Política

PRIVATIZAÇÃO

Gasolina a R$10? Um cenário possível com a privatização das refinarias por Bolsonaro

Lembra da escalada dos preços dos combustíveis? Ficará ainda pior com Bolsonaro. Ele quer a completa privatização das refinarias. Quer entregar tudo para a Shell, Total, BP e o resultado quem pagará será o trabalhador com gasolina e gás de cozinha cada vez mais caras. Como impedir essa entrega dos recursos nacionais? O que fazer para colocar as riquezas nacionais longe das mãos imperialistas e de toda corrupção praticada desde os generais ao PT?

Maíra Machado

Professora da rede estadual em Santo André e militante do MRT

terça-feira 16 de outubro| Edição do dia

A Agência Nacional do Petróleo divulgou seu balanço semanal, nele apuraram um preço médio da gasolina em R$4,722, alcançando em determinados lugares extorsivos R$6,290. Prepara-se para uma gasolina a R$10 se o plano de privatização e entreguismo de Bolsonaro for levado à frente.

Consta no programa do reacionário ex-capitão e campeão de entrega de nossas riquezas nacionais aos EUA a privatização de todo refino e logística, todo downstream no jargão petroleiro. Veja na íntegra o programa feito com os caprichos e profundidade do powerpoint de Dallagnol clicando aqui. Em sua página 74, copiada abaixo lê-se claramente esta privatização.

A mesma posição foi sustentada em entrevista à Folha pelo provável ministro de Bolsonaro para energia e infra-estrutura, o general Oswaldo Ferreira. Na entrevista ele afirma "Considero que o refino e a distribuição de petróleo possam ficar com a iniciativa privada."

Shell aplaude, Halliburton apoiadora de Trump e incentivadora de governos de direita e subservientes aos EUA, idem. Moro em sua cruzada anti-estatais, anti-nacional e particularmente anti-Petrobras sorri mais aliviado com seu voto no capitão e ainda com possível agraciamento com um cargo vitalício no STF para poder rasgar a constituição ainda mais do que já fazia de sua modesta 13a vara em Curitiba.

Mas o que significará esta privatização além de dilapidar recursos construídos pelo suor dos trabalhadores brasileiros, tantas vezes sob presa da corrupção praticada pelos generais, pelos tucanos e pelo PT, e pela cobiça ianque?

Significará gasolina e gás de cozinha mais caras. O Diesel para subsidiar os lucros do agronegócio e de todo setor de logística que apoia Bolsonaro deve continuar tendo subsidios estatais, como aconteceu com Temer. Os caminhoneiros - contentaram com o quinhão próprio e de seus patrões - e deram de ombros com o restante da população. Com Bolsonaro isso vai se exarcebar.

A venda de refinarias e de toda logística fará do país cada vez mais um produtor e exportador de petróleo cru e importador de derivados. Só que os derivados serão importados a preço mundial e não a preços nacionais. Preparando-se para esta privatização que Temer criou a variação diária dos preços dos combustiveis.

Então se o dólar se valorizar frente ao real ou o preço do petróleo subir a gasolina também subirá. Se as duas coisas acontecerem ao mesmo tempo podemos ter gasolina a R$10. E não é díficil chegar num cenário tão extremo ao bolso dos trabalhadores. Basta os EUA seguirem com sua política de subida de juros, o que implica em desvalorização de moedas de países emergentes, e basta mais algum espirro na geopolítica para que o petróleo Brent (hoje em US$80) alcance a cifra de 100 dólares, levando a imediato aumento da gasolina em cerca de 25%, gerando um preço médio no país de R$5,90, agregue a isso mais 20% de desvalorização do real e temos gasolina a R$7,083...

Surgiu uma nova tensão entre países da União Europeia e a Arábia Saudita fruto do assassinato de um jornalista dentro da embaixada saudita na Turquia. Os países ocidentais ameaçaram medidas diplomáticas e o reacionário país onde tudo é propriedade dos reis e as mulheres só obtiveram o direito a dirigir carros poucos meses atrás ameaçou com um embargo de petróleo. O editor da empresa real de comunicação, a Al Arabya, em ameaça (para buscar negociação e contenção) escreveu "ninguém deve descartar o preço pular para $100 ou $200 o barril, ou mesmo o dobro deste valor."

O Brasil tem um parque de refino e uma produção de petróleo que poderiam dar conta da demanda interna sem precisar ficar refem do mercado mundial. Mas não é esta a escolha de Bolsonaro que segue a Temer e aos tucanos no entreguismo. De outro modo também não era a escolha do PT que implicava em crescente sucateamento do refino da empresa e crescente privatização do pre-sal, como fez Dilma em leilões que motivaram até mesmo uma greve petroleira contra seu governo em 2013.

Como o Esquerda Diário afirmou diversas vezes durante a crise de combustiveis no país, a única maneira de garantir combustível barato para a população e garantir que as vastas riquezas do petróleo não enriqueçam empresas imperialisas nem sejam presa da corrupção é colocar toda a cadeia de produção de petróleo nas mãos de uma Petrobras 100% estatal e gerida pelos petroleiros com controle popular. Nas mãos do imperialismo ou de indicados militares ou políticos seguiremos tendo um roubo dos recursos do país, a transparência, segurança operacional e garantia de que os recursos sirvam ao país só pode vir das mãos dos trabalhadores.

Precisamos derrotar esse feroz entreguismo de Bolsonaro e sua consequência contra o bolso de cada trabalhador. Acompanhamos cada trabalhador e jovem que quer derrotar Bolsonaro votando em Haddad, o fazemos criticamente pois alertamos que não será com uma estratégia meramente eleitoral do PT e com sua conciliação que derrotaremos uma extrema-direita e um entreguismo cada vez mais fortalecidos. É preciso construir milhares de comitês de base por todo país para abrir caminho à luta de classe, o único terreno onde podemos dobrar a mão da extrema-direita, do golpismo e de todas reformas e privatizações.




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