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ELEIÇÕES PORTO ALEGRE

Golpistas? Bem capaz! PCdoB apoia PMDB no segundo turno em Porto Alegre

O PCdoB de Porto Alegre publicou nesta quinta-feira (13) uma nota em que declara um "não voto" no candidato do PSDB, Nelson Marchezan Jr. Embora tentem não defender o PMDB, na medida em que criticam o voto nulo, os supostos comunistas apoiam a candidatura do vice-prefeito Sebastião Melo.

sexta-feira 14 de outubro| Edição do dia

A declaração do PCdoB é curiosa pois chama "nenhum voto no PSDB". Essa política parece ser válida somente para Porto Alegre, pois em São Bernardo do Campo, estranhamente, os "comunistas" declaram apoio ao candidato do PSDB. Na capital gaúcha preferem apoiar o candidato do PMDB, ainda que de maneira tímida e envergonhada. Segundo eles, embora essa "não seja a melhor alternativa", com o PSDB no comando tudo que está ruim "se agravará mais ainda".

De "mal menor" em "mal menor" a direita termina bem obrigado, inclusive com o apoio do PCdoB aos partidos responsáveis pelo golpe institucional. Até ontem estes partidos eram tidos como "inimigos da democracia", e agora contam com o apoio do ex-governista. O PCdoB, com suas posições hipócritas, prefere manter os apoios eleitorais, apesar do golpe. Com isso, coloca esperança nos partidos dos patrões, que tomaram o governo para aprofundar os ataques contra os trabalhadores mais do que o PT já vinha fazendo.

Sobre o tema Antonio Gramsci escreveu: "Um mal menor é sempre menor que um subsequente possivelmente maior. Todo mal resulta menor em comparação com outro que se anuncia maior e assim até o infinito. A fórmula do mal menor, do menos pior, não é mais que a forma que assume o processo de adaptação a um movimento historicamente regressivo cujo desenvolvimento é guiado por uma força audaciosamente eficaz, enquanto que as forças antagônicas (ou melhor, os chefes das mesmas) estão decididas a capitular progressivamente, em pequenas etapas e não de uma só vez (...)” (Cadernos do Cárcere, Caderno 16, §25)

As justificativas para não votar no candidato tucano, de fato, são inúmeras. Aqui mesmo no Esquerda Diário já publicamos algumas delas no primeiro turno. No momento a denúncia feita contra ele durante a campanha, de um comitê eleitoral irregular, que acabou arquivada pelo MP, ainda não era pública, como vemos aqui. E é fato que o PSDB não representa alternativa ou "renovação" aos trabalhadores, nem em Porto Alegre, nem em cidade alguma do país.

Porém Sebastião Melo, do arqui-corrupto e golpista PMDB, igualmente governará para os patrões, assim como têm feito as últimas gestões das quais representa a continuidade. Isso também foi expresso neste diário, no primeiro turno. No âmbito nacional, contra Temer e sua corja, e também no estadual, contra Sartori, está na ordem do dia a luta e o combate ao PMDB e seus ataques aos trabalhadores, e não o apoio. Mas o PCdoB, há muito escolheu ser cúmplice deles, e em Porto Alegre não seria diferente.

Porto Alegre foi uma das capitais com lutas mais fortes contra o golpe. Nas manifestações estava o PCdoB e seu correspondente na juventude, a UJS. Porém o partido, assim como o PT, jamais se colocou a organizar uma verdadeira batalha, desde as bases operárias em que dirige sindicatos, contra o avanço golpista. Mesmo depois da consolidação do governo Temer, a CUT e a CTB, maiores centrais sindicais do país, mantêm uma paralisia frente aos ataques contra os trabalhadores. Apesar de amplos setores insatisfeitos com as medidas anunciadas pelo governo, não chamaram assembleias de base para organizar uma grande greve geral no país, que parasse a produção e pudesse barrar os ataques. Exemplo disso é a PEC 241, que foi aprovada na Câmara, congelando investimentos em áreas fundamentais, sem nenhum movimento de reação efetiva por parte desses setores.

A postura de "oposição responsável" assumida pelo PCdoB nacionalmente junto com o PT se explicou de maneira bastante significativa nessas eleições: as coligações com antigos aliados, agora golpistas, permaneceram em boa parte das cidades ainda no primeiro turno. Em Porto Alegre isso não se expressou no primeiro turno pois a chapa de Raul Pont era justamente PT e PCdoB. O segundo turno, porém, é outro capítulo da história, onde o "vale tudo" fica ainda mais evidente.

Votos nulos responsáveis pelo avanço da direita nas eleições?

O partido ainda critica a posição de voto nulo dizendo diretamente que "O resultado prático desta abstenção foi a derrota das forças progressistas e a ascensão de partidos descompromissados com o povo." Só que a derrota das supostas "forças progressistas" é decorrente de sua própria atuação! O PCdoB passou todos os anos dos governos Lula e Dilma apoiando inúmeras medidas a serviço dos interesses capitalistas, firmando alianças com os setores mais reacionários da política brasileira, como a bancada evangélica e a ex-ministra Kátia Abreu, notória representante do agronegócio.

O PCdoB coloca seu próprio fracasso eleitoral na conta de milhares que não se viram representados em nenhum dos políticos disponíveis. Um partido que se adaptou completamente aos métodos de corrupção da política burguesa junto ao PT, que abandonou a luta de classes cristalizando burocracias em sindicatos, na CTB e na UNE, para blindar os governos petistas.

O alto nível de degeneração do PCdoB já não é novidade. Sua política de alianças e apoios incluiu PSDB, PP, PSC, PMDB e tantos outros partidos enlameados pela corrupção e pela tarefa de dirigir o Estado de acordo com os interesses capitalistas. Colocam nos votos nulos a culpa pelo avanço da direita, mas quem pavimentou o caminho para esse avanço foi o próprio governo do PT, do qual o PCdoB era um dos principais aliados. Mesmo depois de pagar o preço dos acordões pela governabilidade, os ex-governistas mantêm suas alianças com os partidos que os derrubaram.

Essa lógica do "mal menor" e de apoio a políticos burgueses como Melo, invariavelmente, fortalece os interesses das classes dominantes e os partidos de direita. Dessa forma, se dificulta o surgimento de uma alternativa política independente dos trabalhadores para combater a PEC 241 e os ataques do governo golpista de Temer.




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