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Grande triunfo de Corbyn nas internas trabalhistas

Jeremy Corbyn se impôs com 61,8% dos votos sobre seu opositor Owen Smith, que obteve 38,2%. O líder trabalhista reeleito aumentou sua porcentagem de votos e se fortalece na base partidária.

Alejandra Ríos

Londres | @ale_jericho

segunda-feira 26 de setembro| Edição do dia

Na conferência do Partido Trabalhista (PT) se anunciou às 12h, hora local, o resultado da eleição interna. Nesta ocasião votaram 80 mil pessoas a mais que em setembro de 2015, e Corbyn se impôs nas três categorias de votantes: filiados, simpatizantes e membros de organizações e associações filiadas ao partido. Corbyn obteve 61,8% dos votos enquanto seu opositor Owen Smith, conseguiu 38,2%.

Os resultados mostram que Corbyn alcançou 59% entre os membros do PT, 70% entre os simpatizantes e 60% entre os membros de organizações filiadas. Estas cifras refletem as mudanças que atravessam o PT, já que, por um lado, existe uma franja de ex-membros – que havia se desfiliado durante a direção de Tony Blair – que voltaram a ingressar no partido logo após a eleição de Corbyn como líder há um ano atrás. Por outra parte, Momentum, a plataforma em defesa de Corbyn, conseguiu conservar sua dinâmica apesar da campanha ‘Salvar o Trabalhismo’ (Saving Labour) e suas intenções de deslegitimar Corbyn. Em setembro de 2015 Corbyn obteve 84% de votos entre os simpatizantes, mas nesta ocasião obteve 70%; segundo alguns analistas, muitos ‘simpatizantes’ de 2015 se transformaram em ‘membros do PT’, outros foram desconsiderados e uma porcentagem se desanimou frente à imposição de um pagamento de 25 libras esterlinas para registrar-se.

A plataforma Momentum conta com milhares de ativistas de todas as idades, mas com uma clara “nova leva” de jovens que impulsionaram campanhas regionais em vários pontos do país e organizaram atos públicos, mesas em bairros populares, difusão em redes sociais e centrais telefônicas para comunicarem-se com o padrão partidário.

O vice de Corbyn, John McDonnell, e “chanceler nas sombras” (gabinete paralelo do partido que se encontra na oposição) declarou que se tratava de uma vitória “extraordinária” dadas as circunstâncias. Assinalou “Jeremy [Corbyn] aumentou seu caldo eleitoral, o que é verdadeiramente extraordinário” e recordou que se trata de uma disputa muito dura na qual 130 mil membros foram desconsiderados, e que, se houvesse permitido votar, Corbyn teria aumentado sua porcentagem em sete ou oito por cento. Se bem indicou que haveria um debate sobre a possibilidade de convocar eleições internas para eleger o “gabinete na sombra”, fez um chamado à unidade do partido.

David Prentis, secretário geral do Unison, e Len McCluskey, secretário do Unite, dois dos maiores sindicatos do país, difundiram mensagens de apoio nas redes sociais. Prentis declarou que Corbyn havia ganhado porque havia conquistado o imaginário dos membros do partido, que encontraram inspiração em suas promessas de pôr fim à austeridade, resolver o estado calamitoso dos serviços públicos e construir uma economia diferente. Por sua parte, McCluskey, disse que os deputados trabalhistas teriam que unir-se e apoiar Corbyn e pôr fim aos ataques, camarilhas de corredor e golpes partidários. Agregou que esta interna era desnecessária e era hora de organizar a oposição ao governo conservador. Enfatizou que era hora de unir seus talentos políticos para enfrentar os tories em vez de lutar uns contra os outros.

Tweet de David Prentis

Tweet da UNITE

Não obstante, e apesar do bom resultado de Corbyn, não se podem ignorar os desafios que enfrenta o Partido Trabalhista: superar as divisões internas e apresentar-se como uma oposição crível.




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