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Gilmar Mendes ataca Bolsa Família dizendo que o Brasil precisa combater a compra de votos

Guilherme de Almeida Soares

São José dos Campos

sexta-feira 21 de outubro| Edição do dia

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes disse nesta sexta-feira que o Brasil precisa combater a prática de ’’compra de votos’’. Em evento com empresários e executivos em São Paulo, ele disse "Se nós temos uma ampla concessão de Bolsa Família sem os pressupostos e sem a devida verificação, isso pode ser uma forma de captação de sufrágio que nós, no eleitoral, não conseguimos abarcar".

Quando foi questionado se o Supremo demorou para agir em relação a Eduardo Cunha, Gilmar disse não saber se naquele momento havia fundamentos para a prisão preventiva. Mendes afirmou que ’’Nem sei se naquele momento no Supremo houve pedido de prisão preventiva do deputado’’. Ele justificou que um deputado só pode ser preso em flagrante delito. De acordo com suas palavras ’’Depois que ele perdeu a condição de parlamentar e, portanto, a imunidade, aí se pode ser um encaminhado’’.

Em críticas a Justiça do Trabalho, Gilmar Mendes disse ter a impressão de que existe uma ’’radicalização da jurisprudência no sentido de uma hiper proteção do trabalhador’’, que de acordo com ele passou a ser tratado ’’quase que como um sujeito dependente de tutela. De acordo com o ministro, o Brasil já é, hoje, um país industrialmente bastante desenvolvidos e que já tem sindicatos fortes e autônomos. ’’Isso gerou, inclusive, a eleição de um presidente que veio da classe trabalhadora. A mim, parece que essa foi uma inversão. E aí ocorreu, talvez, um certo aparelhamento da própria Justiça do trabalho e do TST por segmentos desse modelo sindical que se desenvolveu’’ disse.

Conforme estamos denunciando neste site, a operação Lava Jato fortaleceu e deu legitimidade ao Poder Judiciário a ponto dele querer encabeçar os ataques que o imperialismo está exigindo. Como Michel Temer está encontrando dificuldades de encabeçar estes ataques, o Judiciário através da legitimidade conquistada através do seu suposto combate a corrupção começa encabeçar as medidas impopulares.

Isto mostra que o Judiciário não é neutro, conforme afirma a direita. Como mostra o discurso pró patronal de Gilmar Mendes, esta instituição está a serviço dos grandes empresários e banqueiros. Através de suas atitudes arbitrárias e manobras jurídicas, o Judiciário vai realizando a reforma trabalhista e agora pretende avançar contra as concessões que o ex-governo Dilma e Lula cederam.

É um absurdo que o Gilmar Mendes, juiz do Supremo Tribunal Federal que possui inúmeros privilégios e um alto salário decida sobre a vida de milhares de pessoas que estão na miséria por conta do capitalismo. Além disso, estes Juízes que compõem o Supremo Tribunal Federal não foram eleitos por ninguém e querem decidir o rumos de uma parcela considerável da população. Deve ser por isso que Gilmar Mendes defende tanto os políticos do PSDB. Ele é um verdadeiro juiz que tem pena e bico de tucano.

Por sua vez, é preciso reafirmar que o programa Bolsa Família nem de longe consegue combater as mazelas que o capitalismo causa para a maioria da população. Trata-se de um programa de Lula e Dilma que visa conter a ânsia dos trabalhadores e setores populares da sociedade de lutar por direitos concretos. Porém, é preciso deixar bem claro que a intenção da direita ao querer atacar este programa é pra tirar dinheiro de ’’áreas sociais’’ e investir nos grandes empresários e banqueiros.

Ao contrário do que faz a Luciana Genro que escreve ’’Viva a Lava Jato’’ no facebook, é preciso combater o poder Judiciário. Para isso, é preciso uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana imposta pela luta dos trabalhadores e dos setores populares da sociedade. As ocupações de escola no Paraná, no Rio de Janeiro assim como outras lutas de trabalhadores e setores populares da sociedade precisam ser um ponta pé inicial para um movimento nacional que questione este sistema.




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