INTERVENÇÃO NO RIO / FORÇAS ARMADAS

General Mourão, defensor de torturador, foi aclamado pelo comandante do Exército como um “exemplo”

Gilson Dantas

Brasília

quinta-feira 1º de março| Edição do dia

Sabemos que o general Mourão defende torturadores como o coronel Brilhante Ustra [1932-2015], a quem chamou de “herói” e apoia gente tipo Bolsonaro para presidente da república e declarou que pode “subir no palanque” em sua defesa.

Também sabemos que o general Mourão, segundo o Valor Econômico de hoje [1/3] , ao se despedir dos seus pares, em solenidade ontem, fez questão de reivindicar poder militar e político para o general Braga Netto, interventor federal no Rio e defendeu o afastamento de Pezão [a ser substituído, naturalmente, pelo general Braga].

Também sabemos que no final do ano passado, o general Mourão, em palestra aqui em Brasília, promovida pela maçonaria, declarou que “seus companheiros do Alto Comando do Exército” entendem que uma “intervenção militar” poderia ser adotada se o Judiciário “não solucionar o problema político” do país.

Não foi censurado nem desmentido pela cúpula militar, como também se sabe. Prestigiado ele dirigia até há pouco o orçamento das forças armadas, no Comando do Exército.

O problema é que ele não está sozinho nessa cruzada de risco, risco que o ativismo militar significa para o povo brasileiro, em particular os pobres urbanos e a classe trabalhadora [maior vítima e alvo, ao lado da juventude, da ditadura militar de 1964].

Mas o que foi menos divulgado e é importante que se saiba, em relação ao general Mourão, foi o apoio expresso e emocionado que ele recebeu ontem [1/3] do atual comandante do Exército: o general Villas Bôas.

Este general, número um do Exército, no seu twitter, seguido por 82 mil pessoas, disse ter sentido “emoção genuína” na despedida de Mourão, ontem. E acrescentou que o seu colega Mourão, “soldado na essência d´alma” [sic] merece o “reconhecimento” por sua “camaradagem, disciplina intelectual e liderança pelo exemplo” e finalizou “obrigado soldado”.

É um grave problema esse do ativismo político da cúpula das forças armadas, com sua concepção de que problemas como pobreza [geradora de violência] e crise política se resolvem com a espada.

E esse "camarada e intelectual" vem a ser justamente uma liderança militar que apoia um general torturador que morreu impune...

Segundo a Folha de SP, o general Villas Bôas [que sai do supremo comando agora em março] afirmou ser “fundamental” que os militares possam atirar em quem se desloque armado no Rio de Janeiro.
O mesmo “direito” que usaram no Haiti, como se sabe. Portanto quer um tipo de “carta branca”. Sendo que pelas regras já em vigor, o integrante das forças armadas que atirar e matar não pode ser julgado pela justiça civil.

O general Villas Bôas também reivindicou que não houvesse qualquer coisa parecida com uma Comissão da Verdade julgando as ações militares nos bairros pobres do Rio.

As forças armadas estão tendo seu maior protagonismo na vida política desde o fim da ditadura militar. E especialmente de parte de generais que se recusam a reconhecer os crimes de Estado da ditadura militar; o caso Mourão é um exemplo. Essa maior presença e mais apetite para agirem como interlocutores na política nacional por parte de generais, nos marcos de um grau a mais no bonapartismo do atual golpismo civil deve ser motivo de debate pelos organismos da classe trabalhadora.

[Crédito de imagem: site https//: blitzdigital.com.br]




Tópicos relacionados

Intervenção Federal   /    Crise no Rio de Janeiro   /    Forças Armadas   /    Ditadura militar

Comentários

Comentar