INTERVENÇÃO FEDERAL

General da ocupação que massacrou Haiti diz que militares são vítimas de preconceito

O General quer acreditemos que os militares são salvadores da pátria, e pior, que são vítimas de discriminação. Além de pregar o extermínio querendo tratar a Guerra às Drogas como o ataque feroz do exército a Guerrilha do Araguaia.

sexta-feira 9 de março| Edição do dia

Imagem: globoesporte.com

A Intervenção Militar que já dura 3 semanas vem colecionando uma série de declarações de Generais que escancaram suas facetas. A mais autoritária, com o General Eduardo Villas Bôas, Comandante do Exército conclamando sua liberdade para matar no RJ, sem correr o risco de uma nova Comissão da Verdade, a incrível falta de credo na operação pelo próprio General-Interventor, Braga Netto que disse que o problema da segurança pública é "muita mídia", até o vitimismo mais barato, como recentemente o general da reserva Augusto Heleno Ribeiro Pereira que disse que o país país luta contra todos os preconceitos, menos contra descriminação aos militares.

Isso mesmo que você leu, o General quer que acreditemos que os militares são vítimas de preconceito, e o pior, ele foi aplaudido pelo público formada por mais de 300 militares e acadêmicos em um painel de debates chamado "A Segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro: Intervenção Federal e Forças Armadas" na ESG (Escola Superior de Guerra), na Urca, zona sul do Rio de Janeiro. Ele afirmou: "É impressionante o preconceito que continua a existir contra os militares, não tem razão de ser. Após o fim do regime militar, as Forças Armadas têm sido o baluarte da democracia no Brasil", disse. E afirmou que "o país luta contra todos os preconceitos, menos contra esse".

Ele também sugeriu que se faça nas favelas como se fez com a Guerrilha do Araguaia, quando o Exército massacrou e torturou ferozmente os guerrilheiros: "A Colômbia teve 50 anos de guerra civil porque não fizeram lá o que foi feito no Araguaia. O país teve que passar 50 anos lutando com uma organização terrorista". Segundo ele, "você não vai arrumar (a segurança no Rio) jogando flores e beijinho igual ao (cantor) Roberto Carlos". E ainda disse que "O cara não pode andar de fuzil na rua como se fosse um aspirador de pó. Ele não tem o direito de andar pela rua com um fuzil AR-15" segundo o UOL.

As afirmações do General invertem a realidade, colocam no Exército o papel de salvador da pátria e pior, como vítima excluída da sociedade. Enquanto ele um poderoso general permanece "atrás da mesa com o cú na mão", como diria Renato Russo em Faroeste Cabloco, seus soldados fazem o trabalho sujo nas favelas, nas quais as verdadeiras vítimas são sempre as mesmas, as famílias negras e trabalhadoras que veem seus filhos serem assassinados em um pretexto de Guerra que mira sempre os pequenos na cadeia produtiva do tráfico.

O General é ex-comandante das forças da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti, uma operação que deixou vestígios de sangue e abuso nos 13 anos que durou por parte do Exercito brasileiro que integrava uma "missão de paz da ONU", com 13 mil soldados e um gasto anual de 920 milhões de dólares pelo Governo Brasileiro. Segundo relatório que noticiamos aqui somente entre 2008 e 2013 houve cerca de 480 denúncias de casos de exploração sexual no país.




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