Cultura

Geraldo Azevedo diz que general Mourão, vice de Bolsonaro, foi um torturador na ditadura

Durante o show de sábado o cantor afirmou:”Eu fui preso duas vezes na ditadura, fui torturado… Esse Mourão era um dos torturadores lá”

terça-feira 23 de outubro| Edição do dia

Durante um show, na cidade de Jacobina (BA), o cantor Geraldo Azevedo discursou contra a candidatura de Bolsonaro, e surpreendeu a todos ao apontar o vice candidato general Hamilton Mourão como um de seus torturadores.

“Olha, é uma coisa indignante, cara. Eu fui preso duas vezes na ditadura, fui torturado, você não sabe o que é tortura, não. Esse Mourão era um dos torturadores lá”, declarou o artista.

O general da reserva Hamilton Mourão é mais um dos defensores, assim como Bolsonaro, do torturador Brilhante Ustra, e após o atentado de Bolsonaro, o vice-candidato se autointitulou "profissional da violência" - “Se querem usar a violência, os profissionais da violência somos nós”. Portanto, não seria de se surpreender se fossem constatada a veracidade da acusação de Geraldo Azevedo.

Sobre o momento do país, o cantor ainda complementou: “Eu fico impressionado do povo brasileiro não prestar atenção nas evoluções humanas. Olha, eu não sei se isso aqui vai entrar em algum choque com a prefeitura, coisa e tal, mas é o meu sentimento de indignação em relação com o que pode acontecer com o Brasil”, acrescentou o músico, ganhando aplausos da plateia. “E essa alegria toda que está tendo aqui vai se perder, vocês estão sabendo disso. O Brasil vai ficar muito ruim se esse cara ganhar”, finalizou Geraldo Azevedo, emendando com a canção “Sétimo Céu”, que tem versos como “Pois quem tem amor/ Pode rir ou chorar”.

Atualização: cantor esclarece o fato em nota a imprensa

No dia seguinte a repercussão de sua declaração o próprio cantor se retratou da acusação ao General Mourão, mas mantendo seu tom crítico a ditadura militar brasileira e movimentos atuais de apologia ao período e a tortura. Veja a íntegra da nota:

Nota de esclarecimento
10/23/2018

Fui uma das muitas vítimas da ditadura militar instaurada em 1964. Fui sequestrado e brutalmente torturado duas vezes, primeiro em 1969 e depois em 1974. Hoje, me espanto muito com a iminência da eleição de um candidato que idolatra torturador e que diz que “o grande erro (da ditadura) foi torturar e não matar”.

No último fim de semana, declarei em um show no interior da Bahia que o general Mourão era um dos torturadores da época em que fui preso. No entanto, esclareço que o o candidato a vice-presidente da chapa de Jair Bolsonaro não estava entre os militares torturadores. Peço desculpas pelo equívoco e reafirmo minha opinião de que não há espaço, no Brasil de hoje, para a volta de um regime que tem a tortura como política de Estado e que cerceia as liberdades individuais e de imprensa.

Rio de Janeiro, 23 de outubro de 2018
Geraldo Azevedo




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