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SP: CORONAVÍRUS

Governo Doria acha "aceitável e esperado" recorde de mortes por COVID e mantém avanço da reabertura

Com 434 novos óbitos em 24h o estado de SP registrou novo recorde de mortes por COVID-19. Ainda assim, declarações do governo de SP consideraram o número como "aceitável e esperado" mantendo planos de avanço da reabertura da economia.

terça-feira 23 de junho| Edição do dia

O secretário de Saúde de São Paulo, José Henrique Germann, informou que o Estado atingiu a marca de 13.068 óbitos por causa da covid-19. Com o número atualizado, o Estado registra novo recorde de mortes contabilizadas em um dia: entre a segunda-feira, 22, e esta terça-feira, 23, foram 434 novos óbitos, um aumento de 3,44%. Ainda assim, a intenção do governo, como anunciando no dia de ontem e mantida até o momento, é avançar na flexibilização da quarentena indo para a fase amarela que libera o funcionamento de restaurantes, salões de beleza e academias. No plano descabido do governo também está a retomada das aulas, que devem ter maiores detalhes anunciados amanhã, mas que já foi rechaçado pelo sindicato dos professores, a Apeoesp, em nota.

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Entre a segunda-feira e a terça, 7.502 novos pacientes foram contabilizados pelo sistema, um aumento de 3,38%. O último recorde de mortes diárias no Estado havia sido marcado na quarta-feira, 17, com 389 óbitos. Germann informou também que o Estado já registrou 229.475 casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus. Entretanto, esses dados do governo mascaram a realidade se apoiando na ampla subnotificação resultado da falta de uma política para testagem massiva. Um estudo realizado pela prefeitura, chamado de inquérito sorológico, para descobrir quantas pessoas realmente já foram infectadas pelo covid-19 apontam para cerca de 9,5% da população da cidade, o que significa mais de 1,2 milhões de pessoas.

O coordenador executivo do Centro de Contingência Covid-19, João Gabbardo, afirma que o aumento de óbitos e casos não tem pressionado a quantidade de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). "O que mais chama atenção é o número de óbitos registrados em 24 horas. Obviamente que isso entristece a todos, o que isso representa. Agora, esse número ocorre e está dentro da previsão de cenário que a gente tem até o dia 30 de junho. Isso ocorre porque o interior do Estado está numa curva ascendente, de crescimento de casos, mesmo com a redução da capital e da região metropolitana. Mas isso não tem pressionado os leitos de UTI. Nós continuamos com 33% a 34% dos leitos disponíveis para a população, o que, nesse momento, é o que mais importa", disse Gabbardo.

Todos esses dados demonstram como, apesar de tentar se diferenciar na retórica, Doria tem uma política tão genocida quanto Bolsonaro, em relação ao combate do coronavírus. Assim como o presidente negacionista, a preocupação principal do governador é assegurar no final a continuidade dos lucros de seus colegas empresários. Por isso apesar dos dados recorde de mortes, mesmo com uma comprovada e enorme subnotificação, Doria flexibiliza a quarentena se preocupando mais com os lucros do que com a vida.




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