Governo não paga salário e profissionais da saúde se manifestam: "temos contas para pagar"

Com uma fila em frente à sede do Ministério da Saúde, na Esplanada dos Ministérios, e mantendo o distanciamento, exibiram cartazes com frases de protesto, representando boletos e com dizeres como "Não somos super-heróis, temos contas para pagar", expressando necessidades urgentes como comer e pagar o aluguel.

segunda-feira 11 de maio| Edição do dia

Em meio à pandemia, a absurda falta de pagamento dos salários levou a uma paralisação nessa manhã (11) em Brasília, com um novo protesto silencioso de profissionais da saúde, que estão na linha de frente da batalha contra o coronavírus.

Além de enfrentar as condições precárias, falta de EPIs, respiradores e insumos básicos, esses profissionais ainda têm que enfrentar o atraso dos salários. Os residentes (médicos e outras especialidades) estão sem receber salários há dois meses, em todo o país. A manifestação foi organizada pelo Fórum Nacional de Residentes em Saúde (FNRS).

Com uma fila em frente à sede do Ministério da Saúde, na Esplanada dos Ministérios, e mantendo o distanciamento, exibiram cartazes com frases de protesto, representando boletos e com dizeres como "Não somos super-heróis, temos contas para pagar", expressando necessidades urgentes como comer e pagar o aluguel. Muitos profissionais são de outros estados e não têm mais recursos para se manter, muitos nem para comer.

Em meio à pandemia do coronavírus, chegou a ser anunciado em 30 de março uma bonificação de 20% nas bolsas de todos os residentes da área de saúde do país. Mas ficou apenas no anúncio mesmo. Os residentes afirmam que o dinheiro não está sendo recebido, trabalham 60 horas semanais há dois meses sem receber um centavo.

Segundo o Ministério da Saúde o problema ocorreu em 4.199 mil bolsas por conta de "inconsistências em dados de cadastro" e que a situação será normalizada até 15 de maio, mas sabemos que enquanto a ladainha imunda é ecoada, os profissionais da saúdem seguem expostos ao vírus nos locais de trabalho, amargando as condições precárias e a falta de salários.

Leia mais: Contra os ataques de Bolsonaro e seus capangas, lutar em defesa dos profissionais da saúde!

Trabalhadores do Hospital Universitário (HU) da USP também protestam

Para amanhã, dia 12 de maio, no dia internacional da enfermagem, os trabalhadores do HU da USPorganizaram a realização de uma homenagem a todos os trabalhadores da saúde que foram vítimas de Covid-19. No Brasil, essas mortes já ultrapassam as da Espanha e da Itália juntas. A ação também denunciará as condições precárias de trabalho, com falta de EPIs e a não liberação do grupo de risco, além de exigir contratações emergenciais e garantia de direitos iguais para todos os trabalhadores.

Essa homenagem será às 13h15 na entrada do HU, com balões brancos e pretos simbolizando os mortos e com suas faixas remarcando suas demandas. Também farão um minuto de silêncio como símbolo da unidade da nossa classe nessa batalha.

Sobre a homenagem: Trabalhadores do hospital da USP farão homenagem pelo dia internacional da enfermagem

De um lado, temos os bolsonaristas, apoiando cada vez mais no discurso militarista, atacando covardemente os enfermeiros. Do outro, não estão os governadores, o judiciário, o congresso! Estão os próprios trabalhadores da saúde, com seus próprios instrumentos de organização e denúncia, defendendo condições adequadas para trabalhar e salvar vidas, apoiados pelas mais diversas categorias, desde metalúrgicos até professores.

Nós do Esquerda Diário e do MRT estivemos e estaremos lado a lado de cada uma dessas ações dos trabalhadores da saúde, em total solidariedade às famílias que já perderam entes queridos e àquelas que estão vivendo diariamente a angústia de enfrentar desarmadas uma guerra contra um vírus (guerra que mal esconde sua origem capitalista) buscando construir uma mídia militante e promover a organização e a ação dos trabalhadores com total independência de classe.




Tópicos relacionados

trabalhadores da saúde   /    Coronavírus   /    Saúde Pública   /    Ministério da Saúde   /    Saúde

Comentários

Comentar