Economia

Gol vai reduzir em 35% salários e jornadas de funcionários, apoiando-se na MP de Guedes

A Gol Linhas Aéreas, uma das principais empresas de aviação do Brasil, anunciou que vai reduzir o salários e a jornada de seus pilotos, tripulantes e funcionários em 35%.

quinta-feira 19 de março| Edição do dia

Segundo informações da CNN Brasil, a Gol irá aderir a medida provisória anunciada ontem por Bolsonaro e reduzirá a jornada e os salários de seus pilotos, tripulantes e funcionários em 35%. A empresa possui cerca de 15 mil funcionários.

Isso é um grande ataque a esses trabalhadores, que perderão parte considerável de sua renda em um momento crítico da crise econômica e sanitária causada pelo novo coronavírus.

A empresa, que ano passado registrou um lucro líquido de cerca de R$ 650 milhões, alega que faz isso pela queda do número de viagens. Mas não podem ser os trabalhadores a pagarem por essa crise. Os governos devem garantir proteção aos nossos salários e condições de vida, bem como ampliar o investimento no SUS, mas somente tem anunciado medidas para garantir o lucro das grande empresas, enquanto oferecem migalhas aos trabalhadores, como o voucher de R$ 200 por mês.

Precisamos urgentemente levantar um programa emergencial para proteger nossas vidas e nossos direitos perante essa crise.

Sobre a MP de Paulo Guedes e Bolsonaro

A medida provisória proposta agora permite às empresas reduzirem a jornada e o salário do trabalhador pela metade, com validade enquanto durar o Estado de Calamidade Pública, ou seja, até 31 de dezembro de 2020. Diante de uma economia em crise, alto índice de desemprego e de trabalho informal, a equipe econômica do governo Bolsonaro propõe cortar os salários dos trabalhadores pela metade, sob a alegação hipócrita do Secretário Especial de Previdência e Trabalho Bruno Bianco de que “é mais grave perder o emprego e não ter salário”.

A medida provisória proposta agora permite às empresas reduzirem a jornada e o salário do trabalhador pela metade, com validade enquanto durar o Estado de Calamidade Pública, ou seja, até 31 de dezembro de 2020. Diante de uma economia em crise, alto índice de desemprego e de trabalho informal, a equipe econômica do governo Bolsonaro propõe cortar os salários dos trabalhadores pela metade, sob a alegação hipócrita do Secretário Especial de Previdência e Trabalho Bruno Bianco de que “é mais grave perder o emprego e não ter salário”.

Na realidade, o que o governo e sua equipe econômica mostram é que, para eles, é mais grave os empresários diminuírem suas taxas de lucro do que o trabalhador perder suas condições de sobrevivência, nesse sistema que lhe oferece uma pandemia mas é incapaz de proporcionar estrutura de saúde para combatê-la.

Junto à essa medida, o governo também facilitou a decretação de férias coletivas, que agora pode ser feita com 48 horas de antecedência, não mais as duas semanas que antes eram previstas.

Há ainda a permissão para alterações no banco de horas, que o ministério da economia vê como uma “dinamização”, permitindo que o tempo que o trabalhador permanecer em casa possa ser registrado em banco de horas e cobrado posteriormente, em jornadas de trabalho mais longas. Ou seja, essa nova medida permite que o empresário mantenha seus lucros mediante ataques como corte salarial de até 50% e futura superexploração da mão de obra.

Essa medida provisória foi proposta um dia após o ministro da economia Paulo Guedes anunciar seu pacote de medidas econômicas para combater a crise derivada da pandemia do coronavírus. Esse pacote já era composto por uma série de benefícios aos empresários, mais ajuste fiscal e irrisórias medidas de estímulo fiscal, com altas cifras que disfarçam sua total insuficiência diante da realidade do país de pobreza extrema e trabalho precário e informal.

O governo e seus ministros nem ao menos disfarçam seu interesse em defender os interesses enquanto jogam nas costas dos trabalhadores os custos dessa crise. Propõem a aprovação de um Estado de Calamidade Pública mas não abrem mão da EC95, que prevê o teto de gastos para a saúde, entre outros serviços básicos para a população. Ou seja, nesse cenário de uma crise de saúde pública, o governo apresenta medidas de combate ao coronavírus que não são efetivas para a população e buscam apenas salvar o lucro dos empresários. As trabalhadoras e trabalhadores não podem ser quem vai pagar por essa crise.

É preciso exigir liberação imediata para todos aqueles que fazem parte do grupo de risco ou que apresentem sintomas, sem desconto salarial, além de proibir as demissões e redução de salário.




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