Mundo Operário

REFORMA TRABALHISTA

GM ameaça fechar fábrica em Gravataí (RS) se não retirar direitos dos trabalhadores

Com a justificativa de queda nos lucros das operações no Brasil, a GM apresentou 21 pontos que prejudicam brutalmente os trabalhadores da planta de Gravataí em benefício dos lucros bilionários da multinacional.

terça-feira 29 de janeiro| Edição do dia

Trata-se de uma ofensiva nacional contra os trabalhadores por parte da GM, que apresentou proposta semelhante na planta de São Bernardo do Campo

Entre as medidas apresentadas como ameaça de retirar as operações de Gravataí, há o rebaixamento do piso salarial, congelamento de salários, aumento da carga horária, corte na participação em lucros e resultados, jornadas intermitentes ou de até 12 horas, e por aí vai. É a primeira tentativa de aplicação dos ataques da Reforma Trabalhista em uma grande indústria, a implementação dessas medidas pode abrir caminho para as patronais em todo o Brasil avançarem no mesmo sentido.

Apesar de seus lucros bilionários, e de ter declarado anteriormente que a operação na América Latina (com 3 fábricas no Brasil e uma na Argentina) foi o que segurou os lucros da empresa quando outras regiões davam prejuízo durante o impacto da crise de 2008, a GM usa o discurso de que “não da mais” para ter prejuízo e ameaça sair do país deixando milhares de famílias na rua. Mas mesmo assim se nega a mostrar detalhes dos lucros obtidos.

O governo de Bolsonaro, entusiasta da reforma trabalhista que diz que é “horrível” ser patrão no Brasil, incentivou a empresa a demitir milhares de trabalhadores caso não consiga aprofundar a exploração em suas fábricas, um secretário de Paulo Guedes declarou “se precisar fechar, fecha”. A declaração de Bolsonaro ainda em campanha de que o trabalhador vai ter que escolher entre direitos ou emprego não foi apenas uma frase de efeito, é o verdadeiro plano dos grandes empresários capitalistas para a classe trabalhadora: trabalhar duro por um salário miserável ou morrer de fome.

E os impactos da saída de uma montadora do porte da GM não param na demissão de milhares de trabalhadores. Em Gravataí, por exemplo, os tributos gerados pelo funcionamento da planta correspondem a cerca de 45% de toda a arrecadação do município com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), mesmo com as enorme isençõe fiscais concedidas aos empresários. São cerca de 6 mil trabalhadores que operam a fábrica gaúcha, entre operários e prestadores de serviço.

Os trabalhadores em assembleia hoje pela manhã já rechaçaram a proposta e protestaram contra a tentativa da patronal de tirar ainda mais o couro dos trabalhadores, demonstrando importante disposição de luta para barrar esses ataques e mais. Foram centenas de trabalhadores que trancaram o portão da fábrica das 5h30 às 7h da manhã dessa terça-feira (29), como se vê na foto ao final.

É urgente que o Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, controlado pela Força Sindical, promova assembleias e comitês de base para que os trabalhadores possam enfrentar esse duro ataque, que não só deteriora suas condições de vida como abre caminho para aplicarem reformas semelhantes em todo o país.

Assim como as grandes centrais sindicais como CUT e CTB precisam romper nacionalmente com essa vergonhosa atuação silenciosa e paralisada e colocar seu peso a serviço de fortalecer a luta dos trabalhadores da GM. Barrar esses ataques podem sinalizar uma forte resistência para todos os trabalhadores do país contra a reforma trabalhista e demais ataques, como a reforma da previdência que vem sendo prometida por Bolsonaro e Paulo Guedes.




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