ESCOLA SEM PARTIDO

Governo de Pimentel (PT-MG) promove Escola sem Partido em simulado do ENEM

Em Minas Gerais, a Secretaria de Estado da Educação (SEE) realizou o Simulado Mineiro, que tem por objetivo preparar os alunos do estado para a prova do Enem 2017. Nela, o texto da página do movimento Escola sem Partido, que promove a perseguição política e denúncia de professores e alunos, foi base para a escrita da redação.

Ítalo Gimenes

Campinas

quarta-feira 1º de novembro| Edição do dia

Novamente, o PT demonstra o quanto contribui para que a direita mais reacionária se fortaleça. Em seu Simulado Minero, o Governo do Estado de Minas Gerais, cujo governador é Fernando Pimentel (PT), permitiu que fosse promovida censura contra professores e alunos do Escola sem Partido. Com o título “Notificação extrajudicial: serviço de utilidade pública”, o texto presumia a indicação para que pais denunciassem professores que “abusassem da liberdade de ensinar”, como um “serviço de utilidade pública”. Confira um trecho:

“Uma das formas de prevenir o abuso da liberdade de ensinar por parte do professor do seu filho é notifica-lo extrajudicialmente para que ele se abstenha de adotar certas condutas em sala de aula. Para isso, a equipe da Escola Sem Partido preparou o modelo de notificação extrajudicial. Considerando o interesse dos pais em que seus filhos não sejam identificados e, eventualmente perseguidos pelos professores e pela escola, elaboramos um modelo de notificação anônima. Nada impede, porém, que os pais se identifiquem, se quiserem. Trata-se apenas de um modelo, que poderá ser adaptado segundo a necessidade, a vontade e a imaginação jurídica do país. Pense que, se a notificação produzir o efeito esperado, sua iniciativa reverterá em benefício de todos os alunos do professor notificado, e não apenas do seu filho. Trata-se, portanto, de um serviço de utilidade pública.”

A conivência do PT com a direita tem aparecido com vigor nas últimas semanas. Lula já deu seu perdão aos golpistas e de que agora não é momento para “Fora Temer”, provando que o “vitimismo” que pregaram em torno do golpe, sem nunca demonstrar resistência a esse ou aos ataques subsequentes, não passou de um discurso para fortalecer a campanha de Lula para 2018 enquanto ele fazia acordos com a direita. Recentemente, André Sanchez, deputado de paulista pelo PT, defendeu a aplicação de mensalidades no ensino superior público, que realizaria os sonhos da direita privatista e do tucanato paulista.

E como não falar da mais importante traição sindical que o PT realizou nos últimos anos, através das centrais sindicais CUT e CTB, que organizaram a desmoralização da classe trabalhadora, impedindo-a de dar continuidade à batalha contra Reforma Trabalhista, iniciada com a histórica greve geral do dia 28 de Abril, e desde então boicotada por essas e outras patronais (Força Sindical, UGT).

A estratégia do PT de diplomacia, negociatas e acordos com a direita mais reacionária, em prol de se mostrar para a burguesia um partido, com Lula a frente em 2018, capaz de salvar o regime decadente, é cada vez mais explícita. Suas direitadas não são ocasionais, pois essa estratégia foi a que permitiu o golpe e que a “onda reacionária” ganhasse força. Seus políticos reproduzirem tais discursos é expressão desse espaço que a conciliação petista abre para as ideias e setores mais reacionários.

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