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PARTIDO JUDICIÁRIO

Gilmar Mendes chama a decisão de Lewandowski no impeachment de ‘’vergonhosa’’. O que se esconde no debate dentro do Judiciário?

Importantes e duríssimas críticas de Gilmar Mendes a Lewandoski. O que fermenta no caldeirão do STF?

segunda-feira 19 de setembro de 2016| Edição do dia

Ao comentar a ação do PSDB que pede a impugnação da chapa Dilma Rousseff e Michel Temer das eleições presidenciais de 2014, o ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes disse que os tucanos, cujo candidato Aécio Neves foi derrotado no segundo turno, não perdeu o pleito por vontade popular. De acordo com Gilmar Mendes: "Muita gente atribuía e o próprio PSDB entendeu que perdeu as eleições por conta das urnas. Na verdade perdeu as eleições, muito provavelmente, por causa do abuso econômico", afirmou em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã da Jovem Pan desta segunda-feira (19).

Mendes diz não saber qual será o final do processo, mas espera que ele gere um "inventário digno de como se fazia campanha no Brasil e o que foram as eleições de 2014".

Gilmar Mendes afirmou que o motivo que atrasou a tramitação da ação foi discussão de sua admissibilidade. O presidente do TSE dá a entender que a ação que poderia destituir Michel Temer da Presidência será julgada apenas em 2017. "Se houvesse a cassação ainda neste ano, e temos o fator complicador com a saída da presidente Dilma Rousseff, as eleições poderiam ser diretas. Se for no ano que vem a votação será indireta, pelo Congresso", afirmou o ministro do STF.

O Ministro do TSE disse também que o debate sobe a cassação de partidos políticos no Brasil está na ordem do dia. De acordo com Gilmar Mendes: ‘’Esse tema passa agora a estar na pauta da Justiça Eleitoral’’. Questionado se o PT poderia ser proibido de atuar, o ministro do STF determinou a abertura de ação pedindo a cassação do PT em agosto, contemporizou. De acordo com Gilmar Mendes: "Sempre tivemos muito escrúpulo com essa questão da cassação de registro".

O ministro do STF Gilmar Mendes voltou a criticar seu colega, o ministro Ricardo Lewandowski, pela decisão durante o julgamento do impeachment de permitir o fatiamento da análise das penas pelo Senado, o que permitiu que Dilma Rousseff fosse cassada, mas mantivesse seus direitos políticos. "Considero essa decisão constrangedora, é verdadeiramente vergonhosa. Um presidente do Supremo (na época, Lewandowski) não deveria participar de manobras ou de conciliábulos. Portanto não é uma decisão dele. Cada um faz com sua biografia o que quiser, mas não deveria envolver o Supremo nesse tipo de prática" : afirmou Gilmar Mendes.

De um lado, fica claro que o golpista Michel Temer está novamente encontrando dificuldades para impor os ataques contra a classe trabalhadora que o imperialismo está reivindicando. Apesar de Temer ter conseguido anunciar quais os ataques que estão por vir, estas medidas estão sendo travadas pela sua base na câmera dos deputados por causa das eleições municipais.

Está mais do que visível que a turma de Michel Temer tem mais medo é da força dos trabalhadores. É visível que existe um descontentamento ao governo golpista de Temer e esta insatisfação pode fazer com que os principais partidos do golpe percam posições importantes nestas eleições, como se mostra nas dificuldades eleitorais não somente do PT mas também do PMDB e PSDB.

Setores do PSDB pressionam para uma posição de que as medidas impopulares tem que ser votadas imediatamente, deixando a Temer o ônus e apostando que eles que colherão o bônus nas urnas, Serra, tão ou mais ligado ao imperialismo que Alckmin ou Aécio que exigem pressa, não se pronuncia, temeroroso pela saúde do governo Temer onde apostou todas suas fichas. Junto a este setor se movimenta o ministro Gilmar Mendes para pressionar o governo golpista a impor os ataques contra a classe trabalhadora e os demais setores populares da sociedade e se não o fizer paira a ameaça de cassação no TSE, por outro lado se o fizer Gilmar também já deu amplas mostras que trabalhará pela anistia de todos golpistas como faz diariamente com Aécio Neves.

Como já afirmamos anteriormente, não está descartado caso Temer não consiga impor os ataques que o Judiciário resolva tirar Michel Temer e assim consolidar o ‘’golpe dentro do golpe’’.

Esta ala do Judiciário que está mais ligada ao imperialismo e os setores tucanos representam os setores golpistas que tem mais interesse em querer acabar com a possibilidade do PT voltar ao governo. Está mais do que claro que a intenção deste setor golpista é voltar ao governo para aplicar os ataques que o atual governo golpista de Michel Temer vem encontrando dificuldades em aplicar.

Para acabar com a possibilidade do PT de voltar ao governo, este setor utiliza de medidas reacionárias do Judiciário que tem setores que hoje tem como objetivo acabar com o Partido dos Trabalhadores, mas amanha certamente se voltarão contra as organizações operárias e da esquerda. Mesmo que o PT tenha assimilado os métodos da direita de governar e tenha se envolvido em inúmeros casos de corrupção, a intenção de cassar a legenda do PT só vai servir para que o regime se endureça contra os trabalhadores e demais setores sociedade.

Para impedir que o Judiciário responda a crise política do país ao seu modo, os trabalhadores e demais setores populares da sociedade precisam se organizar ao modo que se coloque em pé uma força independente que não permita fazer conchavos como o PT faz e que não paralisem os sindicatos como fazem as centrais sindicais que apoiam o ex-governo. Esta força política tem que se colocar contra todas as frações da classe dominante.




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