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Governo golpista corta verbas para as Olimpíadas Nacionais de Conhecimentos Escolares

Em meio a comemorações das Olimpíada de esportes no Rio, estudantes das escolas públicas são impedidos de competir nas Olimpíadas Escolares do Conhecimento

quinta-feira 11 de agosto| Edição do dia

Enquanto a Rio-2016 concentra os holofotes de toda sociedade brasileira, as Olimpíadas Escolares de Conhecimento – de Matemática, Astronomia e História, entre outras – sofreram corte de verbas de até 50%. Para mostrar à classe trabalhadora que tentam manter os alunos dos ensinos fundamental e médio competindo em alto nível, os organizadores desses eventos argumentam que estão procurando formas de cortar gastos e buscar patrocinadores alternativos para manter os custos desses eventos o mais baixos possíveis aos cofres públicos. Essa, pelo menos, é a fala oficial do governo, mas é evidente que este é mais um ataque da burguesia contra os estudantes das escolas públicas.

Sendo a maior competição do gênero no Brasil, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), que neste ano terá a participação recorde de 18 milhões de alunos de 47 mil escolas espalhadas pelo país, é financiada pelo Instituto Nacional de Matemática Aplicada (IMPA). Esse evento custa atualmente R$ 53 milhões aos cofres públicos – 60% do orçamento do instituto, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Porém, neste ano, o IMPA ainda não recebeu nenhuma parte dos recursos previstos (veja a notícia do jornal O Globo).

Aprovados para Olimpíada Internacional de Astronomia, muitos alunos perderam apoio público para seguir na Olimpíada escolar. Além da competição, a OBMEP também tem cursos de formação e capacitação para professores de Matemática, que neste ano sofreram com a redução de custos. Um dos programas, feito a distância, deixou de pagar ajuda de custo aos colaboradores e passou a ser feito de forma voluntária. O outro, que previa selecionar 1.800 professores para a capacitação, pode conseguir atingir apenas a metade desse número caso não haja a liberação da verba. Ou seja, é mais um elemento no sentido de provar que as políticas educacionais não são levadas a sério pelo governo golpista Temer.

O MCTIC informou em nota ao jornal Estado de São Paulo que já liberou R$ 27,6 milhões ao IMPA e novos supostos repasses que ainda serão feitos neste ano “permitirão a continuidade dos projetos”.

Nesse marco, a Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA) também enfrenta corte de 50% da verba que recebeu do CNPq, órgão federal de incentivo e fomento à ciência. De R$ 1,2 milhão do custo total do evento, a organização recebeu apenas R$ 580 mil, o que concretamente não chega nem a metade. Para manter a premiação aos 50 mil primeiros alunos, a organização recorreu a uma “vaquinha virtual” para conseguir comprar as medalhas, que custam cada uma R$ 3.

Com o corte de recursos, a organização da OBA também teve que deixar de pagar a viagem dos alunos selecionados em anos anteriores para as competições internacionais. Com essa medida, os estudantes de escola pública são praticamente impedidos de participar de etapas mais avançadas da competição, a não ser que consigam um patrocínio individual – o que sabe-se muito improvável devido a total falta de empresas privadas investirem nesses projetos.

Já a Olimpíada Nacional de História, feita pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), teve corte de 35% no orçamento. Por isso, a organização reduziu de 1.200 para mil o número de finalistas selecionados para a fase presencial. Neste ano, a competição de História recebeu apenas cerca de R$ 200 mil do CNPq. Esse valor é quase totalmente gasto para custear a viagem de equipes finalistas de escolas públicas para a fase final em Campinas.

A competição teve neste ano cerca de 50 mil inscritos, mas o impacto da Olimpíada é ainda maior por causa dos cursos de formação que oferece aos professores. Em nota ao Estado de São Paulo, o CNPq confirmou a queda de recursos e a consequente redução nos repasses. No último ano, o valor total investido foi de R$ 2,93 milhões em 13 olimpíadas. No ano anterior, foram R$ 4 milhões para 14 eventos.

Todos esses fatos devem ser um fator para que a classe trabalhadora unida aos estudantes universitários e secundaristas encampem uma luta a favor da estatização de todas as escolas privadas e de todos os institutos de pesquisas com controle dos trabalhadores e dos estudantes. Somente assim se dará uma luta real no caminho de sanar a precarização do ensino público de um modo geral e garantir educação pública e de qualidade para a população.




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