Política

IMPEACHMENT NO SENADO

Golpe avança no Senado: 59x21 votos tornam Dilma ré do processo de impeachment

Em sessão que já dura mais de 15 horas os senadores decidiram que Dilma Rouseff se torna ré do processo de impeachment em sua segunda fase, chamada "juízo de pronuncia".

quarta-feira 10 de agosto| Edição do dia

O relatório feito pelo senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) da Comissão Especial de Impeachment do Senado, que indicava que o processo de afastamento da presidente deve ser levado adiante, foi levado à votação no plenário da casa, resultando em uma expressiva derrota de Dilma e do PT, com 59 votos favoráveis ao relatório, 21 contrários e nenhuma abstenção.

Com a aprovação do relatório, a próxima e última fase do processo de impeachment é o julgamento pelo plenário do Senado, previsto para o fim do mês.

Antes da votação, os senadores petistas e seus aliados procuraram, por meio de medidas preliminares à votação do relatório, argumentar contra a possibilidade dos senadores avaliarem seu mérito, valendo-se de argumentos como o de que as contas de 2015 do governo Dilma ainda não foram analisadas pelo Tribunal de Contas da União, ou ainda de que o relator pertencer ao PSDB, partido diretamente interessado na derrubada de Dilma. As considerações, evidentemente, foram rechaçadas pelo plenário pelo mesmo placar da votação final.

Uma votação que expressa a derrocada petista frente ao golpe

A ampla diferença de votos entre os favoráveis ao relatório de Anastasia e os contrários - quase o triplo de votos - é uma expressão incontestável da consolidação do golpe institucional aplicado pela direita e que levou Temer ao governo.

Se ainda havia setores do petismo que publicamente alimentavam a ilusão - na qual nem eles mesmos acreditavam - de que era possível reverter a votação da Câmara dos deputados e da Comissão Especial de Impeachment numa votação no plenário do Senado, agora esse discurso mostrou a todos sua completa farsa. Não será de surpreender, contudo, quando vermos ele ser ridiculamente mantido pelos petistas e suas lideranças diante da mídia e de sua base - cada vez menor, por sinal.

Uma aceitação do golpe preparada por muito tempo

O discurso petista de que "é possível reverter" o golpe por meio da votação dos parlamentares esteve sempre combinado com sua movimentação de não preparar e mesmo desarmar qualquer tentativa de resistência séria por fora do parlamento, por meio de paralisações, greves ou qualquer iniciativa independente dos trabalhadores - o que representaria a única forma efetiva de combater o golpe institucional.

Todas as suas convocações para mobilizações foram puramente "para inglês ver", e, conforme as centenas de milhares que compareceram aos primeiros atos foram vendo o golpe se consolidar e a falta de uma organização séria para a luta, os próprios atos "para constar" do petismo foram se esvaziando.

Isso faz parte da estratégia de um partido que, em primeiro lugar, fez todas as alianças possíveis e imagináveis com a direita em nome de uma suposta governabilidade, que, ao invés de garantir qualquer avanço nos direitos dos trabalhadores, dos explorados e oprimidos, só fez avançar os postos das bancadas evangélicas, dos ruralistas etc. Isso se complementa com a falta de resistência ao golpe e à perspectiva do PT de agora aparecer como uma "oposição responsável" para tentar voltar ao poder em 2018, por meio das eleições e costurando um novo arco de alianças tão ou mais podre do que aquele que preparou o golpe institucional.

Aos trabalhadores e os oprimidos, é fundamental seguirmos uma luta independente contra o governo golpista que se consolida a cada dia mais no poder, contra seus ataques e por uma estratégia independente de luta para colocar de pé uma Assembleia Constituinte onde possamos colocar nossa voz e dizer quais são as soluções que queremos contra esse regime político apodrecido dos patrões.




Tópicos relacionados

Política

Comentários

Comentar