Política

GOVERNADORES DO NORDESTE

Governadores do nordeste, do PT e do PCdoB, defendem fim do enfrentamento à Bolsonaro

Em entrevistas para a Época, governadores do nordeste defendem o fim do clima de beligerância entre os estados da região e o governo federal. Ou seja, escancaram o desejo de conciliação com o governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro.

terça-feira 30 de julho| Edição do dia

Teve início nesta segunda mais uma reunião do Consórcio Nordeste, grupo formado pelos nove governadores do nordeste - sendo que sete destes compõem o PT, PCdoB e PSB, partidos que se auto-definem como de oposição ao governo Bolsonaro - para discutir ações conjuntas para o desenvolvimento regional. O encontro não foi convocado com o objetivo de debater as recentes polêmicas envolvendo o reacionário e racista presidente e os nordestinos. Pelo contrário, o discurso majoritário dos entrevistados pela Época foi de que “é hora de desarmar os ânimos e buscar uma relação republicana com o presidente”, segundo a revista.

Após os governadores terem soltado uma nota de repúdio exigindo explicações de Jair Bolsonaro por referir-se ao nordeste como “os paraíbas” e declarar que pretende dificultar o governo de Flavio Dino, do PCdoB do Maranhão, a indignação logo esfriou e os discursos tomaram tons mais moderados, inclusive no próprio Flavio Dino. Rui Costa, da Bahia, Wellington Dias, do Piauí, ambos do PT, e Paulo Câmara, do PSB de Pernambuco, fizeram questão de mostrar como estão abertos ao diálogo e querem o fim do clima de enfrentamento.

Esses governadores, que se dizem parte da esquerda e da oposição ao governo Bolsonaro, tentam fazer parecer que “vieram em paz” e que o governo quem não quer colaborar, com seus comentários racistas e xenófobos, mas não dizem que, por trás desse discurso de paz e fim do enfrentamento, a intenção não é apenas denunciar que Bolsonaro é quem dificulta o desenvolvimento da região, mas principalmente buscar o fim da possibilidade de qualquer enfrentamento dos trabalhadores e da juventude contra os ajustes e ataques reacionários do governo. Isso já se mostrava desde o momento em que os governadores do PT e PCdoB não só não moveram uma palha para mobilizar contra a reforma da previdência, como pelo contrário, apoiaram a nefasta reforma da previdência que vai nos fazer trabalhar até morrer.

A estratégia de conciliação não é nenhuma novidade vindo do PT. O partido se construiu conciliando com os interesses dos grandes empresários e banqueiros, com os partidos do centrão e até mesmo da direita, e agora seus governadores apenas dizem com todas as letras que é hora de retomar essa prática, que nunca foi definitivamente abandonada. O PCdoB também nunca se desligou dos grandes articuladores das reformas, dando sempre seu fiel apoio à Rodrigo Maia, por exemplo.

Os dois partidos estão a frente das duas maiores centrais sindicais e da maior entidade estudantil do país, a CUT, CTB e a UNE. Mesmo ocupando esse lugar, não dedicaram suas forças para mobilizar amplos setores de trabalhadores e estudantes, atuando de maneira unificada, contra a reforma da previdência e os ataques à educação. Pelo contrário, foram responsáveis pela desmobilização e falta de transformação do repúdio dos trabalhadores contra os ajustes em luta, já que se negaram a construir planos efetivos de mobilização e luta que pudessem unificar juventude e trabalhadores e barrar todos os ataques.

Seus governadores, após negociar nosso futuro diretamente com Maia e o governo federal, de extrema-direita, traindo assim a juventude e a classe trabalhadora, agora apenas assumem abertamente que ali estão para sentar e dialogar com a extrema-direita.

Leia mais: Editorial semanal do MRT: A cínica entrevista do ex-presidente do PT e a necessidade de uma estratégia baseada na luta de classes


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