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Gleisi Hoffmann fala em “luta por direitos” sinalizando apoio à Renan Calheiros no Senado

Nessa quarta-feira, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, sinalizou um eventual apoio do partido à candidatura de Renan Calheiros, que há poucas semanas veio tentando aproximações com o presidente Jair Bolsonaro.

sexta-feira 25 de janeiro| Edição do dia

Apesar de alegar não ter sido discutido pelo partido e líderes como Jaques Wagner terem expresso receios com a proposta, Gleisi Hoffmann deixou claro a quem o partido está disposto a aliar-se, alegando ser parte da sua estratégia de oposição aos ataques.

A justificativa de Gleisi para tal apoio não podia ser mais fantasiosa, forçando uma oposição de Renan à Reforma Trabalhista e à Reforma da Previdência, quando há algumas semanas ele mesmo estava estendendo a mão a Bolsonaro.

Em entrevista ao jornal O Globo, no dia 11 de janeiro, disse: “a hora que ele me chamar eu vou”, na mesma ocasião em que defendeu como algo “fundamental que a Reforma da Previdência combata privilégios e aproxime sistemas”, reivindicando aumento no tempo de contribuição e uma reforma “separada” para os militares. Ali deixou evidente a sua defesa de um grande ataque às aposentadorias dos trabalhadores, falando em combater privilégios enquanto reivindicou a manutenção dos privilégios dos miliares.

Na semana seguinte se solidarizou com Flávio Bolsonaro, combatendo as investigações que recentemente revelaram movimentações financeiras milionárias e suspeitas por parte do senador, reforçando seu aceno ao governo. Renan, no entanto, não deverá concorrer a presidência do Senado pelo seu partido, MDB, que escolheu Simone Tebet como representante (ainda que não esteja descartado um eventual cenário de dois candidatos pelo partido).

A respeito da Reforma Trabalhista, Renan se opôs a proposta que o governo Temer levou a cabo, mas não por ser contra cortar direitos trabalhistas (já havia dito a necessidade de uma reforma desse tipo, mas com ressalvas a absurdos da proposta do governo golpista). Naquele momento ainda fazia disso uma posição demagógica em relação a seu eleitorado, se opondo a proposta pelo grande rechaço que expressava em setores que o elegeram e ao governo Temer.

Portanto, a principal dirigente do PT não só engana ao pintar um Renan Calheiros “defensor de direitos”, como mostra que o partido tem por estratégia se apoiar nesses figurões da direita coronelista, propondo aliança também com partidos da direita, vide o PSB, o PDT e até mesmo o PSDB, tão interessado na Reforma da Previdência quanto Bolsonaro. Busca esse tipo de aliança em troca de melhores posições do partido no Senado, provando que aposta mais no mais tosco fisiologismo parlamentar e negociações com a direita do que em chamar os milhões de eleitores do seu partido, movendo as suas centrais sindicais e estudantis, como a CUT e a UNE, para se auto-organizarem nos seus locais de trabalho e estudo, convoquem assembleias para debater como se enfrentar com a Reforma da Previdência.

Essas entidades de base, não só preferiram atuar em conformidade com a estratégia parlamentar petista, que aposta mais em uma centena de deputados do que na força das massas em ação. Através de uma carta fizeram parte de uma proposta de “paz” com Bolsonaro, que caiu tremendamente mal e mostrou que existe um setor cada vez maior disposto a se organizar contra essa reforma, tanto que tiveram que “avermelhar” o discurso após o seu fracasso, falando em greve geral sem construir qualquer plano de lutas efetivo.

Por isso que o Esquerda Diário e os militantes do MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores) acreditamos na necessidade de impulsionar comitês antiburocráticos de luta contra a Reforma da Previdência, que sirvam para organizar um setor da vanguarda de trabalhadores capaz de se ligar com setores das bases dos sindicatos com uma política de exigência a que essas centrais preparam imediatamente um plano de lutas contra a Reforma da Previdência, marcando um primeiro dia de luta contra esse ataque o quanto antes e construído com assembleias em cada local de trabalho e estudo. Colocaremos toda nossa força como parte de preparar esta atuação unificada, junto à defesa de um programa anticapitalista que se proponha a avançar contra essa classe de parasitas que quer nos fazer pagar pela crise.

É para dar essa batalha que chamamos todos os trabalhadores e jovens e militantes de esquerda que rechaçam o golpismo e a extrema direita, mas não confiam mais na estratégia do PT, a militar em comum no interior de cada local de trabalho e estudo e batalhando por isso nos sindicatos e entidades estudantis contra toda e qualquer forma de reforma da previdência e também o não pagamento da dívida pública e a estatização de todas as empresas que estão sendo vendidas, sendo colocadas para funcionar sob gestão operária e controle popular, única forma de começar a combater eficazmente os esquemas de corrupção inerentes ao capitalismo e ao vínculo das empresas privadas, dos acionistas e do governo.




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