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General do Exército pressiona professores: "o que se está ensinando nas escolas?"

quinta-feira 28 de setembro| Edição do dia

Não bastassem as intervenções da Igreja e do Judiciário no ensino público, aprovando o ensino confessional da religião e buscando transformar as salas de aula em cultos que violam o que deve obrigatoriamente ser laico, o Alto Comando do Exército também quer opinar sobre o "que os professores estão ensinando".

Sem entrar no conteúdo mesmo das aulas, o comandante militar do Sul Edson Pujol questionou, segundo esta matéria do Estado de S. Paulo, “Vocês concordam com o que está sendo ensinado para os seus filhos, sobrinhos, netos?".

"Se nós ficarmos somente reclamando, insatisfeitos e inconformados, não vamos mudar as coisas", afirmou. Nessa mesma ocasião, Pujol insistia em que as pessoas devem "sair às ruas para manifestar sua insatisfação", conclamando de forma nada sutil as pessoas a defenderem nas ruas as opiniões educacionais manifestadas por elementos do Alto Comando das Forças Armadas, como o Escola Sem Partido.

"Não adianta nós só usarmos as mídias sociais", disse ao pregar manifestações nas ruas. Ele citou que não tinha notícias de, nos últimos três meses, terem sido realizados protestos significativos no Rio de Janeiro, em Brasília, São Paulo ou Porto Alegre. "Não estamos gostando, mas estamos passivos."

Escola Sem Partido, ensino confessional, pressão de generais do Exército: os ataques reacionários não vem apenas contra as condições econômicas de trabalho dos professores, mas também contra os direitos democráticos elementares como o ensino público laico, o direito de debater a sociedade, as questões de gênero e sexualidade, entre os grandes temas do conhecimento.

Veja também: Ensino religioso e Escola sem Partido: dois absurdos que se alimentam

É indispensável defender os direitos democráticos e a liberdade de ensino dos professores na rede pública, rechaçando os dedos sujos de sangue do Alto Comando das Forças Armadas, que não tem nada a dizer sobre educação.

Da mesma maneira, as escolas públicas não precisam de nenhum espaço específico para o ensino de religião, mesmo que esse tivesse um carácter laico e geral. A religião, como fenômeno histórico-social, pode muito bem ser trabalhada nas diversas disciplinas (científicas, filosóficas, artísticas, de linguagens) que compõe o currículo escolar: das ciências da natureza à história, da matemática à filosofia, das artes à educação física.




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