Política

GOLPE MILITAR 1964

Governo brasileiro diz à ONU que não houve golpe militar em 1964

Em resposta à uma crítica feita pelo relator oficial da ONU, Fabian Fasioli, devido à ordem do presidente Bolsonaro para que todos os quartéis do país fizessem as "comemorações devidas" sobre os eventos de 31/03 de 1964, o governo brasileiro mostra sua cara autoritária e a desonestidade intelectual que compõe seu pensamento.

sexta-feira 5 de abril| Edição do dia

Imagem: Fernando Frazão

Em resposta à ONU o governo diz não ter havido golpe militar em 1964, mas uma intervenção das forças armadas apoiada pela maioria da população. A resposta brasileira levanta o fantasma do comunismo como motivador da ação das forças armadas contra o governo eleito na época, de João Goulart. Diz que a ação dos militares tinha como objetivo proteger o país do perigo comunista e combater grupos terroristas.

Tudo isso é parte da ofensiva ideológica que o bolsonarismo semeia de que seu governo ainda hoje combate o comunismo, para tentar dialogar com amplas camadas da população. Criam um fantasma para justificar o fracasso de seu governo, que não consegue criar mais empregos e tirar o pais da crise econômica. Com o desemprego batendo a casa dos 13 milhões de pessoas, Bolsonaro culpa o IBGE, que faz os levantamentos e pesquisas sobre o tema, o comunismo, ao qual ele gosta de se referir, e os governos de centro esquerda, que governaram o Brasil e boa parte da América Latina nas últimas décadas.

Então, para criar uma massa crítica em cima de suas mentiras históricas, Bolsonaro, através do ministério da educação, quer mudar os livros didáticos que tratam o tema. Quer impor sua ideologia para todas as crianças do país. As versões da história que Bolsonaro quer apagar são escritas com muita pesquisa e investigação por historiadores, sociólogos, filósofos e outras áreas de conhecimento. Versões essas que passam por rígidos processos de exames e questionamentos, por bancadas de mestrado e doutorado, enfim, temas que são por décadas estudados e questionados.

Com uma canetada de seu ministro da educação Ricardo Vélez, Bolsonaro quer reescrever a história de acordo com seu olhar falsificado e limitado, preocupado em fazer ideologia em detrimento da verdade científica.

Entre temas como o Nazismo, o qual Bolsonaro afirma não ter dúvida que foi um movimento de esquerda, passando pela ruptura institucional no Brasil em 1964, que Bolsonaro afirma não ter dúvida que não foi um golpe militar, se esconde um projeto que visa fazer ideologia de direita para arrancar todos os direitos possíveis dos trabalhadores.

Não a toa, ao mesmo tempo que Bolsonaro cria o fantasma do comunismo, o associando a tudo que for oposição a suas ideias, chegando ao ponto de virar piada internacional ao afirmar que o Nazismo era de esquerda, Bolsonaro manda projetos para o congresso que acabam com os já limitados direitos que o trabalhador brasileiro tem, como a cruel reforma da previdência, principal ataque planejado pelo governo.

Ele inventa um inimigo imaginário para tentar justificar seus ataques na esperança que o trabalhador brasileiro acredite que é necessário cortar na carne para se livrar de um inimigo muito perigoso, que na realidade nem existe.

O regime militar brasileiro, assim como o Nazismo, foi um movimento de extrema direita. No Brasil a maior parte da imprensa e as instituições do estado apoiaram esse movimento. Tentaram a todo custo dar um ar de legalidade ao golpe. Mas a população como sempre não foi consultada. Se viu refém de um regime autoritário, que perseguia e torturava seus opositores e que logo nos primeiros 4 anos existência já começou a se enfrentar com amplas camadas da população, como as mobilizações estudantis de 1968 e depois a explosão operária de 1977, que começam a colocar o regime militar a baixo.

Dizer que não houve golpe militar em 1964 é mais uma mentira de Bolsonaro. Um sujeito despreparado, que como deputado fez parte desde 1992 do chamado centrão no congresso, ala conhecida e reconhecida por seus vastos esquemas de corrupção e projetos anti povo.

Assim como os trabalhadores brasileiros derrotaram a ditadura apesar da vacilação de suas direções, que garantiram uma transição pactuada de regime, deixando todos torturadores impunes, nós que hoje trabalhamos e batemos nosso cartão todos os dias vamos derrotar o bolsonarismo e todas suas mentiras e tentativas de tirar direitos do povo para encher o bolso de empresários e banqueiros. A mentira tem perna curta. Os trabalhadores tem o dever de rapidamente amputar essas pernas do bolsonarismo para não deixar elas crescerem.

As centrais sindicais mantém uma postura criminosa de não se movimentar diante dos absurdos de um governo que legitima o golpe militar, tentando sair de forma "segura" com uma oposição meramente parlamentar que não luta seriamente contra Bolsonaro, suas reformas e sua falsificação ideológica. É preciso ter em mente que só a organização desde as bases, com assembleias, conselhos, reuniões de categorias e mobilizações conjuntas da classe podem cumprir um papel sério de derrotar essa extrema direita nefasta.




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