Internacional

OFENSIVA GOLPISTA NA VENEZUELA

Golpismo à la europeia: França e outras potências reconhecem Guaidó como "presidente legítimo"

Reino Unido Alemanha, França, Portugal, Espanha, Suécia, Áustria, Dinamarca e Holanda reconheceram nesta segunda-feira Juan Guaidó como presidente venezuelano. Aumenta a ofensiva golpista na Venezuela.

segunda-feira 4 de fevereiro| Edição do dia

A cascata de pronunciamentos ocorre após o ultimado de 8 dias que Madri, París e Berlim deram para o presidente venezuelano Nicolás Maduro, para convocar eleições “livres e democráticas”, violando todo o princípio de autodeterminação do povo venezuelano e avançando na estratégia golpista alimentada pelo imperialismo norte americano e apoiada pela direita da América Latina e pelas potencias europeias.
Enquanto o reconhecimento a Juan Guaidó é como “presidente interino” e remarcando que este tem que chamar eleições livres, a postura da maioria dos países membros da União Europeia, com exceções como a Itália, é parte centra da ofensiva imperialista iniciada em Whashington.

A Espanha foi o primeiro país a fazê-lo oficialmente, com o anuncio do chefe de Governo, Pedro Sánchez (PSOE), de que reconhecia Guaidó como “presidente em exercício” da Venezuela durante uma conferência no palácio da Moncloa, a sede do Executivo

O presidente francês, Emmanuel Macron, fortemente questionado e com sua popularidade em queda livre por conta da luta dos coletes amarelos, também anunciou o reconhecimento de seu país a Guaidó, como “presidente interino” da Venezuela, com a missão de “implementar um processo eleitoral”, como declarou em seu Twitter.

“Os Venezuelanos tem o direito de se expresar libremente e democraticamente. França reconhece @jguaido como “presidente interino” para implementar um processo eleitoral. Apoiamos o Grupo de contato criado pela UE, neste período de transição”

Mas o Reino Unido foi ainda mais longe. Fiel a sua histórica ingerência imperialista, quer impor sanções contra Maduro. “Estamos estudando mais medidas para assegurar a paz e a democracia na Venezuela, inclusive mediante sanções”, defendeu o porta-voz de May, que não precisou que tipo de penalizações poderiam ser aplicadas. “Como disse essa manhã o Ministro de Relações Exteriores (Jeremy Hunt), os que continuarem a violar os direitos humanos dos venezuelanos sob o amparo de um regime ilegítimo terão que pagar as contas” afirmaram desde o governo britânico.

Hunt anunciou hoje que o Reino Unido reconhece a Guaidó como “presidente constitucional interino” da Venezuela, tendo passado o prazo de oito dias dado a Maduro para que convocasse ele mesmo a novas eleições. E agregou que “a opressão do ilegítimo e cleptocrático regime de Maduro tem que acabar” e avisou que “aqueles que continuarem a violar os direitos humanos dos venezuelanos sob o amparo de um regime ilegítimo terão que pagar as contas”.

Essa posição, criticada pelo líder do Partido Trabalhista Britânico, Jeremy Corbyn, que condenava toda "interferência externa" na Venezuela, limitava-se a pedir "diálogo" para resolver a crise aberta, mas sem denunciar a ofensiva golpista.

Que um país imperialista do calibre do Reino Unido, que soube ter colônias sob sua submissão e opressão ao redor de todo o mundo, que ainda viola a soberania argentina nas Ilhas Malvinas, queira se apresentar como paladino dos direitos humanos e da democracia, é risível.

Da mesmo forma que os Estados Unidos e a direita da América Latina, as potencias europeias utilizam a crise social que acomete a Venezuela para justificar uma ingerência imperialista na região. Governos que mantém relações com estados que violam sistematicamente os direitos humanos como Israel ou a Arábia Saudita, se mostram “preocupados” pelo povo venezuelano que “merece um futuro melhor”, como afirmou o Reino Unido.

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A demagogia elaborada pelas potencias sobre a “crise humanitária” é um discurso vazio, já que, sem ir mais longe, endossam as sansões econômicas impostas pelo governo Trump, o que tornaria os níveis de pobreza ainda piores do que os que já tem hoje a Venezuela.

O plano da direita pró-imperialista, sustentado pelos Estados Unidos e pelas principais potências europeias, só agravaria a situação de fome que atravessa a Venezuela. A saída só será pelas mãos da classe trabalhadora de maneira independente, denunciando o golpismo e sem apoiar o governo de Maduro, que levou a essa situação penosa para os trabalhadores e o povo venezuelano.




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