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TRABALHO INFANTIL

Governos ocultam novos dados sobre trabalho infantil desde 2017

Os dados de 2017 e 2018 estavam programados para divulgação para junho de 2019, mas passaram para novembro, depois março de 2020 e agora deve acontecer em junho, já trazendo os dados de 2019.

terça-feira 21 de janeiro| Edição do dia

Desde 2017, o IBGE não divulga dados sobre o trabalho infantil no Brasil. Em 2016, o ano em que houve o último levantamento, o instituto mostrou que essa realidade que assola vidas de crianças brasileiras era de 2,3 milhões.

Os dados de 2017 e 2018 estavam programados para divulgação para junho de 2019, mas passaram para novembro, depois março de 2020 e agora deve acontecer em junho, já trazendo os dados de 2019.

Já em 2017, uma polêmica foi debatida. O IBGE mostrou que havia 1,8 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalhando, e esse número estava muito discrepante (66% menor) dos 2,7 milhões de 2015. O que aconteceu foi que a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) modificou os parâmetros sobre o que é considerado trabalho, foram desconsiderados crianças e adolescentes que "trabalhavam para o próprio consumo". Com a inclusão dessas crianças e adolescentes, o número subiu para 2,3 milhões.

No fim do ano passado, Bolsonaro fez declaração asquerosa em live no facebook, dizendo que trabalhou colhendo milho aos 9, 10 anos e não teve problemas por isso, além de dizer o que o trabalho "dignifica o homem e a mulher, não interessa a idade".

Essa declaração abominável de Bolsonaro é acompanhada pelos dados do Ministério da Saúde, que diz que entre 2007 e 2018, 261 crianças morreram trabalhando. Isa Oliveira, secretária-executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), disse ao jornal O Globo que "cerca de 28% do trabalho infantil que ocorre na América Latina estão no Brasil".

Bolsonaro e a corja da extrema-direita querem destruir qualquer perspectiva de futuro, querem destruir a infância. É um absurdo que dados sobre trabalho infantil não sejam divulgados, essa omissão faz coro com os milhões de desempregados, em sua maioria jovens entre 18 e 24 anos, ou jovens precarizando suas vidas em trabalhos como Rappi, enquanto o que de fato deveria ser garantido às crianças é o direito à educação e à brincadeira.




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