Política

MARIELLE FRANCO

Governo Bolsonaro: 70 dias de cumplicidade com o Estado e a polícia que mataram Marielle

O brutal assassinato político de Marielle Franco (PSOL) indignou o Brasil e o mundo, mas não despertou empenho do governo Bolsonaro e de seu ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, na investigação do caso. Um ano depois o crime segue impune, sendo mais de 70 dias sob o governo Bolsonaro.

terça-feira 12 de março| Edição do dia

Enquanto apresentam um suposto "pacote anticrime", que na verdade só pretende autorizar assassinatos pelas mãos da polícia e aumentar a perseguição do Estado, Sergio Moro e o governo Bolsonaro demonstram total cumplicidade e vagareza na solução de um dos crimes políticos mais brutais da história do país: o assassinato de Marielle Franco, que completará um ano no próximo dia 14, ainda impune.

Foram mais de 10 meses de impunidade sob o governo do corrupto e golpista Michel Temer (MDB), em que o Estado pouco ou nada descobriu sobre o assassinato de Marielle. Em reiteradas declarações, o próprio ministro da Justiça de Temer, Raul Jungmann, teve que reconhecer que o "envolvimento de agentes do Estado e de políticos dificulta esclarecimento do caso Marielle". Uma escandalosa admissão da natureza assassina e persecutória contra a esquerda do Estado brasileiro, uma herança dos anos de Ditadura Militar, quando muitos dos grupos de extermínio cresceram e atuaram fortemente.

Sob Bolsonaro e Moro, pouco ou nada mudou. O discurso de "combate ao crime" só serve como desculpa para o autoritarismo do judiciário, que atuou na manipulação do resultado eleitoral e na continuidade do golpe institucional com a eleição de Bolsonaro, além do aumento da violência das polícias contra a população, especialmente negros e pobres.

Ligações entre a família Bolsonaro e as milícias

Desde janeiro deste ano, com a descoberta do laranja de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, ficou clara a ligação cada vez maior da família Bolsonaro com as milícias, e também com os assassinos da vereadora Marielle Franco.

Roni Lessa, ex-PM que foi preso hoje (12) por suspeita de ser o executor de Marielle, vive no mesmo condomínio que Jair Bolsonaro, tem fotos com o presidente, e uma de suas filhas já namorou um dos filhos da família Bolsonaro.


Élcio Vieira de Queiroz, ex-PM preso, e o presidente Jair Bolsonaro. Reprodução/Facebook

Adriano Magalhães da Nóbrega, o Gordinho, ex-capitão do Bope ligado às milícias e que está foragido, em 2003 foi homenageado por Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A esposa e a mãe do foragido trabalhavam no gabinete do filho de Bolsonaro na ALERJ, até novembro de 2018. E em 2008, Bolsonaro já havia dito sobre as milícias: “Elas oferecem segurança e, desta forma, conseguem manter a ordem e a disciplina nas comunidades. É o que se chama de milícia. O governo deveria apoiá-las, já que não consegue combater os traficantes de drogas".

Quando Fabrício Queiroz foi citado no relatório do Coaf, após ter sido identificada uma movimentação atípica no valor de 1,2 milhão de reais em sua conta entre 2016 e 2017, o ex-motorista de Flávio desapareceu. Segundo o colunista Lauro Jardim d’O Globo, ele ficou abrigado por duas semanas em uma casa na comunidade Rio das Pedras, onde a milícia alvo da "Operação Intocáveis" agia.

Impunidade

Não bastasse os meses de impunidade herdados do governo Temer no caso Marielle, Bolsonaro já vem trilhando os passos na mesma cumplicidade com este assassinato de responsabilidade do Estado.

São muitas razões que escancaram a necessidade de que o Estado forneça recursos e todas as condições para a realização de uma investigação independente, que tenha acesso a todas as informações e meios materiais, composta por organismos de direitos humanos, peritos especialistas comprometidos com a causa, parlamentares do PSOL, representantes de sindicatos, de movimentos de favelas, etc.

O caminho para conquistar uma investigação independente e também para obrigar a que o Estado realmente investigue e puna os culpados é uma forte mobilização.




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