Política

FORÇAS ARMADAS

Governo Bolsonaro: Privilégios para os militares, ajuste para os trabalhadores

Bolsonaro reconheceu em entrevista neste fim de semana a possibilidade de não estabelecer um teto de gastos para as forças armadas em seu governo.

terça-feira 4 de dezembro| Edição do dia

Em sua última entrevista, concedida durante a cerimônia de formatura dos aspirantes a oficiais da Academia Militar das Agulhas Negras no Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro admitiu a possibilidade de não estabelecer um teto de gastos para os aumentos salariais de militares. Segundo Bolsonaro, os aumentos devem ser tratados como “prioridade”. Ainda em entrevista Bolsonaro afirmou: "Essa questão tem sido muito conversada com o (economista e futuro ministro da Fazenda) Paulo Guedes. Nós temos um orçamento diminuto, mas precisamos entender que aportes para as Forças Armadas são investimento e não despesa. O que for possível faremos sim”

Bolsonaro também voltou a comentar a respeito da revogação da medida provisória 2215/2001 que acabou com a promoção automática dos militares que passam para reserva, o auxilio-moradia e o adicional de inatividade dos militares. Já em 2015, quando era deputado federal, ele liderou um grupo de parlamentares que enviou pedido formal para o então ministro da Defesa Aldo Rebelo para acelerar a votação da medida.

Não deixa de ser mais do que irônico o fato de que a proposta de aumento dos militares seja o exato oposto do plano de governo proposto por seu super ministro Paulo Guedes para a política econômica do país. Aprofundando os ajustes já implementados por Temer como a reforma trabalhista, a lei de terceirização irrestrita e a PEC de teto dos gastos públicos que limita os gastos com saúde e educação, Bolsonaro defende privatizações e austeridade apenas para os trabalhadores e pretende avançar ainda mais nesse plano com a reforma da previdência.

O presidente eleito nas eleições mais manipuladas do país é o emissário dos interesses dos empresários e capitalistas que querem fazer com que os trabalhadores paguem pela crise, suas declarações deixam claro que enquanto executa este plano também se abre um espaço cada vez maior para a participação das forças armadas no governo para legitimar suas ações. Ainda veremos qual o nível de autoritarismo pretende assumir Bolsonaro em seu governo, mas o que está claro é que o alvo são os sindicatos e movimentos organizados de nossa classe que devem ser os instrumentos de luta fundamentais para resistir a estes ataques.




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