EDUCAÇÃO DE MINAS GERAIS

Governo Zema ataca o ensino de Filosofia e de Sociologia no Ensino Médio em Minas Gerais

quarta-feira 27 de novembro de 2019| Edição do dia

Foto: Luís Ivo.

As mudanças na matriz curricular do Ensino Médio do Estado de Minas Gerais, orientadas pela nova BNCC (Base Nacional Curricular Comum), tornam intermitente o ensino de Sociologia e de Filosofia no ensino médio, presentes somente em dois anos do percurso. Esta foi a Resolução 4234/2019, publicada no dia 22 de novembro pela da Secretaria de Educação de Minas Gerais. E que define arbitrariamente a descontinuidade do ensino das disciplinas de Filosofia e de Sociologia ao longo do Ensino Médio.

Pela nova matriz curricular para curso regular de nível médio e EJA, as alterações impõem que nos primeiros anos do ensino médio sejam oferecidas duas aulas semanais de sociologia e nenhuma de filosofia. Já nos segundos anos inverte-se: seriam duas aulas de filosofia e nenhuma de sociologia. E nos terceiros anos seriam oferecidas as duas disciplinas, com uma aula semanal para cada. Na prática, além de interromper o ensino das disciplinas, a medida vai afetar a jornada de trabalho de milhares de professores, sem ter sido discutida com a categoria.


Júlia Sant’Anna, secretária da Educação.

A nova BNCC é uma complementação da Reforma do Ensino Médio, aprovada à revelia dos estudantes após ondas de ocupações de escolas em todo país no ano de 2016. Com essas mudanças, fica a critério de cada governo e da Secretaria de Educação de cada estado eleger a dedo quais ataques querem implementar primeiro contra os estudantes e os professores no ensino público. E na atual mudança da matriz curricular, eles escolheram mirar seus ataques primeiro no ensino da Filosofia e da Sociologia.

Não por acaso, visto Romeu Zema ser favorável ao Escola Sem Partido, já tendo declarado em 2018 que “escola é lugar de se aprender português, matemática, geografia, história, e não ficar discutindo temas polêmicos”. Projeto que foi aprovado em Belo Horizonte à base de bomba de gás e repressão a educadores e estudantes, a portas fechadas na Câmara.

Além de atacar as disciplinas de Sociologia e da Filosofia, essa medida soma na precarização do ensino público junto ao fechamento de turmas nas escolas (fechando-se mais salas do que já acontecia no governo petista de Fernando Pimentel), a manutenção do atraso do pagamento do salário, o não pagamento do piso salarial aos trabalhadores da educação, a ameaça de privatização dos serviços escolares como merenda e limpeza, os abusos e assédios nas cobranças do diário eletrônico e a militarização de escolas.

Os professores de Filosofia e de Sociologia estão se organizando, exigindo o apoio de seus sindicatos. No sábado (23), durante o “1° Seminário de Sociologia e Educação: Conjuntura e Perspectivas”, em BH, debateu-se sobre os rumos da educação e do ensino de sociologia em Minas Gerais. Os professores presentes colocaram-se contrários à atual matriz curricular, exigindo audiências e consultas públicas sobre as mudanças curriculares.

Professores de filosofia e de sociologia também chamaram uma reunião auto-convocada que vai se realizar nesta quarta-feira (27), às 18h na UFMG. E contam com o apoio do Centro Acadêmico de Filosofia da UFMG (CAFCA).


Imagem de divulgação.

Nesse momento os professores do Rio Grande do Sul fazem uma greve valente contra os planos de ajuste do governador Eduardo Leite. Os professores de São Paulo vão paralisar suas atividades no dia 03 de dezembro contra a Reforma da Previdência de Dória no estado. A revogação da Resolução 4234/2019 é possível e pode ser um trampolim de organização dos professores e dos trabalhadores da educação em Minas Gerais contra a escalada de ataques desse governo à educação e sua tentativa de nos fazer engolir seu plano de ajuste contra todos os servidores e trabalhadores mineiros.




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