

Na coluna sobre notícias internacionais, do programa de rádio “El círculo Rojo”, Diego Sacchi conta como as indústrias farmacêuticas tiram proveito para terem lucros milionários.

A maioria das indústrias farmacêuticas estão na disputa para conseguir a vacina: Pfizer, J&J, Gilead dos EUA, Roche e Novartis da Suiça, Sanofi da França, Merck e Bayer da Alemanha.

Nessa indústria que move milhões, o top 10 das grandes farmacêuticas ganhou 392 bilhões de dólares em 2019 (o suficiente para pagar a dívida externa da Argentina e ainda sobrar dinheiro).

Neste ano, as ações da Gilead cresceram 20% depois do anúncio de estudos clínicos para a cura do Covid-19. O valor bursátil da Inovio Pharmaceuticals crescia 200% por conta da vacina experimental. Os títulos da Alpha Pro Tech, fabricante de máscaras, cresceram para 232%. Enquanto a ação da Co-Diagnostics ganhava 1370% graças ao seu kit de diagnóstico molecular.

Esses grandes laboratórios estão listados na corrida para ficarem com os fundos que os governos investem para investigar uma possível vacina e tratamentos, por exemplo, os 8 bilhões anunciados por Trump e também os montantes milionários anunciados pela França, Alemanha e outros países da Europa.

A verdade é que nisso de tirar proveito do investimento público é também um negócio habitual para a indústria farmacêutica.

De acordo com o jornalista do New York Times, Gerard Posner, desde a década de 1930, o Serviço Nacional de Saúde dos EUA investiu cerca de US $ 900 bilhões (o que equivaleria a dois PIB argentinos) em estudos que as empresas farmacêuticas usam para depois patentear medicamentos como próprias.
Esse dado é pouco apontado pelos "liberais" que sempre reclamam dos subsídios do Estado, por exemplo, aos trabalhadores desempregados, mas eles não falam sobre esses números escandalosos dedicados a subsidiar empresas em um ramo que, como vimos, têm grandes lucros.

Outro dado é que cada medicamento aprovado pela Food and Drug Administration, entre 2010 e 2016, fes pesquisas científicas financiadas por dólares de impostos através do serviço de saúde dos EUA segundo o que o grupo Patient Accessible Drugs apontou. As empresas se beneficiaram de cerca de 100 bilhões de dólares que o Estado investiu nas pesquisas.

Um exemplo é o Remdesivir, para o qual a empresa Gilead recebeu financiamento estatal nos Estados Unidos. Esse medicamento, que nunca foi aprovado ou comercializado, foi criado contra o Ebola e agora está sendo produzido novamente para o Covid-19 e estima-se que possa gerar lucros de US $ 4.500 por paciente.
Sem titbear, David Loew, vice-presidente executivo da empresa francesa Sanofi Pasteur, disse que os governos precisam de um compromisso rápido totalizando "bilhões" de dólares para as compras das vacinas experimentais mais promissoras. Os Estados financiam e as empresas contam seus lucros.

Mas, dada a magnitude da crise, é mais racional pensar se não é hora de inverter a equação, deixando de colocar todos os recursos nas mãos de poucos empresários e centralizando e nacionalizando o sistema de saúde, colocando-os a serviço da grande maioria.

Texto originalmente publicado em La Izquierda Diario.




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