Política

FORÇAS ARMADAS E NEOLIBERALISMO

General aliado a Bolsonaro prega necessidade de reformas, terá que tomar "medidas impopulares"

Cássia Silva

estudante de Ciências Sociais na Unicamp e militante da Faísca

terça-feira 18 de setembro| Edição do dia

FOTO:"Marcello Casal Jr./ABR"

Depois de sair de uma conversa com Paulo Guedes, Augusto Heleno, general da reserva do Exército, disse à Reuters que, se Bolsonaro se eleger, algumas “medidas impopulares” serão adotadas, porque “qualquer um que se eleja presidente vai ter que fazer reformas”.

Na manhã de segunda feira (17), o general se reuniu com o economista Paulo Guedes, possível ministro da Fazenda se o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro se eleger. Heleno, que chegou a ser cogitado para vice de Bolsonaro, disse que está sendo feito um diagnóstico da situação econômica do país, áreas como educação e infraestrutura serão afetadas, e está ajudando na formulação de propostas para a campanha de Bolsonaro.

Sem revelar detalhes da conversa, Heleno disse também que é natural que a candidatura de Bolsonaro receba apoios no segundo turno de partidos que hoje estão coligados com o PSDB, que “na hora que se está no segundo turno, cada um cuida para ficar debaixo da árvore”.

Não podemos deixar de lembrar também quem é Paulo Guedes. O economista é acusado de provocar perdas milionárias na Bolsa de Valores à Fapes, fundo de pensão dos funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De fato, o diagnóstico de Augusto Heleno e Paulo Guedes não está errado, a crise capitalista já dura dez anos, o dólar aumenta, produtos importados encarecem, o preço do diesel sobe. Num cenário de eleições nacionais polarizadas, sem dúvidas os ataques aos trabalhadores e à juventude serão garantidos através das reformas e a suma implementação delas.

A situação que nos está colocada, na verdade, é que mais que nunca precisamos avançar com ideias anticapitalistas, apostar nos embates entre os trabalhadores e os empresários e o golpismo para que vençamos, não em alternativas que podem parecer radicais, mas que fazem parte do capitalismo podre que vivemos. Paulo Guedes, que desviou verbas milionárias que iriam para aposentadoria, e é o mesmo que defende que os brasileiros não possam mais se aposentar, com a reforma da previdência e a privatização de tudo para priorizar o pagamento da dívida pública. Por isso que precisamos de um programa que imponha uma alternativa nossa nos rumos do país, que nosso dinheiro deixe de ser gasto em dívida pública para banqueiros.




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