Educação

GOVERNO BOLSONARO

Governo Bolsonaro suspende avaliação de alfabetização das crianças do ensino fundamental

Na publicação do Diário Oficial desta segunda feira, 25 de março, veio a público a decisão do Ministério da Educação de suspender por dois anos a avaliação realizada pelo Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais).

segunda-feira 25 de março| Edição do dia

A avaliação deste ano, marcada devido a defasagem observada na análise das avaliações anteriores estava marcada para o fim do ano, outubro, e seria realizada sobre os conteúdos de português e matemática. Sob a desculpa de se realizar a avaliação somente após a implementação da nova base curricular comum, que já era polêmica na versão enviada à imprensa e que ainda foi modificada na última hora, não se terá a possibilidade de se realizar pelos próximos anos uma comparação no avanço do desenvolvimento da educação até o 5° ano do ensino fundamental.

Para se ter uma ideia os dados da avaliação realizada em 2014 revelaram que a maioria das crianças que terminam o ciclo de alfabetização, 3° ano do ensino fundamental, só localizam informações explícitas se estas estiverem em textos curtos e quase 57% só as localizam em textos longos se estas estiverem contidas na primeira linha do texto. O documento publicado hoje não só impede a revelação de dados como esse como retira e modifica questões expressas no documento anterior que por exemplo determinava que os alunos do 9° ano, pela primeira vez, fariam provas para avaliarem os conteúdos de Ciências da Natureza e Ciências Humanas.

Isso de um governo que se elegeu usando um discurso, que a cada medida cai cada vez mais por terra, de que priorizaria a educação e principalmente o desenvolvimento da educação anos de escolaridade. Esse governo que na verdade elegeu os professores e a educação como seus principais alvos de ataques concretos e ideológicos têm implementado medidas, defendido alterações legais que fazem regredir dentro de um cenário educacional que já é alarmante e onde 5 em cada 8 crianças não sabem ler frases de acordo com informações do próprio MEC.

O governo propôs no BNCC uma idade ideal de alfabetização que não corresponde ao PNE - que deveria reger as políticas educacionais até 2024 e que determina uma alfabetização precoce para as crianças além de não apresentar nenhuma medida que dialogue com as crianças, que em sua maioria enfrentam problemas estruturais como a fome que dificultam o aprendizado, que não forem alfabetizadas neste período. Agora este mesmo governo retira a possibilidade de se ter uma avaliação de como está a alfabetização das crianças pelo país pelos próximos anos. retira também com esta medida as avaliações a serem realizadas nas creches que englobam questões como estrutura dos espaços e condições de trabalho dos funcionários e professores. A educação, e também e a promoção concreta da alfabetização, das crianças e adolescentes do país não se faz por metas no papel para os primeiros 100 dias de governo e nem com medidas demagógicas, mas sim com políticas públicas efetivas de melhoria das condições dessas crianças dentro e fora das escolas.




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