CORONAVÍRUS

Governo empresta R$40 bi para empresas seguirem abertas na pandemia

Nesta sexta-feira (27) o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, anunciou, na presença do presidente Jair Bolsonaro, a criação de uma linha de crédito durante dois meses, que será utilizada para quitar as folhas de pagamento de pequenas e médias empresas.

sexta-feira 27 de março| Edição do dia

Nesta sexta-feira (27) o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, anunciou, na presença do presidente Jair Bolsonaro, a criação de uma linha de crédito durante dois meses, que será utilizada para quitar as folhas de pagamento de pequenas e médias empresas.

O valor total dessa linha será de R$ 40 bilhões, sendo subsidiada em 85% pelo tesouro nacional. Durante o pagamento desse crédito, a empresa não pode demitir.

A distribuição do valor será feita diretamente aos funcionários, caindo em suas folhas de pagamento, independente da empresa, que só terá em seu nome a dívida. Essa dívida poderá ser paga em 36 meses, com uma taxa de juros de 3,75% ao ano. Cada funcionário poderá receber, no máximo, o valor referente a dois salários mínimos.

Vimos que desde o início da crise do coronavírus, o Governo Federal leva a diante uma campanha que tem como base a palavra de ordem contra a quarentena, reivindicando que as empresas voltem ao normal e que a população possa se deslocar diariamente ate seus locais de trabalho, sendo completamente irresponsável em ralação à pandemia, uma vez que não toma nenhuma medida que realmente combata a crise do vírus.

O dinheiro que Bolsonaro vem gastando para propagação dessa linha negacionista da ciência pagaria cerca de 10 mil diárias do tratamento necessário às pessoas com sintomas do coronavírus, o que só evidencia o completo descaso do governo em relação às vidas que estão em jogo.

Frente a isso, essa medida que foi anunciada pelo presidente do Banco Central é uma ferramenta para o fortalecimento da campanha de Bolsonaro, uma vez que o pagamento direto aos trabalhadores endivida as empresas. Sem que haja lucro na quarentena, as empresas não obterão esse dinheiro que deveria ser voltado ao pagamento da dívida. Dessa forma, para que seja quitado esse valor, os funcionários precisam continuar ativos e produzindo. Sendo assim, a linha de crédito criada pelo governo pressiona as empresas a continuarem normalmente com suas atividades.

Vemos que a preocupação de Bolsonaro não é com o emprego das pessoas nem com suas vidas, mas em manter os lucros dos empresários e nos fazer de bucha de canhão trabalhando muitas vezes em condições insalubres e sem estrutura médica para nos protegermos

É completamente inaceitável a atitude do governo Bolsonaro de reduzir a uma “gripezinha” uma crise de proporções históricas, tomando medidas para que o funcionamento da economia do país continue normalmente. Entretanto, sabemos que apenas chamar a quarentena não da uma resposta à altura da pandemia - como fazem os governadores estaduais, grande parte do congresso e inclusive das maiores centrais sindicais do país (dirigidas pelo PT e pelo PCdoB); esse chamado precisa vir acompanhado urgentemente de testes massivos, de forma com que haja um mapeamento dos infectados pelo vírus, para que possamos construir uma quarentena racional e com os devidos cuidados médicos.

Além disso, precisamos exigir o controle operário de toda atividade econômica, para que não apenas funcionem as chamadas “atividades essenciais” para manter o lucro dos empresários parasitas, mas também haja a auto-organização da classe operária em seus locais de trabalho, fazendo com que a produção seja voltada para superação da crise, girando todos os esforços para que tenhamos leitos, mascaras e respiradores para os infectados e também garantir condições de higiene nos locais de trabalho. Medidas essas que não virão das mãos do governo.




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