Sociedade

VIOLENCIA POLICIAL

Morador afirma: ’GCM mente sobre as mortes dos meninos de 15 e 11 anos’

terça-feira 28 de junho de 2016| Edição do dia

O Esquerda Diário conversou com um morador da zona leste no bairro Jd. São Paulo, sobre os meninos de 15 e 11 anos que foram mortos na Cidade Tiradentes nas últimas semanas, o caso mais conhecido foi o de Waldik Gabriel de 11 anos e sobre a situação dos jovens, o jovem morador declara: “ Em mais uma ação claramente mentirosa, a Polícia Militar e a GCM nos dão através da grande mídia a notícia da execução de duas crianças. Ou como noticiam, menores delinquentes que foram retirados do convívio dos homens de bem. Sim, usam o termo “ menores”, eu digo crianças por se tratarem de dois indivíduos de 12 e 15 anos.”

Acrescenta o morador um dos meninos: “Waldik Gabriel Chagas, tinha 12 anos, e a mídia fala que ele foi morto em uma troca de tiros que na realidade não existiu, o carro em que a criança estava era ocupado por mais três pessoas, e todos falam que a polícia atirou na direção dos ocupantes, na altura da cabeça. A verdade é que não houve troca de tiros, soube que o Policial foi indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Claramente neste caso os tiros foram sim para atingir um ou todos os ocupantes daquele carro, ainda mais se pensarmos que estavam em processo de “fuga” em um carro velho que não compete em nada com a viatura policial.”

Acrescenta: “Já o Robert Silva que tinha 15 anos foi morto por supostamente estar dirigindo um carro roubado. O mesmo estava levando o carro ao local que era de costume guardar, Robert possuía uma arma de brinquedo e estava com ela no momento da execução. O local em que se leva os carros trata-se de um local sem iluminação pública, porém de fácil acesso, o garoto deparou – se com a viatura policial e numa tentativa de fuga caiu com o carro numa vala, ao sair do carro foi executado, de joelhos no matagal. Um dos três tiros que mataram Robert, foi disparado dentro de sua boca. O que evidencia claramente um assassinato e a intenção cruel de mata-lo.”

Ao ficar indignado com a situação o jovem morador resolver conversar com outros jovens e nos contou como foram as conversas: “Hoje, em meio as notícias cruzadas, decidi conversar com jovens que eram de convívio destas crianças. Eles trazem a lembrança de seus amigos com pesar, mas também com uma estranha aceitação dos fatos, como se estivessem fadados àquele mesmo fim. Um dos jovens de 16 anos, diz que não acredita em um futuro que não seja assim como o de Robert e Waldik, disse que estuda e que nunca reprovou, mas que não se acha capaz de concorrer uma vaga numa universidade por meio do ENEM.

Outro jovem, esse de 18 anos, alagoano criado na periferia de São Paulo também falou ao Esquerda Diário, além da violência policial contou um pouco sobre o parque da região, "um parque gigante e muito bonito", conhecido nas redondezas como Parque do Rodeio "e que não tem NENHUMA alternativa de lazer ou cultura."

O jovem me disse assim “ um espaço gigante, que poderia ter vários cursos só dá para empinar pipa e fazer caminhada”. Essas conversas elucidam uma parte da falta de perspectiva dos jovens da periferia, a normatização de fatos como esses que acontecem repetidas vezes e que nestes casos tratam meninos como homens que sequer tiveram oportunidade de ser algo além do que foram em suas breves vidas.

"Nós daqui só pedimos por educação, cultura e lazer, a periferia clama por oportunidades de se sentir gente, por se sentir integrante de um sistema do qual claramente somos marginais. E o nos resta: aceitação.
Mas é preciso dizer á todos esses garotos que eles não estão sozinhos!”, concluiu o morador.




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