Política

DELAÇÃO DA ODEBRECHT

Geraldo Alckmin recebeu proprina de R$ 10,3 milhões, afirmou delator da Odebrecht

Para começarmos a pensar o que significa a delação contra Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo, já no 4º mandato em SP, cabem algumas considerações para nos trazer à memória como funciona essa operação.

quinta-feira 13 de abril| Edição do dia

Foto:Agência Brasil

Os meios de informação burgueses, com suas faces sensacionalistas, mais repercutem como escândalos as condenações do que explicam para a população como se dá o funcionamento de toda a operação Lava Jato. A mídia também é totalmente parcial quando divulga o que lhe convém.

Hoje, em 2017, o relator da operação é o ministro Eduardo Fachin, sorteado em fevereiro para substituir Teori Zavascki, que morreu em um acidente de avião.

À Fachin, é dado o poder de notificar os delatados que tem 15 dias para apresentar a sua defesa. Parece ser Fachin a grande figura do STF (Supremo Tribunal Federal), porém, o procurador-geral Janot pode avaliar essas delações e decidir quais devem ou não serem levadas à frente. Veja você, caro leitor, que o Ministro Fachin faz parte da segunda turma, junto com Gilmar Mendes. São duas turmas de juízes que você pode ver os nomes aqui. Não deixe de notar que o juiz Alexandre de Moraes, aquele que foi Secretário de Segurança Pública no governo Alckmin, encontra-se na primeira turma depois de ter sido nomeado pelo golpista Michel Temer.

Conhecendo os nomes dos protagonistas da operação cabe avaliarmos os desentendimentos do STF em relação à operação. Gilmar Mendes fez críticas duras à Lava Jato e o procurador-geral da república Janot, aquele que pode decidir sobre as delações defendeu a idoneidade da operação.

Depois deste apanhado geral vale avaliar se juízes que super salários, gozam de privilégios que maioria da população nem mesmo imagina, inclusive, não são eleitos pela população, mas indicados de acordo com os interesses da mesma casta corrupta e privilegiada que aparece nas delações premiadas, além arbitragem em defesa dos ricos poderosos, assim como, o próprio Alexandre de Moraes, aliado do PSDB, responsável por reprimir duramente as manifestações em São Paulo, durante o período que fez parte dá gestão Alckmin, podem decidir sobre a continuidade das investigações, irão de alguma maneira dar cabo de também condenar seus pares?

Caso as investigações no STF continuem, pois hoje o procurador geral Janot fez uma declaração em que disse que gostaria que fossem para o STJ (Supermo Tribunal de Justiça). Eis a sua fala: "não existe menção a crimes praticados por autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função nesta Corte (STJ)". Para ele a este órgão cabem as medidas cabíveis. O STJ onde Janot aponta para que sigam as investigações está abaixo dos que foram condenados anteriormente na investigação. Mas isso acaba não sendo uma grande coisa, pois todos os ministros-juízes do STF e STJ são nomeados pelo presidente da República. De qualquer forma, qual seria o interesse neste rebaixamento?

Fachin, o relator, fez a seguinte fala pedindo: "o levantamento do sigilo dos termos aqui referidos, uma vez que não mais subsistem motivos para tanto". Traduzindo para uma linguagem compreensível por um ser humano normal, significa dizer que não há mais necessidade de se manter sigilo sobre as delações, pois segundo ele, não há mais motivo para isto. Talvez, depois de diversas acusações sobre a arbitrariedade da Lava Jato e do Judiciário, Fachin queira dar a entender, agora que o PMDB e PSDB aparecem em diversas delações da Odebrecht, ou seja, praticamente todos os partidos que compõe a política nacional está incluída, não há mais o que esconder.

Sobre tudo isso ainda não é possível afirmar se haverá uma disputa entre os partidos da ordem e o então germe do "partido do judiciário", ou se estes intocáveis da política nacional continuarão nesta posição.

Alckmin já fez a sua declaração: "Jamais pedi recursos irregulares em minha vida política, nem autorizei que o fizessem em meu nome. Jamais recebi um centavo ilícito. Da mesma forma, sempre exigi que minhas campanhas fossem feitas dentro da lei". Três delatores da Odebrecht afirmaram à Procuradoria-Geral da República que o governador paulista usou o cunhado - Adhemar César Ribeiro - para receber R$ 10,3 milhões do setor de propinas da empreiteira em 2010 e 2014. As informações constam de manifestação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo. Fachin, relator da Lava Jato, complementa dizendo que "Adhemar César Ribeiro, cunhado do governador Geraldo Alckmin, receberia pessoalmente parte desses valores e que, ao lado desses pagamentos, houve também doação oficial de R$ 400 mil".

Diante de todo este cenário fica a pergunta: será Alckmin julgado e condenado, ou como todos os paulistas presenciam há anos, suas atrocidades continuarão impunes? Visto que tanto os parlamentares quanto os juízes da burguesia estão contra a classe trabalhadora.

Para que qualquer investigação seja levada de fato séria, os políticos devem ser julgados por júri popular pois a corrupção no capitalismo é sistêmica, é necessário que haja uma mudança significativa e não apenas punições individuais. Que os políticos corruptos sejam julgados por júri popular.

Queremos que o dia 28 seja um passo nesse sentido, e para isso é necessário a auto-organização dos trabalhadores, levantar em cada local de trabalho e estudo comitês de base para impor às direções da CUT, CTB, Força Sindical, e outras centrais sindicais de peso no país, que a paralisação seja efetiva, e caminhemos para uma Greve Geral efetiva. Fazemos um chamado a toda a esquerda para que na luta concreta estejamos golpeando juntos para barrar os ataques de Temer.




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