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GM prepara restruturação produtiva para lançar suposta crise sobre os trabalhadores

terça-feira 22 de janeiro| Edição do dia

Nesta terça-feira aconteceu uma reunião entre o presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga, os prefeitos das cidades de São José dos Campos e São Caetano do Sul, e os representantes dos sindicatos de metalúrgicos das duas cidades. A reunião articulada por Zarlenga teve como pauta uma suposta dificuldade financeira que estaria passando a empresa nas plantas localizadas nas respectivas cidades, e que portanto seria necessário incentivos fiscais por parte das prefeituras e “sacrifícios” por parte dos funcionários para que as plantas não fechem.

O discurso usado pelo presidente da GM não é novo. Se trata de uma estratégia utilizada pelas montadoras desde o final dos anos 80 para aplicar reestruturações produtivas. Em geral as patronais avisam uma suposta crise e ameaçam fechar a planta caso não sejam acordadas as reestruturações que, na maior parte das vezes, tem impactos que flexibilizam e intensificam o trabalho dos operários e atacam nossos direitos. A chantagem é feita para domesticar o sindicato e fazer os trabalhadores acreditarem que os ataques são necessários. As direções dos sindicatos, em geral, não cumprem qualquer papel de resistência, buscando, assim como no cenário nacional de ameaça da reforma da previdência, preservar sua posição de burocracia, o que só é possível com a submissão total ao programa patronal.

Dessa vez não parece ser diferente, já que os números nos apontam outra realidade da empresa. Ano passado foram gastos R$ 1,2 bilhão em uma modernização da planta de São Caetano do Sul, R$ 1,9 bilhão para quadruplicar a produção de motores na fábrica de Joinvile (SC), criou o terceiro turno na unidade de Gravataí (RS) e e aporte de US$ 300 milhões mais US$ 200 milhões dos fornecedores para inserir a fabrica de Rosário, Argentina, no plano de desenvolvimento da nova família global de veículos. Alem disso, a empresa é líder de vendas no país e detém uma fatia de 17,9% do mercado nacional e um lucro global de US$ 2,5 bilhões no ultimo trimestre.

O movimento sindical saiu com uma nota em oposição à reestruturação produtiva, assinada pelos sindicatos envolvidos ( SCS – Força Sindical; SJC- CSP Conlutas) junto ao Sindicato do ABC (CUT) que assinou em solidariedade, junto à Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (Força) , à Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CUT) e à executiva nacional da CSP/Conlutas. Nela afirmam que “a empresa aproveita o momento para fazer uma forte reestruturação, com demissões e fechamento de plantas, como algumas que já foram anunciadas nos EUA e Canadá. Os trabalhadores não podem mais uma vez “pagar o pato”. A demagogia das centrais é enorme, já que não preparam qualquer forma de resistência real dos trabalhadores, como assembleias, comandos de base, entre outras medidas para fomentar um setor ativista na base dos trabalhadores. Força Sindical e CUT assinaram, no início do ano, uma carta de "respeito" a Bolsonaro, o presidente mais ajustador da história recente do país, que promete acabar com o movimento operário e se postula como inimigo da luta das mulheres, das negras e negros e de toda a classe trabalhadora. A mesma CUT é dirigida pelo PT, que em seus 13 anos de governo já havia começado a atacar os trabalhadores, respondendo nas alturas os interesses dos grandes grupos capitalistas, como os donos da GM, que nunca lucraram tanto quanto nos anos de governo do PT. Na semana passada, as centrais sindicais se reuniram e mudaram o discurso em relação a reforma da previdência, dizendo que iriam resistir, mas a estratégia anunciada segue a mesma: não propõe qualquer plano de luta para derrotar a reforma. Apesar de não ter assinado a traidora carta de 02/01, a CSP-Conlutas - que codirige o sindicato de metalúrgicos - participou dessa reunião na semana passada e se calou frente a traição das centrais golpistas, como a Força e a CTB, e a estratégia exclusivamente eleitoral do PT.

Nenhum participante da reunião anunciou o conteúdo da discussão. O sindicato de São José dará informe das reivindicações patronais primeiro aos trabalhadores em assembleia na entrada do primeiro e do segundo turno (5h e 14h30) na quarta (23). O mesmo sindicato afirmou um encontro com os sindicalistas de São Caetano para debater propostas específicas para a unidade.

Na unidade do ABC paulista estão as linhas do Onix Joy, Spin, Cobalt e Montana. Já em São José atualmente são produzidas apenas a picape S10 e o SUV Trailblazer e foi excluída dos recentes investimentos anunciados pela multinacional. Longe de uma confiança nas burocracias sindicais, é preciso que nas fábricas de todo o país as trabalhadoras e trabalhadores se organizem em articulações antiburocráticas, se preparando para lutar contra as reestruturações da precarização do trabalho, como parte de uma luta maior contra a reforma da previdência e pela anulação da reforma trabalhista.




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