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#30J

Globo comemora de que estaria “tudo normal” na paralisação nacional, e quebra a cara

Simone Ishibashi

Rio de Janeiro

sexta-feira 30 de junho| Edição do dia

Quem assistiu o jornal Bom Dia SP da Globo na rede aberta desde a primeira hora dessa manhã pôde ver uma cena tão patética quanto tradicional: o apresentador anunciando que “tudo está normal”, e que a “paralisação nacional nem está chegando a acontecer”. No jornal das 6h da manhã, a todo momento se reafirmava que além da pretensa normalidade, os sindicatos que aderiram à paralisação nacional de hoje país afora, o faziam apenas para “garantir seus interesses de manter o imposto sindical”. O apresentador em questão não tinha nenhuma intenção de esconder que esbanjava contentamento pelo aparente fracasso da paralisação nacional. A todo momento dizia “você, que pensou que não poderia ir trabalhar hoje, pode sair, está tudo na maior normalidade”. Ele se apoiava fundamentalmente no fato dos transportes, e mais especificamente o metrô de SP, não terem aderido à paralisação.

No entanto durante o decorrer da própria manhã esse discurso ficou insustentável. Os atos e paralisações de trabalhadores se demonstraram existentes em todas as regiões do país. Os acessos aos aeroportos do Rio e de São Paulo foram fechados, e aeroportos foram ocupados pelos atos. Os petroleiros do ABC, Mauá, Cubatão, e Presidente Bernardes declararam greve, que pode inclusive se estender para outras refinarias e para além de hoje, reivindicando além do fim das reformas da previdência e trabalhista, melhores condições de trabalho. A USP em SP amanheceu paralisada, e com um corte de rua, que segue enquanto essas linhas são escritas. Pelo menos 17 capitais registraram paralisação e cortes de estradas, número que ainda pode aumentar.

Estão ocorrendo vários bloqueios por todo o país. Em SP foram registrados cortes na Régis Bitencourt, Anchieta em várias alturas, e no centro da cidade. Na entrada da cidade de Santos havia interdição na avenida Martins Fontes. Também foram registrados bloqueios na saída da ponte Rio-Niterói para a avenida Brasil, no sentido centro, e na linha vermelha, no sentido centro, próximo ao Hospital do Fundão, que foi brutalmente reprimida pela polícia. No Rio Grande do Sul mesmo com repressão nas primeiras horas da manhã, grevistas também fecharam a rodovia BR-116 em Porto Alegre. No nordeste metrô do Recife e os ônibus de Fortaleza e Natal também pararam, mesmo com repressão judicial contra a paralisação. Bem como em Goiânia, DF, Sorocaba, no interior paulista. Em Porto Alegre o metrô está circulando com catraca livre, por falta de operadores. E essas manifestações não estão dando indicações de que irão acabar por enquanto.

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Tudo isso demonstra que mesmo com as centrais sindicais não tendo organizado uma verdadeira greve geral, há disposição dos trabalhadores de lutar contra os ataques. Bem como apoio popular. A impopularidade do governo golpista de Temer é recorde. A percepção de que os ataques servem para descarregar a crise criada pelos capitalistas nas costas dos trabalhadores se generaliza. Por isso, a Globo e seu “jornalismo” não puderam fazer entrevistas de rua no seu jornal da rede aberta nessa manhã. Porque mais do que a afirmação de que a paralisação “atrapalha”, o que se ouve são gritos de fundo de “fora Temer” e “abaixo as reformas” quando seus repórteres vão à rua. Evidentemente que frente a isso a própria Globo foi obrigada a mudar de tom, e assumir que há paralisação.

O Esquerda Diário convocou ofensivamente, e está participando ativamente desse dia 30 de junho. Informe-se pela esquerda, para acompanhar as manifestações dos trabalhadores e da juventude, e ver o que a Globo não mostra.

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