Juventude

MAIO DE 1968

Globo teme os ares de maio de 1968, mas não consegue esconder a força da juventude

A globo, em reportagem do G1, tentou mostrar o maio de 1968 na França apenas com o discurso de invasões e violência, mas mesmo a entrevistada mostra a força dos estudantes franceses que enfrentavam De Gaulle naquele momento.

sexta-feira 4 de maio| Edição do dia

A reportagem de titulo “Brasileira conta invasões à Sorbonne e à Casa do Brasil em Maio de 68”, tem como centro a entrevista com a professora universitária Arlete Saddi Chaves, de Campo Grande, que em 1968 era estudante brasileira na frança e viveu um das maiores lutas da juventude no mundo que abriu espaço também para as lutas dos trabalhadores, estabelecendo uma forte aliança operária-estudantil contra os ataques de Charles de Gaulle.

Claramente a entrevista é conduzida no sentido de expressar a “violência”, “invasões”, enfrentamento com a polícia, saqueamentos e quebra de lojas, com os tópicos “clima de guerrilha”, “Invasão da Casa Brasil”. Mas a própria entrevistada conta a força do movimento, em que mesmo que teve medo em alguns momentos, pelo nível de enfrentamento com a polícia, também se envolveu no movimento estudantil em apoio.

Arlete fazia na época um aperfeiçoamento em língua francesa, em Paris, e conta diversos fatos sobre o susto que tomou ao ver o nível das mobilizações, chega a falar que não vê semelhanças com o movimento estudantil francês de hoje, porque eram muito maiores as mobilizações e o enfrentamento com as diretorias estudantis, o governo e a polícia.

Ao mesmo tempo que mostra o susto que teve, Arlete não deixa de mostrar toda sua admiração pelos estudantes franceses, conta como começou a fazer parte do movimento estudantil, indo a uma palestra de Sartre e Simone de Beauvoir que foram à Sorbonne apoiar as reivindicações estudantis e como admirava os líderes do movimento estudantil.

Conta também que chorou ao ter que voltar ao Brasil, ainda mais num momento em que no Brasil se vivia uma ditadura militar, e que hoje sempre que tem oportunidade como professora fala de maio de 1968 na França, “para abrir um pouco os horizontes”.

É, a globo tenta, mas a poderosa juventude francesa, que ergueu um perigoso movimento estudantil, para subverter a vida em todos os seu aspectos e fez parte de uma onda revolucionária global que contou com revoltas estudantis, greves de trabalhadores e processos revolucionários de libertação nacional em todo o mundo, deixou marcas que não se pode apagar, e que vive nas mentes e corações da juventude no mundo a fora. “Sejamos realistas, peçamos o impossível”.

Nós do Esquerda Diário, lançaremos na próxima semana a quarta edição da Revista de política e cultura “Ideias de Esquerda”, que terá no seu conteúdo um dossiê sobre maio de 1968, para enriquecer os debates e para que todos se apropriem das lições desse grandioso processo que viveu a juventude e os trabalhadores.




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