Internacional

CONFLITO COM COOPERATIVISTAS MINEIROS

Grande tensão na Bolívia pelo assassinato de um vice-ministro

O governo boliviano confirmou nesta quinta à noite a morte de um vice-ministro que se encontrava “detido” por cooperativistas mineiros. Um dia antes, dois cooperativistas foram assassinados pela polícia.

sexta-feira 26 de agosto| Edição do dia

O ministro de Governo da Bolívia, Carlos Romero, confirmou nesta quinta-feira à noite que o vice-ministro de Administração Interna e Polícia, Rodolfo Illanes falecera enquanto encontrava-se “detido” pelos mineiros cooperativistas que estão em conflito com o governo. Romero disse em coletiva de imprensa que tratou-se de um ato criminoso sem precedentes, que Illanes “foi covarde e brutalmente assassinado” e que estavam ocorrendo negociações “para que nos entreguem o corpo”.

O assassinato de Illanes ocorreu logo após chegar a conhecimento que um terceiro cooperativista mineiro fora morto, também nesta quinta, resultado da repressão policial, e que já havia matado dois deles durante os enfrentamentos que ocorreram na quarta-feira.

Oficial “detido”

Romero já confirmara nesta quinta-feira à tarde que o vice-ministro Illanes fora “sequestrado” na região de Panduro pelos mineiros cooperativistas, enquanto estes últimos disseram que ele estava “detido”.

Romero declarou na tarde de quinta, durante uma coletiva de imprensa na cidade de La Paz que “o Vice-ministro (Rodolfo) Illanes, que se encontrava na região de Panduro, foi ‘sequestrado’ por cooperativistas mineiros e que ameaçavam começar a torturar”.

O Vice-presidente da Federação Nacional de Cooperativas Mineiras (Fecomin), Augustín Choque, por sua vez, afirmou que Illanes não fora sequestrado, e sim detido.

Segunda a agência Reuters, no início da noite uma rádio local foi a primeira a confirmar “pudemos ver de perto que o vice-ministro Illanes estava morto (...) os companheiros cooperativistas nos informaram que falecera por golpes”. No entanto, nem o governo nem o procurador-geral da Bolívia tinham confirmado até a coletiva de imprensa de Romero.

A origem do conflito com os cooperativistas mineiros

Os mineiros cumpriram nesta quinta seu terceiro dia de cortes de rodovia de uma lista de bloqueio de 10 pontos. Entre as demandas dos cooperativistas está a concessão de mais áreas para exploração, a flexibilização das normas ambientais, ter autorização para associar-se com empresas privadas e tarifas preferenciais de energia elétrica, entre outros pedidos.

O conflito explodiu após a promulgação da Lei de Cooperativas Nº823, que permite a sindicalização de trabalhadores destas entidades, sem incluir as mineradoras. De todo modo, a Federação de Cooperativas Mineiras (Fencomin) a rechaçou e iniciou uma série de bloqueios que terminaram na quarta-feira com uma brutal repressão policial que deixou dois mineiros cooperativistas mortos, dezenas de feridos e 31 detidos.

Dirigentes da Federação anunciaram que aumentariam as medidas de pressão, indignados pela morte de seus companheiros. Esta situação se acirrou na quinta quando se soube da morte de um terceiro cooperativista.

Este conflitivo cenário, no qual a patronal cooperativista se enfrenta pela primeira vez com o governo, depois de anos de concessões e benefícios, foi propiciado pelo mesmo Movimento Ao Socialismo (MAS) que potenciou de grande maneira estas cooperativas que são praticamente empresas privadas. Embora a mobilização do setor cooperativista mineiro surja como uma resposta reacionária ante uma Lei que o que se habilita é o direito à organização sindical, concretamente para as cooperativas de serviços muitos dos que participaram dos enfrentamentos com a polícia foram operários e peões. A medida demagógica lançada pelo governo em um gesto de “compensar” as diligências totalmente anti-operárias, como foi o fechamento da empresa ENATEX, que deixou nas ruas mais de 800 famílias, hoje o coloca enfrentando um setor que sempre lhe deu concessões.




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